segunda-feira, 30 de junho de 2008

Almoços Grátis

Não é costume, mas desta vez, o Professor João César das Neves passou-se, é pessimismo e pseudo moralismo a mais …

Campeão Português!


Era uma marca de sapatos famosa, hoje é um estado de alma. De vez em quando, abate-se sobre o país uma onda psicótica de alteração do real, de muito difícil explicação. Houve, desde a preparação do Europeu, um clima de ambição desproporcionado, primeiro porque desconsiderava os adversários em jogo, depois porque esquecia que o futebol é um jogo dado aos maiores imprevistos. Na minha óptica, tivemos uma participação decente, jogamos bem, não tivemos sorte; é a vida. Na óptica da generalidade dos portugueses, a culpa é do Scolari, a culpa é do Ricardo, a culpa é do árbitro, a culpa seria do Camões, não tivesse morrido a tempo de escapar...
Quando, muito bem, Scolari pediu ânimo pátrio e bandeirinhas no apoio à selecção, ambicionava um bom ambiente para a sua equipa e alegria para o país; em troca teve um monstro ansioso, implacável com qualquer falha do seu novo brinquedo. A verdade, nua e crua, é que os portugueses exigiram à selecção o que não são capazes de ser enquanto país.
No último fim-de-semana vivemos um ambiente perfeitamente surrealista. Sem pés nem cabeça. Por todo lado se viam bandeiras castelhanas, o povo catatónico pretendeu que uma vitória espanhola seria também, de alguma forma, sua! Meio manco, zarolho e desnutrido, consumar-se-ia o Campeão Português!
O que os Felipes não conseguiram, houve quem desse ontem de bandeja, gritando anormalidades como: "Hoje somos todos espanhóis!". Todos, menos eu, pelo menos!
A excitação das viagens longas e exóticas toldou um certo norte que se deleita na rústica Galicia com uns requintados mejillones a la prestige, que exulta com o achamento de uma super bock em paragens tão longínquas, que acredita que Bora-Bora é um bar de Sanxenxo, destino de eleição do jet-set. Devem ter sido estes novos descobridores, felizes turistas de longo curso, temerários aventureiros em destinos exóticos, que ontem se pavonearam por aí de camisola castelhana, de pinturas tribais de amarillo y rojo na face ruborescida por um entusiasmo incompreensível e indesculpável.
Sem paixão nem entusiasmo, teria preferido uma vitória alemã. Teríamos sido eliminados pelo campeão, aliviaria alguma carga, criaria nos mais azedos uma razão para entender a derrota dos nossos.
Last, but not least, tenho a certeza que, por muita vida que Deus me dê, nunca verei um castelhano eufórico com as vitórias lusas, e bandeirinhas portuguesas tatuadas na bochecha, só se os apanharmos à má fé em coma alcoólico.

Revista de imprensa

Hoje há bastantes motivos para comentar o que se escreve por aí.
Começando pelo The Sun, ficamos a saber que Sua Majestade a Raínha Isabel II de Inglaterra comprou um restaurante Mc Donald's. É um excelente exemplo dado pela monarca quanto ao tipo de alimentação que os jovens devem fazer. E, tal como o título do jornal deixa subentender, será que neste restaurante o Burguer King vai passar a chamar-se Burger Queen?
Mas reparem que este não é um tema de capa deste jornal. Para eles, isto é mais importante!
A TSF informa que o preço dos bilhetes do metro de Lisboa aumenta 5%. Tal medida deve-se certamente devido ao aumento do preço do crude, essencial para fazer andar os motores daquele meio de transporte.
Por fim, através do Portugal Diário, ficámos a saber o problema principal do futebol português, neste caso do futebol da selecção portuguesa: a existência de adversários.
Se a Comissão Técnica da UEFA entende que o jogo-treino entre todos os seleccionados foi o melhor do Euro, talvez seja interessante a FPF propor à UEFA a realização de um Campeonato da Europa só com selecções portuguesas, garantindo assim não só a presença de Portugal na final como, naturalmente, a conquista do troféu.
E assim se passa mais um dia de crise.

IVA a 20%

Amanhã, pela segunda vez nos 22 anos de história que o IVA leva, a taxa máxima do imposto vai descer.

Falta dizer que só vai baixar a taxa máxima do IVA.
Que é a que incide, por exemplo, sobre os perfumes, o tabaco, as bebidas alcoólicas, o vestuário e os automóveis.
Porque os serviços essenciais e bens de primeira necessidade estão sujeitos à taxa de IVA de apenas 5%. Por exemplo: água, luz, gás natural, revistas, jornais, medicamentos, fraldas, espectáculos culturais e desportivos, e a maioria dos produtos alimentares. E essa não vai baixar.
As refeições nos restaurantes também mantêm a taxa de IVA actual que é de 12 por cento.

Dúvida


Se o ensino em Portugal é obrigatório até ao 9º ano de escolaridade, se não há alteração de dados relativamente ao aluno e se este não vai mudar de estabelecimento de ensino, faz algum sentido ter de se matricular no novo ano escolar?

domingo, 29 de junho de 2008

Sensibiliade e Bom Senso


Andei para aqui a anunciar a minha ida ao concerto do Jack Johnson com um entusiasmo quase infantil. Tinha razão, até as minhas expectativas mais optimistas foram superadas.
Num Pavilhão Atlântico que não encheu completamente, dada a avalanche de concertos da temporada, só foram os que gostam mesmo. Uma multidão jovem, com muito bom aspecto, um bronze de fazer inveja e, essencialmente, um ar de bem com a vida. No ar uma nuvem ténue de um ou outro charrito bem disposto e nem um indício das tais drogas pesadas da moda. Aquela gente parecia vinda directa da praia, só não percebi onde tinham guardado as pranchas.
Jack Johnson chegou ao palco pelas 10 horas, tranquilo, cumprimentou o público num português irrepreensível e começou a tocar como quem respira. É o paradigma do cool. Com as fãs ao rubro, vai falando da importância da familia na sua vida, das músicas que dedica à mulher, do amor que tem aos filhos. Nos antípodas das stars de fancaria que nos impingem, canta o que os fãs esperam que cante. O seu entusiasmo é tranquilo e próximo. A sua música, um blend perfeito de surf e folk, transporta-nos para um sofá roto num alpendre de Santa Cruz onde no fim do dia os amigos vão chegando e as ondas do dia se comentam entre golos numa long neck Rolling Rock. Jack Johnson canta as alegrias de uma vida simples e despojada, celebra o sol e o mar, deixa-nos a sonhar com slalons calmos numa long board antiga ou com pedaladas tranquilas numa custom cruiser sem mudanças.
A dois terços do concerto, sem pré-aviso nem aproveitamento marketeiro, aparece de gás no palco G. Love. Foi a apoteose. Num fabuloso Rodeo Clowns (ver video abaixo), a sala ficou em transe. Seguiram-se outras com a harmónica exuberante de G. Love a rasgar a calmaria de Johnson. Fantástico.
Resta dizer que o artista, sem regatear, deu dois encores e actuou cerca de 2horas e 20. Raro nos dias de hoje! Ah, claro, e eu gostei mesmo muito!

sábado, 28 de junho de 2008

As minhas músicas - 16

No início dos anos 80, entre as muitas estações de rádio que apareceram em Portugal, houve uma que se destacou pela diferença, mas que infelizmente só se podia ouvir na zona de Lisboa.
Falo da Rádio Cidade que, além do ritmo brasileiro na apresentação, deu-nos igualmente a conhecer conjuntos brasileiros que as rádios portuguesas ignoravam.
Ficam aqui três exemplos que ainda hoje se ouvem com agrado de reggae e rock em português do Brasil.







Nonsense ao Sábado







sexta-feira, 27 de junho de 2008

Há Homens e homens


Ramos Horta viveu parte da sua vida na inebriante Manhattan, junto da ONU, fazendo um eficaz lobbying em defesa da independência do povo Maubere. Havia quem dissesse que era um bom emprego como qualquer outro, que Timor era um pretexto. Ganhou um Nobel, regressou ao seu país e exerce funções de estado na pequena ilha perdida no fim do mundo. Foi quase morto num atentado e o país não tem estado à altura da figura do líder.

