quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2008 ano de Enguia

2008 foi o ano do nascimento deste Enguia Fresca. Espero que o primeiro de muitos, neste formato e nos formatos que o futuro nos vier a proporcionar. Tem sido uma aventura muito interessante, um espaço partilhado com amigos e visto por quase 20.000 vezes, por muita gente que nos faz ter vontade continuar a postar.
Os que nos lêem sabem que o espaço é de inteira liberdade, diferentes pontos de vista e muita espontaneidade.
Por aqui tem passado a nossa visão dos problemas e acontecimentos de Aveiro, de Portugal e do Mundo. Sempre com paixão, tomando partido, assumindo as nossas diferentes opiniões.
Mas, este foi tambem o espaço das nossas músicas, das nossas viagens, poesias, livros, experiências e transgressões eno-gastronómicas.
Por isso, porque vale a pena, 2009 terá Enguia Fresca e cada vez mais saborosa: de caldeirada quando se proporciona, de escabeche quando apetece, frita quando as circunstâncias pedem, em deliciosa sopa porque sim!
Bom 2009 a todos!

Triste final para 2008


Não é novidade, é uma constante triste da história de Israel e da Palestina. Mas, de cada vez, a cada promessa, tenho tido uma vontade imensa de acreditar, tão imensa como a minha incapacidade para compreender ou encontrar um lado inocente neste conflito.
São dois povos martires e resistentes, sovados pela história, maltratados pelo tempo, ainda assim, afirmam-se sem medos, reclamam o direito ao futuro, inscrevem-se na história.
Desde a fundação recente, que Israel prometeu existir e resistir a ferro e fogo. Líderes carismáticos como Golda Meir, assumiram esta postura estratégica muito clara de "dois olhos por um olho, dois dentes por um dente"; a crença que o seguro da sua sobrevivência estaria ligado a respostas massivas e brutais a qualquer ofensa sofrida.
Do outro lado, o povo pelestiniano. Empurrado, expulso, humilhado. Sem amigos, nem aliados fiáveis, resiste por todos os meios, em particular, com a fortíssima e simbólica intifada.
O conflito é quase insanável. Ambos os povos merecem uma pátria a que possam chamar sua, a história deu-lhes esse direito. O futuro, espero, trará respostas de compromisso que acolherão as soluções possíveis.
O drama, entretanto, é que neste ponto da Terra as leis inverteram-se. Se em todo o mundo a guerra chega quando se esgota e falha a diplomacia, neste caso é ao contrário: tem sido a guerra a alavancar a diplomacia. Um diplomacia complicadíssima, de avanços parcos e recuos notórios, que vai semeando morte e destruição.
É fácil de ver que Israel está, mais uma vez, a enviar um sinal claro a toda a região. A Mossad, a melhor e mais eficaz força do género em todo o mundo, teria facilmente resolvido o problema concreto. Mas, o problema, para Israel, é bem mais amplo e esta foi uma oportunidade de afirmar a sua determinação e impiedade.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Não durou nem seis meses....

Miguel Cadilhe deixou a presidência executiva da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), permanecendo no conselho de administração da antiga proprietária do BPN, mas agora com funções não executivas.

Mais uma inflexão de percurso que não lhe fica bem.

A reforma dourada e tranquila não era suficiente para Miguel Cadilhe. As ambições de poder e notoriedade eram mais fortes, e por isso atirou-se para a presidência do BPN. Nem 6 meses depois, já esmoreceram todos os ímpetos reformistas do gestor. A presidência de um Banco, mesmo pequeno e quase falido, sempre seria posição mais visível e destacada do que a de administrador de uma SLN.... Mas, vá lá, nesta aventura do BPN Cadilhe não se esqueceu de acautelar previamente os proventos pecuniários pessoais.
Miguel Cadilhe fica muito mal nesta fotografia.

Hortas nas Prisões: uma boa ideia !

O Banco Alimentar contra a Fome e os serviços prisionais lançam hoje um projecto inovador: os reclusos de cinco prisões portuguesas vão cultivar alimentos para fornecer populações com dificuldade económicas, já em 2009.
Estas "Hortas Solidárias", assim se chama o projecto, vão ser plantadas nos terrenos livres dos estabelecimentos prisionais e os produtos hortícolas cultivados pelos reclusos serão depois entregues aos bancos alimentares mais próximos.
Esta acção tem dois objectivos: ajudar as populações mais carenciadas; e criar trabalho para os presos, reforçando também os seus laços de pertença e solidariedade com a sociedade em geral e com as pessoas mais necessitadas em particular.

Uma boa ideia!
Palmas para o Banco Alimentar contra a Fome !!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Tan cerca y tan lejanos


Temos a já tradição familiar de passar os últimos dias do ano em Salamanca. Como costumamos dizer, vimos a termas. Fazemos uma verdadeira cura: livros, tempo para ler, jamon iberico, tapas gourmet do Momo, cava, cruzeta y pluma de iberico no Patio Chico, um Rioja que se chama Orgasmus no Erasmus, chocolate con churros no Novelty, iguarias chanceladas pelo Adriá no Pecado, com sorte, ainda tempo para uma perdiz no Rio de la Plata. A mistura com a monumentalidade impressionante, o frio seco, como eu gosto, e a tradicional movida, tornam a receita perfeita.
Mas, há também o resto. Espanha vive o primeiro ano de crise e anúncio da recessão; o "paro" está a níveis assustadores, os preços mais altos que nunca, vai-se mais "de vitrines" que "de tiendas". A tormenta chegou aqui.
Contudo, a forma como os espanhois enfrentam as dificuldades é única. A Plaza Mayor e as ruas circundantes enchem-se como sempre. Os abrigos de piel vêm de melhores anos e resistem às más noticias; os puros podem já não ser Montecristo, mas continuam acesos; as raciones passam a tapas, mas não se deixa de passar no café para encontrar os amigos e dar duas de conversa. Lembro-me das histórias da minha avó, observadora privilegiada dos castelhanos em plena guerra civil, que me contava da afición, da vaidade, da alegria com que esta gente, mesmo com fome, saía á rua, convivia, e seguia em frente.
Não é definitavamente o nosso estilo, não sei se me identifico, mas não deixa de me fascinar.

Se não os podes vencer..

A GM acaba de lhe ver concedida uma licença para se constituir em banco. Este expediente permitirá á empresa aceder aos fundos de crise postos à disposição do sector bancário.
Truques... Entre nós, se resolvessem copiar esta ideia, a Autoeuropa, a Qimonda ou a Aerosoles poderiam vir solicitar uma licença bancária para aceder às garantias do Estado á banca ...

E por falar em apoios do Estado:
Ao mesmo tempo que reconhece a necessidade de apoios á industria automóvel, o Governo aumenta os impostos sobre os automóveis e provoca um aumento do preço dos carros já em 2009!
Fantástico! Os automóveis vão ficar mais caros já a partir do próximo ano por causa do aumento da tributação automóvel: o imposto pago na compra do carro - o Imposto Sobre Veículos (ISV) - será agravado e os incentivos para os carros menos poluentes deixaram de existir.
Belo apoio á industria automóvel este, que favorece a retracção da compra de veículos automóveis.
Em vez de favorecer e incentivar o consumo através da fiscalidade, o Governo prefere injectar o dinheiro dos contribuintes nas Renaults da sua escolha...