Depois de convidado para o prestigiadíssimo cargo de Alto-Comissário da ONU, depois de ter visto possível o regresso a uma vida cosmopolita, interessante e poderosa, Ramos Horta agradece e diz não. Para Ramos Horta, o seu país em crise de desenvolvimento é prioritário; decidiu ficar ao lado povo, onde é mais preciso ao país que ajudou a renascer. Teria sido fácil arranjar uma desculpa, poderia dizer que até seria bom para Timor!

Ao ver esta fotografia, depressa me apercebo que há Homens e homens.

90 - Long Life Mandela!


Uma das felicidades que podemos guardar do tempo histórico em que vivemos é a partilha desse tempo com um pequenos grupo de homens de excepção. Conforme os nossos pais e avós nos contaram de Gandhi, de Churchill ou de De Gaulle , também nós poderemos contar aos nossos mais novos sobre a vida inspiradora de Mandela. Se tivesse de escolher três pessoas que iluminaram o mundo no final do século passado, preparando-o para este, seriam João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá e Nelson Mandela. Cada um, à sua maneira e em palcos distintos, marcaram as nossas vidas com um exemplo de inconformismo, de revolução pacífica, de luta contra as grandes injustiças do mundo, sempre pelo caminho mais árduo: reconciliando, evoluindo e perdoando. Esta revolução tranquila, processo de enormíssima auto-exigência, é apanágio dos homens de excepção. Dos três que citei, só Mandela continua vivo e celebra hoje 90 em Londres. Na Londres que foi capital colonial e segregacionista e é hoje um fantástico polo de multiculturalidade. Não há novos Mandelas visíveis, mas tenho esperança que se revelem, são pessoas assim que empurram o mundo no bom caminho.

Long Live Mandela!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Contas


"...next year in Crawford, Laura and I are going to have a different kind of prayer breakfast. I'll be cooking the eggs -- and she'll be praying I don't burn them. "
-President Bush, at his final National Hispanic Prayer Breakfast


A felicidade dos americanos passa por terem a certeza da partida de George W. sem regresso possível constitucionalmente. A angustia dos portugueses passa pela incerteza do futuro no que a Sócrates se refere.


Com uma nova matemática de massas, onde errar é o grande desafio, os portugueses contam os sopapos que um juiz pode levar num tribunal-armazém, mas não conseguem fazer as contas necessárias para esticar o magro salário até dia trinta. Os jornalistas contam os votos de Rangel, frágeis ante a sombra de Lopes e os sindicalistas contam armas e ameaçam com voz grossa.


Para terminar, amanhã eu conto como foi o concerto do Jack Johnson. Aloha!

Está quase!



Faltam cerca de 21 horas! Depois do S. João chuvoso que tivemos, não me ocorre nada melhor que rumar a sul para celebrar o sol que a musica deste senhor nos transmite. Chega finalmente o verão!


quarta-feira, 25 de junho de 2008

As minhas músicas - 15



É sempre agradável voltar a escutar Supertramp, um conjunto que nos seus tempos áureos conseguiu fazer músicas fantásticas, como esta, Fool's Overture.

Gralha (e das grandes)


No JN de hoje, ficámos a saber que a ASAE já detectou mais de 700 infracções nos hipermerdados...

Irresponsabilidade

Esta malta de esquerda procura sempre arranjar argumentos para defender as suas causas, mesmo que os mesmos caiam pela base com um pequeno exercício de argumentação.
Vem isto a propósito do post publicado pelo ex-comunista, actual socialista Vital Moreira, a propósito da posição defendida pela nova liderança do PSD relativamente às obras do regime.
Não vou aqui defender as posições do PSD, eles que tratem disso, mas, neste caso específico também eu concordo que este TGV que no squerem impingir não interessa a Portugal, especialmente numa situação económica como aquela que o País atravessa (excluindo a zona delimitada por um círculo de 100 metros de raio calculado a partir do gabinete do Eng. Sócrates, onde tudo está a correr bem).
Diz Vital Moreira que o projecto foi um compromisso do PSD com a Espanha. Do PSD? Ou do Governo Português liderado na altura pelo PSD? E o projecto era este? Ou seria o esquecido T deitado em que havia uma ligação única a Espanha? A memória por vezes é curta e selectiva.
Mas diz ainda Vital Moreira que a rede TGV é essencial para a modernização e para o desenvolvimento económico. Relativamente ao desenvolvimento económico é óbvio que uma obra desta envergadura gera emprego e movimenta muito dinheiro, do qual, naturalmente, algum caberá a empresas portuguesas. Mas será alguma empresa portuguesa a fornecer os comboios? E a construção será feita exclusivamente por empresas portuguesas?
Agora dizer que o TGV é essencial para a modernização de Portugal é tão bacoco como dizer que que os Mercedes que os nossos emigrantes traziam nas suas férias há 20 anos atrás eram essenciais para a modernização das aldeias deles.
Por fim, e este argumento parece-me ridiculamente fabuloso, que o TGV irá poupar enormes gastos em combustível e em emissões de dióxido de carbono.
Mas será que este TGV vai andar a empurrão como o autocarro da selecção?
É evidente que o comboio em si terá emissões de CO2 reduzidas ou nulas. Mas a energia eléctrica necessária para o alimentar é produzida como? Será que as nossas albufeiras e centrais termoeléctricas estão assim tão sobredimensionadas que vão chegar para tudo sem qualquer necessidade de recorrer a outras fontes de energia? E a construção da linha e de todas as infraestruturas necessárias vai ser feita a pá e picareta?
E o défice de exploração que o TGV irá certamente ter, vai ser pago por quem?
É pena que este senhores comentadores que gostam de opinar sobre tudo o que se passa, e às vezes também sobre o que não se passa, não se calem de vez e se dediquem aos seus estudos académicos, pois aí serão certamente um bom contributo para o desenvolvimento de Portugal.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Casa da Musica


O numero dois de Burmester, António Jorge Pacheco, passa a numero um, deixando antever uma política de continuidade. É mau.
Burmester, consolidou a Casa da Música como um espaço de privilégio para privilegiados. A uma programação marcadamente elitista, a CM aliou uma política de preços estratosférica; assim, só uma elite cultural diferenciada e de alto poder financeiro a pode frequentar. A Casa da Música só é da cidade e do povo em termos arquitetónicos, porque não podem cobrar a quem a vê na sua altivez, a começar a Avenida da Boavista.
Gosto muito da CM, por fora e por dentro, sou dos que têm imensa pena de perder alguns dos espectáculos, mas, nos dias que correm, um casal pagar 120 euros por um concerto é caro, muito caro. Pior, é revoltante quando para o mesmo evento a Aula Magna de Lisboa disponibiliza os lugares a metade do preço! Sabendo que a demanda cultural é mais alta em Lisboa, nem as leis de mercado se aplicam.
Mesmo agora, com o lançamento do festival mestiço, muito interessante de resto, verificamos que os preços são mais acessíveis, mas se procurarmos a sala: nada. Os concertos são na praça exterior. Lá dentro só para quem paga, e muito. Pagando menos, só mesmo cá fora, em pé e ao frio!
É a esquerda no seu melhor, depois queixem-se da cultura popularucha do Rio, é a que há.
Resta esperar que um dia a Casa seja devolvida à sua cidade...

Às vezes, é preciso saber estar calado

Segundo esta notícia do site da Terra Nova, Raul Martins critica Élio Maia por este ter estado presente no jantar do Beira-Mar em campanha eleitoral para a Câmara.
Na minha opinião, esta opinião de Raul Martins tem dois leituras diametralmente opostas, uma positiva e outra negativa.
Comecemos pela positiva.
Se Raul Martins critica Élio Maia pelos motivos expostos e ele não esteve nesse jantar, é bom sinal, pois pode-se entender que Raul Martins não é candidato à Câmara, o que nos deixa a todos sossegados.
Quanto à leitura negativa, se Raul Martins não esteve naquele jantar, provou-nos a todos que não tem qualquer interesse em ajudar o Beira-Mar, apesar de se servir do clube para constantes ataques políticos.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Hoje não há bola

Vai ser uma noite complicada, hoje não há futebol na TV... assim sempre se pode comer uma sardinha e ver os balões de S. João no ar.

domingo, 22 de junho de 2008

Aborto


Depois de um ano daquilo que considero a tragédia do aborto livre, importa salientar alguns aspectos que vieram a público nos últimos dias.
Em primeiro lugar, manifestar o mais profundo repúdio por este clima de celebração. É de profunda insensibilidade e mau gosto, revela o lado mais negro desta gente que nos desgoverna.
Em segundo lugar, salientar a diferença entre os numeros hoje apresentados sobre o aborto clandestino pela ministra da tutela e os numeros esgrimidos em campanha pelos defensores do aborto livre. Hoje prova-se a sua profunda desonestidade, a falta de escrúpulos com que recorrem a todos os ardis para o mais puro terrorismo ideológico. Vergonhoso!
Em terceiro lugar, Francisco George, Director-Geral de Saúde, diz que os 12 mil abortos efectuados são menos que os 20 mil previstos, mas que ainda é cedo, pois ainda não atingimos a "velocidade cruzeiro". No mínimo, chocante!