domingo, 28 de dezembro de 2008

eSCUTa, pode não ser verdade o que eu digo

Passada que está a barrigada alimentar do Natal e enquanto recupero forças para a barrigada de Ano Novo, lembrei-me de fazer uma pesquisa rápida na net sobre o tema das portagens nas SCUT, nomeadamente daquela que mais nos afecta, a da Costa de Prata.
A primeira questão tem a ver com o critério do tempo gasto em itinerários alternativos ao da SCUT, o qual, segundo o Governo, não pode (deve) ser superior a 30% ao tempo gasto a percorrer a SCUT. Quais são os itinerários alternativos aos trajectos Aveiro-Porto ou Aveiro-Figueira da Foz que respeitam este critério? Se alguém conhecer algum, informe, pois eu não faço ideia de quais sejam.
A segunda questão tem a ver com a sucessão de declarações contraditórias do Ministro Mário Lino. Como é possível alguém dizer tantas contradições e continuar tranquilamente no seu cargo sem que nem lhe indique o caminho mais curto para a saída? É que, segundo as notícias, estas SCUT iriam render ao Estado 100 milhões de Euros anuais. Ou seja, passados dois anos sem a sua introdução, o Ministro Mário Lino é responsável directo por um prejuízo de 200 milhões de Euros. Se este senhor trabalhasse numa entidade privada, acham que poderia acontecer o mesmo? Jamais (deve pronunciar-se jamé).
Só para relembrar os mais esquecidos, aqui ficam algumas declarações a propósito deste assunto.
Outubro de 2006 - Scuts vão ter portagens em 2007
Passou um ano e, em Outubro de 2007, mantinha-se a mesma ideia.
Em Junho deste ano, já falava em iniciar a cobrança o mais rapidamente possível, sem esperar pelas eleições do próximo ano.
E eis que em Dezembro de 2008, mais de 2 anos após o anúncio inicial, chegou-se à brilhante conclusão que o processo estava atrasado devido à sua complexidade, ficando adiado mas agora sem data precisa.
Esta é a forma de governar do PS. Mesmo tratando-se de um caso em que todos os utentes são directamente beneficiados com o adiamento das portagens, vê-se que esta gente não serve para governar Portugal.
2009 está aí e é um ano em que podemos mostrar que não queremos mais malta desta a dirigir o País. A situação que atravessamos é demasiado grave para ficarmos nas mãos de pessoas assim.
Votos de uma boa passagem de ano a todos, usando ou não os hábitos e as superstições da época, e que 2009 não seja tão mau como se anuncia.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Menino Jesus


Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.


Tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras,
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem


E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.


Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!


Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três,
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz


E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz no braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras nos burros,
Rouba as frutas dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.


A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas,
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.


Diz-me muito mal de Deus,
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia,
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.


Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que as criou, do que duvido" -
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
mas os seres não cantam nada,
se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres".
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.


Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.


A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.


A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos a dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.


Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.


Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade


Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.


Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos,
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.


Esta é a história do meu Menino Jesus,
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?


08-03-1914

Espirito da época VI

Espirito da época V

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Cantando loas ao banco de João Rendeiro

O que têm em comum o ex-candidato presidencial Manuel Alegre, o social-democrata José Pacheco Pereira, o general Vasco Rocha Vieira (ex-governador de Macau), a jornalista Maria João Avillez, o escultor João Cutileiro, o advogado Proença de Carvalho, o músico Pedro Abrunhosa, Clara Ferreira Alves, Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Agustina Bessa-Luís, Pedrito de Portugal, Ana Salazar e o director das Produções Fictícias (e moderador do programa "O Eixo do Mal", da SIC Notícias)?

Todos fizeram publicidade ao Banco Privado Português escrevendo um texto sobre a sua relação com o dinheiro, que depois foi publicado em duas páginas de publicidade na revista do Expresso, a "Única".

Até Manuel Alegre - que ainda este fim-de-semana fez críticas violentas à intervenção do Estado no Banco Privado – escreveu para o BPP um texto sobre a sua relação com o dinheiro em que evocava a caça e o desejo impossível de comprar "um par de Purdeys", espingardas caríssimas praticamente inacessíveis......

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Hope there's someone

Já por cá passou, com um concerto na Casa da Música esgotado em tempo record. É uma descoberta de Lou Reed, sempre atento ao fervilhante underground nova-iorquino. A magistral interpretação de Perfect Day de Reed, no album de poesia The Raven, arrancou Antony do circuito gay underground para revelar ao mundo uma das melhores e mais perturbantes vozes da actualidade. Aqui num registo já na rota da fama, a consagração no gold digger Jools Holland. Deliciem-se com este Hope there's someone!

Change


José Ribeiro e Castro disse sobre o actual CDS: "partido que é gerido como uma facção, com um conjunto de regras manhosas, uma obsessão com os poderes internos e uma manipulação arbitrária da jurisdicção interna". Mais: sobre a orientação estratégica definida por Portas para o partido, defende que é "confusa e aponta para um rumo desastrado". E acrescenta que "é uma linha que serve os objectivos do PS".
O que o desculpa é que, como referiu á jornalista, tem andado afastado da vida partidária. Eu, que tenho andado por cá, digo-lhe: olhe que não! Portas não é Obama mas, ainda assim, as coisas mudaram. Estão bem diferentes do seu tempo!

Brideshead Revisited

Parece que visitas indesejáveis resolveram revisitar Brideshead sem convite. Como todas as investidas do género, resulta num momento constrangedor, daqueles que não se desejam ao pior inimigo.
Ainda não houve uma alma capaz de interpor uma providência cautelar para fechar os cinemas que poluem o ambiente com este remake sórdido. Tivemos puritanos a protestar contra Je vous salue Marie, cegos que não podem ver Meirelles, judeus a quererem cruxificar Mel Gibson. Não há quem ponha termo á imoralidade que é achincalhar a memória de uma grande história e da melhor série de televisão de sempre.
Anyway, até o protesto é um bom pretexto para voltarmos a deliciar-nos com a série ou com o livro. Se se despacharem, no amazon.co.uk, ainda chega antes de Natal, os dvd's e o livro. Que melhor presente nos podemos dar? A ver se Evelyn Waugh pára de dar voltas no túmulo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Medici Emsemble


Cheguei agora de mais um concerto dos Medici Ensemble. Desta vez, foi o concerto de Natal, vivo, luminoso, harmonioso e criativo, a condizer com o espirito da quadra. Os elementos dos Medici, Picky Resende, Luisa Vilarinho, Pedro Cardoso e Rui Soares da Costa, para além de telentosos artistas, são médicos.
Acompanho este ensemble há já vários anos; fui a primeira vez por amizade ao Pedro Cardoso, fiquei incondicional pela excelência das suas prestações, pelo refinado bom gosto do repertório, pelo amor á música, o deles e o meu.
De Weil a Mozart, dos clássicos ingleses de natal ao cancioneiro americano, as escolhas resultam sempre numa harmonia irreverente, em abordagens bem dispostas e surpreendentes.
Os Medici, cada vez mais, têm dado a conhecer-se ao país. Recomendo atenção às agendas culturais, são um caso sério na cultura nacional. A não perder.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Falar claro


Fui surpreendido ontem pelo anúncio da demissão de alguns militantes do CDS. Não percebendo o porquê, dei o beneficio da dúvida e resolvi esperar até hoje para comentar.
Ainda não foi desta que compreendi os motivos de quem sai do partido desta forma. O partido fica mais pobre por cada militante que sai mas, ao longo do tempo, têm perdido muitíssimo mais os militantes que se foram auto-excluindo.
Os que mudaram de partido, para além de não terem levado consigo o capital e votos que julgavam seus, diluiram-se sem brilho nem protagonismo na organizações que os absorveram.
Os que ousaram até novos partidos, hoje vagueiam no deserto, pregando para ninguém, têm uma relevância nula e uma vida errante.
Os que pensaram tornar-se individualidades com opinião, bem, nem sabemos quem são.
O que vimos hoje foi uma cena, no mínimo, deprimente. Uma sala de hotel vazia, dois sujeitos de semblante taciturno, uma assistente que não se percebe em que qualidade lá estava, uma mensagem que ninguém apreendeu, muito menos valorizou. Os argumentos foram colados com cuspo, uma manta de retalhos, das coligações a fazer, aos valores da família, ouvimos de tudo. E de nada.
Lembrei-me do João Luis Mota Campos a chegar de Dili em missão parlamentar, num tempo dificilimo para Timor, e dar conta ao país da gravidade da situação; tão grave que o João Luis disse ao país que tinha sido impossível encontrar em Dili um gin tónico decente. Ninguem se demitiu na altura, nem demitiu o João Luis. Ainda viria a ser secretário de estado da ministra Celeste Cardona; e, de novo, ninguem se demitiu. Ainda viria a ser um dos prediletos de Ribeiro e Castro; e, de novo ninguem se demitiu.
Lembrei-me do José Paulo Carvalho, que estimo, e que, distraidamente, assumia como um eleito directo do distrito do Porto. Depois lembrei-me melhor, e, afinal, o Zé Paulo está lá em substituição do Álvaro Castelo Branco, e agora admite a possibilidade de guardar para si o lugar para onde não foi directamente eleito. Mau demais? Também me parece.

Por fim, os anunciados cem militantes, estou em crer que foi erro de escrita, é que os dois apareceram mesmo sem militantes!