Hoje, como então, mantenho as minhas convicções, não só em relação à causa da defesa da vida, como em relação à qualidade dos que contra ela atentam.

A semana que passou


Devido à falta de tempo, vou hoje, Domingo, fazer aqui uma repescagem dos insólitos da semana que passou.

O primeiro insólito, realmente disgusting, é a dita entrevista de Soares a Chavez. Verdadeiramente merecedora do prémio "Porqué no te callas?", em dose dupla, para cada um dos intervenientes na sessão de propaganda. O pior desta palhaçada é que passou em canal público e foi paga com o nosso dinheiro! O aviltante foi a inaudível reacção das forças políticas a este escândalo! O preocupante é que o povo, a fazer contas para comprar o pão, já nem tem capacidade crítica para protestar contra esta infâmia! Soares, impunemente e arrogantemente, como sempre, convida o ditadorzeco desprezível, para no canal público português, pago pelos portugueses, fazer uma operação de charme e lavagem de imagem de Hugo Chavez. Lamentável. Mais uma vez, nota zero para Soares nesta sua fase decrépita de sedução da extrema-esquerda.

O segundo insólito, realmente incredible, é a minha primeira concordância conhecida com Cavaco. Tento ser honesto em todas as minhas análises, isto ás vezes obriga-me a dar por mim a pensar o impensável, mas é o custo do exercício da liberdade. Pois é, ao ver Cavaco na mesquita de Lisboa e ao escutar atentamente cada uma das suas palavras, concordei e revi-me em cada uma delas. O aviso que fez aos parceiros europeus, nesta fase de disparates sobre a emigração e integração, foi avisado, inteligente e pertinente. Pronto, já disse, nem custou assim tanto.

O terceiro insólito, realmente stupid, é o anúncio de Socrates de uma "taxa Robin Wood". Num mercado de preços livres, como assegura Sócrates que o novo imposto a aplicar às petrolíferas não será imediatamente reflectido no preço a pagar pelos consumidores? Que meios de regulação tem Sócrates? Zero. Mais um anúncio impensado, eu diria vindo da cabecinha pensadora de Manuel Pinho...

O quarto, parece insólito, mas não é. A selecção de todos nós voltou para casa. So what? O futebol é assim, umas vezes ganha-se e outras perde-se. Teria sido luto nacional na Alemanha, em caso de derrota? Não creio. Continuo a achar que Scolari foi um excelente treinador e a minha admiração permanece intacta, passamos de um bando sem credibilidade a uma equipa respeitada e tida entre os favoritos. Não é pouco. Não ganhamos sempre, mas jogamos sempre bem. Chega-me. Wellcome back home boys!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pedido de ajuda

O meu conhecimento da língua germânica é praticamente nulo.
Daí a curiosidade que tive em procurar em dicionários online a tradução para o nome daquele amigo do Ricardo, o Schweinsteiger.
Com o nome completo, não obtive nada, mas, dividindo o nome em Schwein + steiger...
a tradução é...
Canalização vertical do porco.
Agradeço o auxílio de algum germanófilo que por aqui passe mas, se a tradução for esta ou algo parecido, é mesmo muito mau...
Fomos eliminados pela canalização vertical do porco ou, dizendo o mesmo em português vernáculo, pela tripa cagueira do porco.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

As minhas músicas - 14



E esta é dedicada aos jogadores da Selecção

As minhas músicas - 13



Hoje, dedicada a Luiz Felipe Scolari.

Euro 2008 - último dia

E ao quarto dia fomos de vela.
Sofremos 2 golos iguais.
Os defesas ficaram à espera do Ricardo.
O Ricardo ficou à espera dos defesas.
O Scolari... ficou a pensar que foram muito bons os últimos 5 anos e de tanto pensar, esqueceu-se que o nosso calmeirão Hugo Almeida talvez tivesse um bocadinho mais de possibilidade de estorvar os alemães que o novo lagarto Postiga que, apesar de tudo, conseguiu marcar um golito.
De resto, grande jogo do Deco e nulidade absoluta do Cristiano Ronaldo.
O árbitro,"só" não viu o empurrão do Ballack ao Paulo Ferreira na jogada do terceiro golo (caramba, eles até são colegas de equipa) nem a pisadela ao Ronaldo que em qualquer parte do mundo dava lugar à expulsão. Será que isto foi por causa da críticas do Scolari ao artista austríaco do jogo anterior?
Paciência.
Por cá continuamos a entreter-nos com o apito dourado e coisas similares.

Quo vadis?

Para onde vai o novo PSD?
Embora eu não goste, para percebermos o nosso futuro próximo, temos de tentar perceber o futuro do PSD. Estes escassos dias da nova liderança já nos deram sinais claros que interessa interpretar. Nesta fase, resta-nos pensar nos dados concretos, que são os seguintes:
No horizonte temporal das próximas legislativas, dada a actual conjuntura, será impossível a Socrates repetir a maioria absoluta.
Ferreira Leite, tendo direito, como qualquer pessoa, à sua vaidade pessoal, não poderá entabular esta política de convergência com Sócrates apenas em nome da sua coerência e da fidelidade à verdade do seu pensamento. Ferreira Leite, ao contrário do que se diz, tem ligações vincadas a um certo aparelho do partido; como mulher inteligente que é, percebe que o PSD é uma maquina que se alimenta e vive do poder, que, quando afastada, entra em decomposição e ameaça implodir, como acontece agora. Mais, Ferreira Leite sendo próxima e leal a Cavaco, percebe a sua simpatia por Sócrates, entende que os três fazem parte de uma mesma ideia de titulares de poder sem ideologia, projecto de nação-cultura, apenas comprometidos com uma visão seca e tecnocrata da governação.
O sinal, de alarme para mim, de alegria para outros, foi dado por Marcelo Rebello de Sousa. Marcelo já se referiu duas vezes à reconstrução do bloco central! Marcelo tem milhares de defeitos, mas não fala nunca por acaso e é das pessoas mais bem informadas do país. Até ao momento, o que preconiza é totalmente coerente com Ferreira Leite e com Belém.
Será o que Sócrates quer?
Poderá ser, se o entendimento entre os dois significar submissão de Ferreira Leite e apagamento político do PSD, tal como Sócrates fez com o PS.
Poderá ser, se a tentação de um acordo de incidência parlamentar com o BE não for mais forte. Aí Sócrates continuaria sózinho a governar ou desgovernar, e daria corpo a algumas políticas fracturantes e baratas, em termos orçamentais, da lavra do BE. Virá a eutanásia, o casamento gay e o caderno de encargos do costume.
Este caminho é de risco máximo para Ferreira Leite, corre o risco de cortejar Sócrates, empenhar-se por causa do dote e ser largada no altar por um noivo em fuga com a extrema-esquerda.
A bem dizer, o futuro não sorri.

Segundo dia das Royal Ascot Horse Races


Momentos curiosos das cheias dos últimos dias na China




quarta-feira, 18 de junho de 2008

Amor à Camisola

Há pessoas que no desporto demonstram um amor incrível a um clube.
Atletas com carreiras fantásticas e nunca mudaram de clube, dirigentes que passaram por todos os cargos e que estão sempre disponíveis para continuar e Álvaro Braga Júnior.
Que me lembre, foi dirigente do Futebol Clube do Porto, funcionário do Sport Lisboa e Benfica, Presidente da SAD do Boavista e agora candidato a presidente do Boavista Futebol Clube.
Será que a isto se pode chamar ecletismo?