O Fiel Amigo


Não, não me refiro a nenhum tema quente da actualidade. Refiro-me tão só a mais um destaque dado a Portugal no NY Times; adivinham qual foi a terra escolhida? Pois é, desta vez terra também de enguias! O mote foi o bacalhau, apresentado como quase-símbolo nacional, e a terra de que se fala é Ílhavo!
Numa extensa reportagem, feita em Ílhavo, o NY Times trata o assunto com seriedade e interesse. Ficamos na expectativa da resposta do conservador Washington Post com uma edição especial dedicada à Enguia Fresca, ou preparada numa qualquer deliciosa variante...

Pode ler a reportagem aqui.

Outro joguinho

E se se insituísse uma regra em que todos os que perdem eleições internas em partidos, clubes, ipss e organizações similares se demitissem de seguida?
Era certamente uma maneira interessante de reorganizar a sociedade civil só superável se se acrescentasse uma alínea em que ficasse estipulado que além dos perdedores também todos os que não se apresentassem a eleições e não concordassem com o resultado das mesmas se deveriam também demitir.
Assim sim, o rejuvenescimento das instituições estava garantido.

Pequeno Joguinho...

Um rebuçado para quem acertar nos nomes.













Havia mais, mas não tenho grande pachorra para o joguinho.
Vá lá, não se acanhem.

a) Para o Sr. de óculos;
b) Para o Sr. da camisa branca;
c) Para o Sr. descontraído.

Certamente que todos os que tiverem paciência acertarão. Figuras públicas de tão grande referência... não deixam margem para qualquer dúvida.
Ah, esqueci-me de um, o d).



Não acham que qualquer comparação é mera coincidência? Ou até distracção, da minha parte, claro!

ATITUDE e a falta dela.

Ao ler esta notícia , dada à estampa n'O Público de hoje, 16 de Dezembro, e no seguimento de uma série de acontecimentos que me abstenho de comentar (porque afinal nem sequer me apetece comentar parvoíces ou imbecilidades, desculpem a rudeza), acho que assenta aqui que nem uma luva aquela velha máxima que reza assim:

“Há pessoas que, ainda que pretendam ocultá-lo, perseguem um fim distinto das outras. A sua atitude perante a vida denuncia-os”

Léon Tolstoi, Escritor, Russia[1828-1910]


Pronto, já sei que vou ser proscrito por uns tempos. Mas, não consigo calar-me, o que é que querem que faça?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Especialista ou talvez não

Quando um especialista antisequestro é raptado, teremos de concluir que faltou certamente às últimas acções de formação.

Catavento

Imagem retirada daqui

O homem parece mesmo um catavento.
Hoje disse isto que o RA já comentou.
Mas será que já se esqueceram que le também tinha dito isto há apenas 12 dias atrás?
Afinal em que é que ficamos?
Isto deve ser do vento que tem estado nos últimos dias.

Haverá vida para além das banalidades?


Sócrates, através da sua maquina de comunicação, fez hoje manchetes admitindo que 2009 será de "tempos difíceis" e pedindo "o melhor de todos". Sócrates sabe o que é preciso fazer: "uma orientação bem clara: estabilização do sistema financeiro, criação de condições de acesso ao crédito e mais investimento público para dinamizar a economia e o emprego". Sócrates sabe, e disse-o, que estado, empresas e empreededores tem de agir como amigos leais.
Tudo correcto, subscrevo. O que Sócrates sabe, e disse, também eu sei e qualquer mortal minimamente interessado sabe. São coisas sérias e, ao mesmo tempo, banalidades; passaram para a mesa de café, para a sala de espera, para a fila do auto-carro...
O que nos interessava realmente saber, é como vai Sócrates conseguir isto. De que forma vai conseguir estabilizar o sistema financeiro? Como vai agilizar o acesso ao crédito? Quais os investimentos públicos que vai lançar? É que TGV é gasto público, não é investimento... Mais auto-estradas são inuteis... Mas, ainda há muito onde investir. Por fim, que garantias há de criação de emprego sustentável por esta via?
Quanto à leal amizade entre estado, empresas e empreededores, é uma bela utopia... Pressupõe da parte do estado lealdade na justeza da carga fiscal, da legislação a diversos níveis e, muitas vezes, do pagamento atempado da dívidas do próprio estado. Da outra parte, seria de esperar o fim da fuga ao fisco, a boa gestão, a seriedade, a assunção da função social da empresa.
Como se vê, a solução dos problemas é muito mais do que o enunciado das linhas gerais que, entretanto, já são banalidades das nossas conversas diárias.
Haverá em Sócrates vida para além das banalidades? Tenho as mais fundadas dúvidas mas, para bem de todos, gostava de acreditar que sim...

Lisboa, de novo


O NY Times deste Domingo regressou a Lisboa com pompa e circunstância. Não é a primeira vez. Já havia feito uma abordagem mais vanguardista, com uma Lisboa hip que até a nós nos vai escapando. Desta vez, foi um classico entre lugares que muitos de nós gostamos e frequentamos. Dos pasteis de Belem ao Xafariz do vinho, da justa homenagem ao tão esquecido Pavilhão Chinês ao Pestana Palace que, infelizmente não frequento. A tónica continua a ser uma imagem de Lisboa cosmopolita, interessante e a par das melhores capitais do mundo. Pode ler e envaidecer-se aqui.
Confesso que, com a desilusão que permanentemente nos assola, regresso ao tal orgulhozinho saloio quando vejo estas coisas sobre a nossa capital publicadas no melhor jornal da capital do mundo.

P.s. Na fotografia, a Luvaria Ulisses é apresentada ao nível do Henry Poole de Saville Row...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Arguto, frio e implacável

Arguto, racional, frio e implacável. Assim é Paulo Portas com os opositores internos.
Este fim de semama PP demonstrou-o, uma vez mais, na forma como cilindrou Luís Nobre Guedes, e respectivas aspirações. A tristeza e (não) reacção de Nobre Guedes perante as televisões evidencia-o.

Cartoons da semana ...


sábado, 13 de dezembro de 2008

Directas

Gosto pouco de avaliar causas em que tenho interesse, prefiro que sejam outros a fazê-lo. Contudo, devido ao cargo que exerço, e ao respeito e tributo que merecem todos os militantes do CDS do distrito de Aveiro, não deixo de manifestar a minha alegria pela vitalidade que o partido demonstrou hoje nas eleições directas.
Com um dia frio e chuvoso, as compras de natal nas agendas de cada um e uma única candidatura, houve quem adivinhasse uma fraca participação; foi o contrário. Paulo Portas reforçou a sua votação no distrito, com uma afluência sólida de militantes às urnas. No momento de crise actual, o CDS revela-se motivado, determinado a ser parte da solução e a cumprir a sua parte na ajuda à resolução dos grandes problemas que ensombram os dias dos portugueses.

Que desilusão


O Vaticano, através da Congregação para a Doutrina da Fé divulgou em conferência de imprensa um documento intitulado "Dignitas Personae" que condena as técnicas de reprodução medicamente assistida:
O Vaticano considera moralmente ilicitos os procedimentos de fertlização invitro, a investigação com células estaminais embrionárias, a criopreservação de embriões ou ovócitos para fertilização artificial, interferência no número de embriões implantados para prevenir gravidezes múltiplas, e o recurso à injecção intracitoplásmica de espermatozóides para ultrapassar problemas de fertilidade masculina, entre outros métodos.
É moralmente ilícito, dizem, recorrer a uma técnica que "se realiza fora do corpo dos conjuges mediante gestos de terceiros" como acontece na injecção intracitoplásmica de espermatozóides usada nos problemas de fertilidade masculina. Já a crioconservação é considerada "incompatível com o respeito devido aos embriões humanos".

Assim, tal qual, sem mais, é a condenação total, pura e simples. Sem excepções, sem matizes.
Sem misericórdia.

Que enorme desilusão.
Como católica e crente em Deus só posso lamentar profundamente esta posição. A infertilidade do casal é uma doença, que pode ser tratada e resolvida com apoio médico. Considero aquela posição do Vaticano gravemente insensível e ofensiva do sofrimento dos casais inférteis que querem ter filhos biológicos, e que podem ter filhos com recurso á procriação medicamente assistida, nomeadamente á fertilização in vitro.
A meu ver, a fertilização in vitro, a injecção intracitoplásmica de espermatozóides, e o tratamento médico da infertilidade do casal são claramente também uma resposta ao apelo divino "crescei e multiplicai-vos".