O País do Desperdício


Hoje estavamos 2 à mesa do almoço. Pedimos picanha. Veio uma taça com feijão preto, uma travessa com arroz, uma outra taça com farofa e uma travessa com batata frita e 7 (sete) bifes.
Na minha opinião em Portugal desperdiça-se diariamente uma quantidade brutal de comida.
Até parecemos um país rico.
Não seria preferível as doses de alguns restaurantes diminuirem um pouco (e os respectivos preços também) e haver uma simpatia com os clientes perguntado-lhes, quando terminassem, se queriam repetir?
Para aqueles que comem alarvemente, podiam sempre saciar a sua fome, os restantes, comiam a mesma quantidade e pagavam menos. Os restaurantes, gastando menos produtos, pelo menos mantinham os seus resultados.

"Cosas de Hombres"


O ex presidente de Cuba, Fidel Castro acaba de publicar un prólogo ao livro Fidel, Bolivia y algo más no qual critica e insulta o blog Generación Y da "blogera" cubana Yoani Sánchez.
A bloguera ignora-o olimpicamente - «Siento decirle que sigo concentrada en un tema llamado "Cuba"» e por isso mesmo, deixa que seja o marido, o jornalista
Reinaldo Escobar, a responder ao todavia ditador.

Palmas a João Bénard da Costa !



Palmas, muitas palmas para o artigo de João Bénard da Costa hoje no Público intitulado "As premências de uma antigamente ministra" – referindo-se á ex-ministra da cultura.
Irrestível: um primor de contestação, redigida com acutilância e elevação, no estilo elegante e cristalino de João Bénard da Costa.

Isabel Pires de Lima tem alardeado a "premente" necessidade de criar no Porto um pólo de programação da Cinemateca Portuguesa, e imputando a João Bénart da Costa, Director da Cinamateca a culpa da sua inexistência e atraso, acusando-o de contribuir para a estagnação da Cinemateca e de ser "autista".

Um brevíssimo excerto da resposta excelente de João Bénard da Costa:

«(….) Fosse ela apenas deputada, nada de estranho. (….) Acontece que, se hoje ela é deputada não o foi durante quase 3 anos (…). Durante esse período, foi ministra da Cultura. Se achava "premente" a criação de de tal "pólo", teve tempo e mais do que tempo para o criar, no uso estrito das suas competências enquanto titular da pasta da Cultura. (…) Quem não foi capaz de fazer o que achava "premente" dever ser feito não tem qualquer autoridade para abrir a boca que ficou calada enquanto devia e podia falar. Diz ela que, como ministra da Cultura, defendeu publicamente o pólo a norte. Mesmo que tenha sido verdade, a um ministro cabe mais do que defender ideias. Cabe executá-las ou mandar executá-las. Não fez nem uma coisa nem outra e agora queixa-se. Mal dela. Muito pior, contudo, é vir desculpar-se comigo que, (…) dependia dela e estava lá (...)para lhe cumprir as determinações (…).
(…) Sobre a minha posição relativamente á petição do Porto, (..) já neste mesmo jornal disse o que tinha a dizer. Nunca disse - ao contrário do que mentindo, a ex-ministra me acusa – que a Cinemateca Portuguesa (…) não tem "nada, mas mesmo nada a ver com isso". (…) Apoio inteiramente, como já disse e repito a constituição de um núcleo (….) no Porto, devidamente formalizado e dotado de todas as infra estruturas necessárias, (….) com programação autónoma de Lisboa, mas contando sempre com a colaboração activa da Cinemateca Portuguesa (…) quer para a cedência de cópias (…). (….)..
( …) a Cinemateca (..) terá muitos pontos fracos, mas não esses para que a ex-ministra, tão tarde e a tão más horas, pareceu acordar, a fim de sacudir a água do capote e arranjar, no "vitalício" (que ela própria reconduziu no cargo) director da Cinemateca Portuguesa (…), o "bode expiatório" com que ajustar contas que não são deste rosário. Meta-se com gente do seu tamanho e haja respeitinho por quem não tem nem idade, nem percurso porfissional, nem posição social para gastar mais cera com tão ruim defunta.»
(!!)
Quem fala assim não é gago!
Palmas!

What's wrong with Cameron?


Sem mais comentários, uma deliciosa apreciação do, mais que provável, futuro primeiro-ministro britânico. Strictly para maiores de 18, não aconselhável a pessoas mais sensíveis a linguagem forte. Enjoy it em "A miracle of rare device".

terça-feira, 17 de junho de 2008

Clint Oliveira ou Manoel Eastwood


No fabuloso Hotel du Cap, a meio caminho entre Cannes e Nice, Clint Eastwood numa extensa e bem humorada entrevista à imprensa internacional que poderá ler aqui. Pelos vistos, Eastwood planeia rivalizar com Oliveira e não pensa deixar a realização. Boas noticias para os que, como eu, não perdem a estreia de cada nova obra do mestre. You can take the man out of the river, but you can't take the river out of the man.

Falta pouco mais de uma semana!

Cartoons






Extraordinário!


Escrevi ontem aqui sobre o projecto do CDS que visava legislar a impossibilidade de adopção por pedófilos. A resposta de diversos sectores ao projecto não se fez esperar, o que nunca me passou pela cabeça foi o teor da resposta!

Diz em título taxativo o DN: "Cadastro de pedófilos é inconstitucional"

Passo a transcrever parte da suposta notícia: "Juristas dizem que registos criminais devem ser apagados "Não tenho qualquer dúvida de que é inconstitucional qualquer iniciativa legislativa no sentido de não se apagar do registo criminal uma condenação por pedofilia apesar de ter decorrido o prazo estabelecido na lei que 1998 que regula a identificação criminal", referiu ao DN o constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia.Comentando a iniciativa legislativa do CDS-PP - que quer impedir os pedófilos de adoptar crianças - Bacelar Gouveia reconhece que apesar de se perceber o que motiva a proposta , nem por isso se pode "deixar de acautelar a questão da inconstitucionalidade".
Para Jorge Bacelar Gouveia tem é que se estabelecer "critérios de avaliação psicológica de quem quer adoptar, e dessa forma afastar os candidatos que não revelem um comportamento adequado ao exercício da parentalidade". Dessa forma, frisa, podem defender-se os interesses das crianças.
No mesmo sentido vai o ex-ministro Fernando Negrão que lembra que "no sistema legal português vigora o princípio constitucional da igualdade, pelo que não se poderia encontra uma tipologia de crime que tivesse um tratamento diferente a nível do registo criminal".
Segundo Fernando Negrão existem vários casos em que se verificam deficiências de informação no sistema judicial que podem criar situações complicadas. Ente estas situações, Fernando Negrão lembra que "um Tribunal de Família pode estar a proceder à regulação no poder paternal enquanto num Tribunal Criminal o mesmo progenitor que pede a guarda pode estar a ser julgado por pedofilia".
Apagar o registo mas...Outros juristas ouvidos referem que o assunto é sério e merece um estudo mais aprofundado, devendo ver-se , designadamente, as soluções encontradas noutros ordenamentos jurídicos. Já Rogério Alves , ex-Bastonário da Ordem dos Advogados, inclina-se para outra solução, ou seja que "o registro criminal dos condenados por pedofilia sejam apagados para efeito de exibição pública, mas que o Estado mantenha uma informação por forma a que se consiga acautelar que estes não possam vir a candidatar-se à adopção de uma criança". Rogério Alves considera que dessa forma se conseguiria evitar problemas constitucionais pois não haveria "discriminação para efeitos de exibição de registro".
Recorde-se que o diploma do CDS - ainda não agendado para discussão - prevê que não sejam apagados os registos de decisões judiciais "sobre crimes de maus tratos e crimes contra a liberdade pessoal, quando a vítima seja menor, ou sobre crimes contra a liberdade ou autodeterminação sexual"."

Parece mentira, mas não é!

Para Bacelar Gouveia, um pedófilo que tenha capacidade suficiente para iludir uma avaliação psicológica deverá poder adoptar! O risco das crianças não pode ser equiparado a regras constitucionais!

Fernando Negrão, deputado do PSD e ex-ministro, vai pelo mesmo caminho e sublinha en passant a falta de comunicação que pode permitir situações que considera "complicadas", eu considero gravissimas, criminosas. Não se pode deixar de perguntar, que fez Negrão quanto às tais situações "complicadas"?

Rogério Alves, cedendo compreensivelmente ao papão da constituição, tem, pelo menos, a decência de tentar encontrar uma solução de compromisso aceitável entre os dois mundos, o virtual, da fraca mioleira de certas eminências, e o real, da estrita obrigação da sociedade protejer eficazmente as suas crianças.

Ontem disse que esperava não se fizesse política à volta de um tema tão sério, infelizmente já começou.

Parece que, finalmente, Al Gore decidiu demonstrar o seu apoio a um dos candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos. Adivinhem quem ele apoia? Obama!..Imaginem só...Mas, pensado bem, neste momento, é ele o candidato nomeado pelo partido democrata! Choveram críticas, por o apoio ser tardio. Acusam-no de cobardia politica, por ter sido incapaz de escolher entre um dos candidatos. Sucede que, a sua carreira politica deve muito à família Clinton e, Al Gore não foi capaz de os afrontar enquanto Hillary ainda estava na corrida.

Percebo porque o fez. Neste momento, depois de ter recebido um prémio Nobel pelo seu papel no alerta global sobre as consequências das alterações climáticas, Al Gore está num nível superior e consequentemente não tem necessidade de entrar nestas tricas politicas. No futuro, Al Gore, para continuar a desempenhar o seu papel de "Captain Planet" vai precisar de trabalhar com quem quer que seja o Presidente dos Estados Unidos. No fundo, Al Gore não está a apoiar um candidato democrata à presidência dos EUA, está a apoiar o futuro Presidente dos EUA. Enquanto candidato à presidência dos EUA, esperemos que Obama não tenha a mesma sorte que Al Gore.

Ideia de Jerico

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) veio propor que para o próximo período de 2009 a 2011, os encargos com facturas incobráveis da empresa EDP passem a ser incluídos e partilhados com os consumidores cumpridores.

Brilhante: os prejuízos desta empresa privada passarão a ser suportados irmãmente por todos os consumidores.
E os lucros fabulosos da EDP também serão distribuídos irmãmente por todos nós consumidores pagadores?
Vai fazer faísca.....

Faltam 15 dias

Apesar de poder parecer pelo título, não se trata do meu aniversário.
Devido ao carácter excepcional da medida, aos espectaculares efeitos que vai ter sobre a nossa vida quotidiana e aos benefícios que dela poderemos retirar, não há como começar a alertar com antecipação para que ninguém se esqueça:

O I.V.A. vai baixar de 21% para 20% a partir de 1 de Julho.

Obrigado Governo por te lembrares de nós.

16/06/08


Menina de rua a brincar num charco durante uma chuva da monção em Nova Delhi. A monção abateu-se este ano sobre a India duas semanas antes do previsto, contrariando os registos dos últimos 108 anos e causando inundações que mataram até ao momento 23 pessoas.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Euro 2008 - dia 3 e mais um bocadinho


E continuamos o nosso roteiro europeu.
Passado que foi o chocolate amargo, agora sai-nos na rifa a terra das salsichas e da cerveja.
E que tal a pequenina vingança do nosso Benquerença... Como ainda não sabia quem ia ser o nosso adversário, foi magnânime na sua decisão: expulsem-se os 2 treinadores... e sempre quero ver qual vai ser o castigo da UEFA e, caso seja suspensão, se fazem o mesmo que fizeram ao Mourinho.

Adopção e pedófilia


O CDS apresenta hoje no Parlamento um projecto de lei que visa impedir abusadores de menores de poderem adoptar crianças, pelo simples facto de os seus crimes desaparecerem do registo criminal decorridos cinco ou dez anos após cumprimento da pena.

Os centristas pretendem evitar a possibilidade de cancelamento do registo de decisões sobre o crime de maus-tratos e crimes contra a liberdade pessoal, quando a vítima seja menor, ou sobre crimes contra a liberdade ou autodeterminação sexual.

O CDS vai apresentar um outro projecto de resolução que recomenda ao governo a elaboração de uma Campanha Nacional de Sensibilização e Prevenção dos riscos da Internet para as crianças, no âmbito do Sistema Nacional de Alerta e Protecção de Crianças Desaparecidas e Abusadas Sexualmente, a ser difundida na comunicação social e nas Escolas.

Não consigo compreender o atraso da nossa legislação nesta matéria de importância fundamental; pelo menos, há um partido que tomou a iniciativa de propor que se ponha um travão ao actual estado de coisas. A proposta do CDS, mais que política, é puro bom senso. O Parlamento, no seu todo, deverá perceber a gravidade e sensibilidade da situação e unir-se unânimemente em volta deste projecto. O povo não irá compreender, nem tão pouco perdoar, quem se sentir tentado a fazer política à volta disto.

Que se aprove e rápidamente, é matéria de urgência nacional.

Crónica Humorística

O Prof. Miguel Beleza dedica-se hoje á crónica humorística. Vejam bem:
«16-06-2008 24 Horas
A crise não está instalada
MIGUEL BELEZA
Não existe, claramente, uma crise na economia portuguesa.
O desemprego efectivo não ultrapassa os cinco por cento.
O emprego e o investimentos vão crescer até ao final deste ano.
O turismo teve um dos melhores anos de sempre.
Estamos a exportar serviços financeiros.
Exportamos móveis, têxteis.
Construímos auto-estradas e edifícios em todo o mundo.
O nosso sistema de pagamento por multibanco é um exemplo para muitos países.
Com espectáculos como o Rock in Rio, trazemos muitos estrangeiros ao nosso país.Fabricamos tabaco e exportamos para o mundo inteiro.
Fabricamos automóveis, vinho, cortiça, pão e bebidas de toda a espécie.
A crise não está instalada.
As pessoas têm medo porque só vêem o imediato e não se lembram da grande crise que tivemos no início dos anos 80. Mas também temos de ver tudo de bom que existe em Portugal.
Temos um dos melhores bancos do mundo, o BCP, que intervém nos negócios lá fora.
A agricultura é boa e a TAP está entre as melhores transportadoras aéreas do mundo.
É preciso pedir menos ajudas ao Estado, pois isso não leva a lado algum. É preciso trabalhar e produzir mais.
É altura de baixar os impostos. Cortar os subsídios que não servem para nada.
Só se deve pagar subsídios a quem mostra que tem uma doença ou que está a frequentar um curso de formação.
Quando uma pessoa deixa de ser desempregada e passa a trabalhadora, o mais provável é continuar numa situação precária. Começam por ganhar mal e ainda têm de pagar impostos. Estas pessoas é que deviam ser ajudadas.
À semelhança do que se faz noutros países, a gasolina deve ser cara, mas os automóveis deviam ser baratos.
As portagens só deviam existir à entrada das cidades.
Deviam descer o IRS e integrá-lo com o IRC.
Com uma taxa marginal única, as pessoas recebem mais se trabalharem, se produzirem.É preciso um Governo de coligação entre todos partidos democráticos.
Em dois anos iríamos retomar a vida normal.
Viva Portugal!
Viva o Porto!»
Como alguém muito bem comentou:
Apetece dizer que ainda exportaríamos mais vinho não fosse o excessivo consumo interno de alguns....
Hoje mesmo João César das Neves, bem mais perto da realidade, publica no Diário de Noticias:
«Portugal vive grave crise social. Toda a gente sabe isto. Os jornais repetem diariamente os contornos do drama, sucedem- -se manifestações e protestos, a oposição orienta nesse sentido as críticas crescentes. Ninguém tem dúvidas de que, em vez das prometidas recuperação e prosperidade, caímos em séria perturbação económica. (...)
Uma parte importante da população portuguesa, que tinha algumas posses e muitas ambições, acreditou nos discursos que os governantes andam a produzir há dez anos. Apostou na educação, comprou casa e carro, endividou-se ao banco. Depois veio o desemprego, doença, trabalho precário, prestações crescentes. Em vez de subir, caiu em grandes dificuldades. Normalmente ainda tem património, a casa hipotecada, carro velho, mas não sabe o que porá no prato esta noite. É uma pobreza envergonhada, desiludida, revoltada.
Este é o verdadeiro rosto da nossa crise social.
As políticas contra a pobreza não vão aliviar as dificuldades. Como os responsáveis, que criaram a situação, ainda não a perceberam, conceberão medidas complexas, mas ao lado dos sofrimentos. Alvoroçados, não pelo problema, mas pelo ataque político, proporão programas que calem os críticos, sem resolver o drama.»