Boas Festas



Nada como utilizar um dos melhores spots publicitários de Natal para desejar a todos Boas Festas.

Política pura

Não consigo concluir se a qualidade na política é reflexo da sociedade que temos, ou vice-versa. De qualquer forma, há momentos que, cada vez mais, nos parecem irremediavelmente perdidos. No retorno que a VF provocou à memória de Buckley, tenho encontrado verdadeiras pérolas, em particular, no you tube. Este debate no "Firing line" com o ícon vermelho Noam Chomsky é pura massa cinzenta.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Hoje, é o primeiro dia do resto da tua vida


"o fuso que fia teu tempo
é o mesmo que enrola teus cachos
embora faça um movimento
diferente dos teus passos

tua vida só cabe em teu pulso
nunca num relógio de areia
no qual o tempo é grão miúdo
que entre teus dedos passeia

teu riso não cabe no palco
nem no roteiro do cinema
mas se espalha em teu pé descalço
como uma rima no poema

e essa menina tão bicho solto
é um ser que comporta o oceano
e assim com o coração revolto
comemora o seu novo plano"

Parabéns T.

Façam alguma COISA!


Li esta notícia e fiquei apreensivo. Bastante apreensivo, mesmo.
Logo agora???
Tão bonito, não é?
Vejam lá se se deixam de tretas e ligam alguma ao que diz o Obama!

Um cheirinho a neve


Na passada semana era assim que o Caramulo se via desde Aveiro

Nothing casual about this Friday!


Parabéns T.!

Mr. and Mrs. Right

A Vanity Fair de Janeiro está, como sempre imperdível.
A capa é feita com a humorista do momento, Tina Fey, que proporciona um trabalho jornalistico interessante.
Lá dentro, para além das tendencias e do who's who, várias reportagens de interesse, onde se destaca uma peça curiosa sobre a nova vida dos ex-riquíssimos.
Mas, para mim, o pico de excelência vai para a história de Bob Colacello sobre William e Patricia F. Buckley. Escrevi aqui aquando da morte de Buckley, personagem que sempre me fascinou. A VF, muitos meses depois, faz juz à sua memória de forma muito peculiar, optando por dar a conhecer a dinâmica muito especial deste par de eleição. Um momento de jornalismo ao mais alto nível. Uma história de amor inspiradora.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

E eu nem sei o que anuncie... acho que vou pensar melhor no assunto

Ao ver esta notícia, lembrei-me vagamente de um Ministro Português que também se lembrou aqui há uns meses de anunciar o fim da crise...

Take me back, please!!!!


Parece que Portugal está disponível para receber actuais prisioneiros de Guantanamo. Ana Gomes está eufórica com esta perspectiva.
Pensem comigo. Se estamos a falar de prisioneiros inocentes, que passaram por terriveis provações, será humano impor-lhes a vinda para Portugal onde Ana Gomes poderá a qualquer momento aparecer-lhes? Não lhes bastará já de sofrimento?

não olhes para o que eu faço ...

Até ao dia em que foi eleito líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel deu 76 faltas em 240 plenários. São números desta legislatura, que começou em Março de 2005, que constam do seu registo de deputado e não contam com os 10 meses em que suspendeu o mandato por razões de saúde.
Significa que não esteve em 31% das sessões.
Ou seja, em cada três, faltou uma.
Dessas 76 faltas, apenas seis estão registadas como ausência em missão parlamentar. Quase metade das faltas (33) deste deputado do Porto - onde é professor universitário - foram dadas à sexta-feira.
A titulo de justificação destas ausências, Paulo Rangel indicou "trabalho político" .......
Mas que bem.
Paulo Rangel, líder da bancada PSD, vai agora castigar os faltosos da 6ª feira passada....
É caso para dizer "Olha para o que eu digo, mas não olhes para o que eu faço".....

Parabéns!