Euro 2008 - dia 3


Bolas no poste (mais 2), arbitragem péssima (2 penalties por marcar, 1 golo incorrectamente anulado e mais umas habilidades pelo meio) e, no final, derrota por 2-0 com os co-organizadores para os ajudar a ganhar o milhãozito de euros de que devem necessitar para pagar aos seus jogadores.
Logo à noite saberemos quem defrontaremos na próxima 5ª feira.

domingo, 15 de junho de 2008

A Polícia, a bófia e a moina


Sendo estruturalmente de direita, acredito que a autoridade do Estado deve ser exercida com a firmeza necessária e que a lei deve fazer-se cumprir para assegurar o bom funcionamento da ordem pública e da sociedade. O braço mais directo de que o Estado dispõe para o cumprimento da lei e preservação da ordem pública é a Polícia.
Sou dos primeiros a defender mais Polícia quando é necessária, melhor legislação que permita à Polícia desempenhar a sua função mais eficazmente, meios efectivos de salvaguarda da respeitabilidade da instituição e dignificação geral da mesma. Estamos esclarecidos, não sou um anarca desconfiado das instituições.
E quando as instituições, gratuita e desnecessáriamente, se vulnerabilizam pela mesquinhez, expondo-se ao ridículo, alienando qualquer réstea de respeitabilidade?
Passo a explicar, dando nomes concretos a casos concretos, como deve ser. A rua João de Barros, no Porto, é larga, arejada e dispõe de pouco estacionamento permitido para dar apoio a todos os serviços que disponibiliza (padarias, restaurantes, cafés, tabacarias, bancos, lojas, supermercado, um jornal diário de referência...). Há uma tradição de junto ao separador central da dita rua, os automobilistas estacionarem os seus carros, dado ficar intacta uma faixa de rodagem que permite o normalíssimo escoamento do trânsito da zona; tal separador está vedado ao estacionamento por linha amarela pintada no pavimento, apesar da inocuidade da sua utilização para tal.
Todos sabemos das tradicionais demoras da Polícia sempre que temos qualquer problema e dela precisamos. Todos sabemos do deficiente policiamento de zonas "difíceis" da cidade, algumas vizinhas da rua que refiro. Todos sabemos o interesse manifestado pela instituição sempre que queremos participar algum ilícito de que fomos vítimas.
Pois é, os srs. agentes da esquadra do Pinheiro Manso, empreendem o combate ao crime como? Em vez de patrulharem as zonas problemáticas da sua área de actuação, em vez de assegurarem a segurança dos cidadãos nos locais onde realmente é necessário, deslocam ao mesmo tempo, durante longos periodos de tempo, batalhões de 8, sim oito!, agentes armados, num veículo de intervenção, para onde? Para a perigosíssima rua João de Barros! Para multar carros que impedem o normal fluir do trânsito? Que impedem saídas de garagem? Que possam ser veículos roubados? Nada disso! Apenas porque ali a caça à multa é fácil, os donos dos automóveis não são gente de desacato e a polícia faz boa receita sem grande trabalho e com risco nulo! Pessoalmente, já fui duas vezes multado, por ter parado uns dois minutos, sem ter desligado o motor, abandonado a viatura e com os quatro piscas ligados! Pensam que o agente me advertiu? Qual quê! À distância, em atitude que me abstenho de classificar, tomou nota da matrícula no caderninho para depois lavrar o auto. Nem a dignidade mínima de me dar o famoso bilhetinho!
Foi com o testemunho repetido destas actuações dos agentes da esquadra do Pinheiro Manso, que finalmente percebi a diferença entre Polícia, bófia e moina...

O despeito e a inveja


Santana Lopes revela que o que gostaria mesmo era de ser condecorado:
- "Como para as autarquias já dei, agora vou esperar até ao próximo 10 de Junho para ver se também vou ser condecorado", - afirmou, numa óbvia alusão ao facto de este ano o Presidente da República, Cavaco Silva, ter distinguido o ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, com a Grã-Cruz do Infante." (in Público, 15-06-2008).

Yoani Sánchez em entrevista


Yoani Sánchez, a autora do blogue "Generacion Y" deu uma entrevista muito interessante que pode ler aqui .

Eis uma mulher jovem, corajosa e frontal, que tendo emigrado para a Suíça com o marido e o filho, resolveu voluntariamente voltar para Cuba "por motivos familiares", apesar da discordância com o regime cubano e de todas as restrições e limitações, materiais e não só, que lhe são ali impostas:

«Viví fuera de mi país y regresé porque comprendí que para mi la vida no está en otra parte, sino en otra Cuba. (…).
Este es mi país, al que regrese de manera voluntaria y por empecinamiento personal. He demostrado que me gusta. (….)
Pero ya yo pasé la línea donde me retenía el descontento y la frustración.»

No seu blog, Yoani faz um exercício de cidadania, relatando as suas impressões críticas sobre o dia a dia em Cuba, expondo com coragem e risco, as dificuldades e restrições impostas aos cubanos:

«Primero, el fenómeno bloguer que, de alguna manera, cambia el concepto actual de periodismo. Incluso los grandes medios, potencian los espacios blog. Comprenden que la gente tiene un apetito de oír impresiones personales.
El 2007 es el año en que sale mi blog y de alguna manera hay una "fiebre". El blog Generación Y, llega alcanzar cifras de seis mil comentarios en un post lo que era inaudito para ese momento. Todavía no tengo explicación para ese fenómeno.
Pienso que ese entusiasmo, viene porque el blog se convirtió en un foro de discusión. Eso es lo más interesante, porque mi presencia en la blogosfera, es una o dos veces por semana. Yo doy el grano, el pequeño combustible para discutir; pero lo otro lo hace el público. (…)
Primero, no me considero opositora. No tengo programa, ni color político. Eso es algo típico de la postmodernidad. Esas definiciones de izquierda y derecha, pasaron de moda. Para mi generación eso es "cheo", la gente no se define por un color político. Es mucho más amplio.
Prefiero mantenerme en el terreno ciudadano del que está interpelando constantemente al poder. Esa posición me gusta más, y creo que ciudadano es un concepto, muy necesario en la Cuba de hoy.
En mis textos, nunca están las palabras democracia, derechos humanos, libertad, pero están inspirados por estas cosas. Los cubanos tenemos un agotamiento del discurso retórico. Ese discurso anquilosado durante cincuenta años, nos tiene saturados y hay que hablar de otra manera. Ese discurso pesa mucho sobre los hombros del ciudadano y hay que decir lo mismo pero de otra manera, sin retórica. Yo trato de escapar de la retórica y los lugares comunes, que me aburren muchísimo.»

A não perder.

O Sentido da Vida?


Ás vezes, é bom sair de casa para estar com amigos, de há muito tempo, a falar sobre coisas da vida, das nossas inquietações, dúvidas e esperanças... Hoje a conversa foi um pouco ao sabor do vento...Embora, esta, parecesse não ter rumo, todos sabíamos para onde íamos. A fé, Deus, a sua intervenção e sua inacção, o sentido do sofrimento, a felicidade, o dinheiro, os filhos, a educação, o optimismo, a esperança, a vida e a morte... Tudo isto foi falado. Colocaram-se imensas questões muitas das quais foram respondidas, sem certezas, em função da experiência de cada um. Contudo, uma das questões ainda não saiu da minha cabeça: "Será que estamos preparados para perder tudo?". Em relação a esta, a concordância foi total, pois todos respondemos: "não". Perante o exemplo de Job, que passou por todos os tormentos e sofrimentos sem nunca afrontar a Deus, somos, todos, homens de pouca fé. Às vezes, é preciso perder tudo para encontrar a Vida.

sábado, 14 de junho de 2008

Nip tuck dixit

- Depois disto, tenho a certeza, vou comprar uma arma.
- É o que eu sempre disse; um republicano é um democrata que foi assaltado.

Oooops!


Sócrates está verdadeiramente desapontado com o resultado do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa, os irlandeses não dormirão nos próximos dias em pânico com a ira de Sócrates! A afirmação do nosso ainda Primeiro-Ministro, para além de ridícula, é grave. Que legitimidade tem um governante europeu democráticamente eleito para fazer este tipo de comentários em relação à decisão democrática de outro povo europeu, soberano e independente. Não há limites para a soberba de Sócrates. A panelinha europeia Sócrates-Barroso está em risco, as vaidades e projectos pessoais de cada um deles tremem ante revezes deste tipo, só que, num regime democrático, estes obstáculos fazem parte do jogo, a democracia não vale só quando interessa, vale sempre.

Honestamente, não mudo de posição agora e continuo a entender que o Tratado de Lisboa, embora passível de melhoramentos, é um caminho possível e que valeria a pena seguir. O facto de preferir uma Europa unida à volta do tratado, não me leva a desrespeitar os que pensam diferentemente, são opções e em democracia as maiorias decidem e condicionam. É apenas isto.

A Irlanda terá optado, via referendo, por condicionar o futuro e reabrir negociações, provávelmente, reforçar a sua posição; é uma prerrogativa dos participantes neste tipo de processos. Vamos ver que tipo de precedente se abriu aqui. Não auguro grande futuro a este Tratado, a evolução da UE será sempre muito mais complicada e lenta do que alguns ambicionam. O grande aglomerado de nações tem hábitos de séculos, diferentes idiossincrasias, tensões internas e externas que não se apagam por desejo novo de um futuro unido.

Afinal, não está nada porreiro pá!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Equidade fiscal

Foto fantástica retirada de http://lua.weblog.com.pt/


Em Portugal, em termos de IVA, os discos não são considerados um bem cultural.Pagam a taxa normal, ao contrário do que acontece com os livros, que pagam taxa reduzida.
Mas as portagens das pontes que servem os lisboetas e a respectiva vizinhança eram um "bem cultural", pois também só pagavam a taxa reduzida.
Até que o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias decidiu por fim à brincadeira.
E qual foi a reacção do nosso Governo?
Não mexer no preço e assumir a diferença.
Traduzindo para Português corrente: para que os lisboetas e vizinhos não paguem aquilo que deveriam, pagamos todos nós por eles, mesmo que nunca utilizemos aquelas pontes.
A isto chama-se equidade fiscal.

As minhas músicas - 12

E para terminar este dia NÃO, nada melhor do que o Cry Baby, com especial dedicatória ao nosso Eng. Pinto de Sousa.

Irlanda




Nem de propósito.
Este filme da Guinness é directo para os senhores do poder.
Não sei o título mas poderá ser qualquer coisa do tipo "façam lá o favor de meter a marcha-atrás".

União Europeia


À hora a que escrevo, tudo parece indicar que no referendo irlandês venceu o Não.
E já começaram os discursos políticos sobre a ingratidão que esta malta alimentada a carneiro, cerveja e whisky tem perante o sonho europeu.
Vou ficar sentado à espera que algum político apresente um raciocínio lógico (duvido que haja, daía que fique sentado).
Para mim é muito simples.
Os senhores do poder em 27 países europeus acham que, do alto dos seus tronos, estão mandatados para decidir o nosso futuro como eles o entendem.
E como eles estão tão alto, não percebem o que se passa cá em baixo. Ou então percebem muito bem, daí a opção que 26 dos 27 países fizeram em não consultar as suas populações sobre esta questão.
Quando se fala numa União Europeia, o Zé (sim, esse mesmo, aquele amigo do Senhor Presidente da Comissão que há uns anos atrás andou por cá em campanha eleitoral) e a sua Maria, pensam, se calhar correctamente, que vamos ter todos os mesmo direitos e obrigações, as mesmas regalias e que estaremos todos mais próximos uns dos outros.
No caso do Zé e da Maria portugueses, como na maior parte dos casos só conhecem a realidade do único país com o qual fazemos fronteira, não percebem qual o motivo pelo qual ganham 25% menos do que o Paco e a Conchita para efectuarem o mesmo trabalho (se calhar na mesma empresa). Não percebem porque é que têm de pagar a gasolina mais cara (apesar de ambos serem fiéis devotos do cartão de pontos da GALP). Não percebem porque é que o mesmíssimo VW Golf custa lá 30 ou 40% menos do que cá. E percebem ainda menos qual a razão pela qual as batatas, as couves, a carne ou peixe custam o mesmo ou menos em Espanha do que em Portugal.
Mas o Paco e a Conchita também não percebem porque é que o Pepe (não o nosso), seu primo, médico de profissão a exercer em Portugal, sempre que vê uma brigada da GNR na estrada corre o risco de ver o seu carro de matrícula espanhola (seu país de origem e de residência) ser apreendido pelo simples facto de trabalhar em Portugal.
Estes são alguns dos problemas reais dos 350 milhões de Europeus. E ninguém tem interesse em dar-lhes resposta.
Quando o fizerem e nos explicarem tintim por tintim a razão de todas estas discrepâncias e os timings para as abolirem, será o momento certo para que todos os Europeus decidam sobre o seu futuro. E aí a resposta deverá ser esmagadora a favor do sim.
Porque, ao contrário do que os senhores do poder pensam, os povos não são estúpidos, gostam é de perceber a realidade dos factos e de ver respondidas as suas questões.

Arte


Tem havido nos últimos anos uma aposta das grandes sociedades de advogados (algumas clínicas também) na constituição de um espólio de arte. É bom, estimula a criação, promove as artes e aproveita aos próprios que usufruem das obras, partilham-nas e ainda asseguram um bom investimento.
Mais interessante ainda, é quando um advogado de topo, sócio de uma das maiores sociedades do país, faz o percurso inverso e passa de mero consumidor a produtor de arte; falo do artista plástico Eduardo Verde Pinho.
Conheço o Eduardo Verde Pinho há muitos anos e sempre o vi como uma pessoa com uma capacidade invulgar de agarrar e saborear a vida, talvez seja esta a receita do seu sucesso. Da música à pintura, das viagens à comida e aos vinhos, o Eduardo é um verdadeiro connoisseur. Esta atitude de conhecimento e exigência perante o que consome terá condicionado certamente a sua produção artística. A expor desde 2005, nunca senti, desde o início, o factor "primeira exposição"; cada trabalho exposto revelou sempre uma criação pensada e amadurecida, momentos de inspiração que transcendem o momento fisico da criação. O factor novidade e a diversidade temática de exposição para exposição estimulam o interesse e fazem-nos correr a cada uma com grande expectativa. Hoje tive o prazer de assistir ao desvendar de mais uma exposição do artista, mais uma vez diferente, mais uma vez brilhante. A única linha condutora evidente, para além da qualidade constante da obra, que me atrevo a arriscar é a sua absoluta contemporaneidade, a interpelação do presente, tão forte como só Basquiat me fez sentir.

- Eduardo, desculpa a eventual selvajaria das minhas apreciações!

Corram lá a ver! Está na Galeria Minimal, na Rua Miguel Bombarda, 221, aqui no Porto. Abre ao público no próximo Sábado 14 e estará até 15 de Julho das 14 às 19h (Sábados das 15 às 19.30).

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Viver a infância


Hoje é o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. Estima-se que cerca de 165 milhões de crianças, com idades compreendidas entre 5 e 14 anos são obrigadas a trabalhar, não podendo disfrutar da sua infância e não recebendo uma educação que quebre o circulo vicioso da pobreza... Muitas desta crianças trabalham longas horas, a maioria das vezes em condições desumanas e perigosas. O trabalho infantil está intimamente associado à extrema pobreza. Muitas das familias não podem pagar a escola e o que a criança ganha a trabalhar é essencial para o rendimento familiar. Quando a família tem de optar entre enviar um rapaz ou uma rapariga para a escola, frequentemente é a rapariga que perde.

As minhas músicas - 10 e 11





Hoje, depois de ler algumas notícias que por aí andam, decidi "procurar" músicas que retratam o que se lê.
Um grande dueto do Chico Buarque com Milton Nascimento e também Diana Krall com o seu mais que tudo e o countryman Willie Nelson.
O que será? Crazy?
Para bom entendedor, meia palavra basta.

As minhas músicas - 9



Para dar um bocado de animação ao post anterior do RA, aqui fica o video do Chico Buarque.
E, já agora, deliciem-se com as imagens de verdadeiro prazer que esta malta tem ao fazer aquilo que gosta.

Notícias


Com o auto-contentamento de Sócrates, Lino & Pinho, os aplausos dos comentadores da praxe, fico perplexo com a apatía anestésica em que o país contempla o caos em curso. A qualidade de vida em frangalhos, a incapacidade de reacção do governo, o desmoronamento da autoridade do Estado, são sublimados pelos milagres de Scolari. Empurramos alegremente a camioneta que a Galp não pode abastecer de combustível carissimo, em falta por causa do bloqueio camionista. É a vida. À pergunta de notícias de um bom amigo a viver em terras bem mais simpáticas, só me apeteceu cantarolar (desafinar) o Chico Buarque dos idos de 70, tão actual por cá... sintomas?


Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

E agora, para algo completamente diferente...


Mota Amaral irá liderar o PSD no debate quinzenal com Sócrates. A história repete-se. A dupla Meneses-Santana tem agora reedição com a dupla Ferreira Leite-Mota Amaral. As premissas mantêm-se, quem queria Meneses à frente do PSD para ser combativo, destemido, acutilante, liberal, quase populista, ficou com um sucedânio na direcção e teve o verdadeiro produto, Santana Lopes, na liderança parlamentar. Hoje, quem defende o rigor, a legitimidade que só a obra feita garante, seriedade, sentido político e inteligência, vai ter neste debate o verdadeiro produto: Mota Amaral.

Acredito que, com Paulo Portas na bancada democrata-cristã e Mota Amaral na bancada social-democrata, a vida de Sócrates não seja simples. Não poderá acusar Mota Amaral de responsabilidades governativas recentes, terá pouca margem para achincalhar o discurso como tem feito, dada a estatura de Mota Amaral e o limbo pré-congresso, não poderá ainda lançar a artilharia pesada sobre Ferreira Leite. Para além disto, os camiões já arrancaram, mas o momento não pode ser mais desfavorável ao governo.

Resta saber se Mota Amaral, sucessivamente encostado por Cavaco, pelo baronato e pelo aparelho partidário, não estará só a cumprir os mínimos e se empenhará no debate mostrando ao partido e ao país que, afinal, havia outro.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Reivindicações


Tenho ouvido dizer que uma das reivindicações dos camionistas (empresas ou individuais) é a necessidade de terem o gasóleo subsidiado de modo a poderem manter a actividade.
Não está mal pensado, não senhor.
Mas então será que esta eventual benesse será só para eles?
Há empresas que não subcontratam transportes, utilizando uma frota própria. Não terão direito às mesmas benesses?
E todos os vendedores que andam no exercício da sua actividade, não terão também eles, ou as empresas para quem trabalham, o mesmo direito?
E será que já terá passado pela cabeça dos nossos amigos camionistas a que é que se reduziria a actividade deles se as empresas não promovessem vendas?
Parece-me bem que não.
Há medidas que podem ser tomadas pelo Governo (ainda existe?) que podem beneficiar toda a actividade económica, mesmo que aparentemente prejudiquem as contas públicas. Se as empresas facturarem mais, geram mais emprego, ou pelo menos não criam desemprego, logo, há mais receitas por via do IVA e menos encargos para o Estado através das prestações sociais.
Mas no Terreiro do Paço parece que nem se lembram disto.

Euro 2008 - dia 2

Depois de um jogo fácil, as coisas hoje complicaram um bocado mais.
O Felipão ao intervalo deve ter ligado o descomplicador e 3-1 ao Checos, uma pequena vingança relativamente ao que nos fizeram em 1996.
Agora a nossa defesa...
Não percebi o que se passou, era cada fífia.
Mas pronto, depois de um kebab turco e de uma pilsner checa, só falta mesmo um chocolatinho suiço para terminar deliciosamente a primeira fase.

Actualização
Com a vitória da Turquia sobre a Suiça, o primeiro lugar do grupo está garantido.
Podem jogar os suplentes, pode o chocolate ser do mais amargo que houver, que está garantida a continuação da equipa no mesmo local de estágio, com todas as vantagens que daí advêm.

O Dia da Raça!


Recebi há pouco por e-mail um podcast enviado por um amigo meu. O meu amigo, patriota fervoroso, cioso das instituições nacionais, declarava-se entre o perplexo e o escandalizado com as declarações do Presidente da República sobre o 10 de Junho. Confesso que, apesar de me sentir portuguezíssimo e de me emocionar com o hino, tenho do 10 de Junho uma visão distante, mais próxima da Valsinha das Medalhas do Carlos Tê. Nevertheless, lá abri o podcast e ouvi o Presidente. Numa fuga desjeitada a uma pergunta incómoda, o Prof. Cavaco proferia agitado que no 10 de Junho só falaria sobre a "Raça", "o dia da Raça" (o tal da valsinha das medalhas?). Fui confirmar e, de facto, o dia continua a ser o de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Depois fiquei intrigado, não admitindo a possibilidade de o Presidente se referir aos Portugueses como raça, somos felizmente uma grande nação mistura e sintese de muitas raças, comecei a pensar noutras possibilidades.
A Feira Nacional de Agricultura decorre em Santarém e, aí sim, o anémico Portugal rural divide-se em raças, a arouquesa, a alentejana, o porco bísaro... Seria, pensando na desgraça do nosso solo arável, uma mensagem do Prof. Cavaco para a tal espécie de ministro Jaime Silva?
Seria uma tomada de posição em defesa da raça Rafeiro Alentejano, tipicamente portuguesa, em detrimento de raças agressivas como o Rottweiller ou o Pittbull?
Seria uma afirmação a favor do lince da Malcata?
Tudo coisas pertinentes e dignas da atenção presidencial, mas valeria a pena baralhar tudo e misturar com o 10 de Junho? Se fosse no 5 de Outubro, até eu aplaudiria, em data tão mesquinha toda a confusão aproveita.

No country for anyone...


Quatro dias fora, sol, mar, e, sobretudo, ausência de jornais e televisão, foram aquilo que, para os lados do Aleixo, se chama uma trip. Como em todas as trips, a seguir vem a ressaca. Ia ficando preso em Marbella, não parece mau, mas é. Pensamos várias vezes em prolongar a estada, ponderamos prós e contras e queriamos mesmo ficar mais um ou dois dias. Tomada a decisão do regresso no dia certo, não podiamos ficar mais furiosos quando nos fizemos à estrada e constatamos que não teriamos combustível para chegar a Sevilha! É curioso como a sensação de limitação, de falta de liberdade, nos muda a atitude e a perspectiva, o que antes era o desejo de ficar, depois transformou-se na vontade de saír a qualquer custo. Valeu um posto perdido na serra andaluza, ainda por secar.
De seguida, a Cadena Dial aconselhava a passar Sevilha depois das 19 horas, hora a que acabaria o bloqueio da SE-30 pelos camionistas descontentes!
Lembrei-me daquele título, "Mortinho por chegar a casa"!
Vindo de tamanho caos, Portugal parecia o céu, respirei fundo quando entramos na via do Infante. Fui trocando os cd's no leitor, alternando Doors com Sérgio Godinho, Lou Reed à mistura e chegamos a casa, sãos e salvos.
Hoje de manhã acordo com a TSF e constato que o caos aqui é exactamente igual ao de lá, a diferença é que ontem não ouvi as noticias e mantive-me no Portugal que deixei na sexta-feira passada. Atestei na quinta bomba, depois de 40 minutos de fila. O país está em colapso, lambra o pior dos idos de 70, tempos que pensei não voltariam tão cedo...
Zapando entre TSF-RCP e Antena 1, fico a saber da extensão do caos, do que iremos todos penar nos próximos dias, fico sem saber uma coisita, um detalhe, mas que a mim me interessa: o que vai de concreto fazer o Governo??? Hello? Is anybody out there? Parece que não! Onde pára o eng. Sócrates? Onde pára o Prof. Cavaco, na ausência do governo?
Só o Eça me conforta...