Diogo Carvalho inicia em grande a participação nos campeonatos europeus de piscina curta que se estão a realizar em Rijeka 2008 na Croácia, pulverizando o seu Recorde Nacional dos 200m estilos nas eliminatórias de hoje de manhã e conquistando o melhor tempo para a final da tarde.
O nadador do Galitos fez o tempo 1:55.98 menos 1.42 segundos que o seu anterior tempo e também máximo nacional!
O Enguia Fresca dá os parabéns ao nadador que honra o nome de Aveiro e de Portugal.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sinais dos Tempos


A última aula de Craig Ewert foi vista esta noite por todos os ingleses, na televisão. O canal “Sky Real Lives” emitiu um documentário canadiano, chamado “Right to die?” que mostra o suicídio assistido de Craig Ewert na Suíça, em Setembro de 2006, meses depois de lhe ter sido diagnosticado uma doença degenerativa incurável. (...)
O documentário, que já foi difundido com o nome “The Suicide Tourist” em Novembro de 2007, na televisão do Canadá, mostra a viagem de Craig até à Suíça e só termina com a sua morte.“Se eu não for com isto para a frente, a minha escolha é essencialmente sofrer e fazer sofrer a minha família. E eu morro. Possivelmente de uma forma mais aflitiva e dolorosa”, diz Craig Ewert no documentário, segundo o excerto divulgado no site da "Sky Real Lives”. Posteriormente pode ver-se o antigo professor a tomar uma dose elevada de barbitúricos, morder o botão para desligar a máquina de ventilação e adormecer. Meia hora depois, o coração deixa de bater.
(...)
Os grupos contra a eutanásia acusam a televisão de ser irresponsável, e fazer “voyeurismo” sobre a eutanásia. “O programa só vai intensificar a pressão sentida por estas pessoas (...) para considerarem acabar com as suas vidas por serem um fardo para as pessoas que amam, para os que estão a cuidar de si e para uma sociedade que não tem meios suficientes”, dizia a campanha do grupo “Care Not Killing”, citada pela Reuters, e uma aliança de cerca de 50 organizações preocupadas com a questão. (...)
(no Público de hoje)

A minha consciência,ou talvez a minha moral, impedem-me de aceitar a imposição da eutanásia como um acto humamente justo. Não posso deixar de achar que é o efeito de uma cultura onde o ser humano é olhado pela sua produtividade e não pelo que é, em si mesmo. Quando se vê o ser humano, não como um sujeito mas como um objecto, as pessoas tornam-se descartáveis, tornam-se supérfluas.
São "os sinais dos tempos".

Alguém me explica

Qual a razão pela qual é extremamente grave ter pago uma factura 17 anos depois da sua emissão, mas já não é grave não a ter pago entre o 5º e o 13 º ano, ou mesmo, desde o sexagésimo dia até ao 5º ano?
Pode ser que alguém da área das Ciências Económicas nos consiga explicar.

Sinais de abertura em Angola


O secretário-geral do MPLA anunciou hoje que José Eduardo dos Santos será candidato à presidência da república de Angola. Sinais de estabilidade para a economia portuguesa.

Alto Salário vs Resultados Nulos...

Vítor Constâncio admitiu ontem implicitamente que o salário do governador do Banco de Portugal é muito elevado, aceitando por isso que a sua remuneração venha a ser reduzida.
"Já tenho dito que deveria haver uma redução [do salário do governador do Banco de Portugal]", afirmou Constâncio em declarações aos jornalistas.
Esta declaração surge no dia em que a imprensa noticiava que Vítor Constâncio está entre os banqueiros centrais mais bem pagos do mundo: o governador do banco central português ganha 250 mil euros por ano, 18 vezes mais que o rendimento per capita nacional....
Pois, estas declarações são certamente fruto das recentes criticas em torno da falta de produtividade e de resultados da actuação do governador do BdP ....
Ou será que Vítor Constâncio também se dispõe a devolver os salários que ganhou a mais enquanto fechava os olhos á supervisão bancária ??

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

XO


O Magalhães é único. Possivelmente, o único em azul. Provávelmente, único porque há já outros mais evoluidos e com mais funcionalidades. É o caso do XO, da mega operação "Dê um, receba um".
Na prática, por cada XO comprado, há um outro XO que é dado a uma criança necessitada e que, em condições normais, nunca teria acesso a computador. O doador contribui com 399 usd e, de imediato, é entregue um XO á criança necesitada; depois a criança da sua família recebe o segundo XO como bónus. Desta quantia, 200 usd são dedutíveis nos impostos. A T-Mobile associou-se ao projecto e oferece internet wi-fi nos seus hot spts para todos os XO. É o estado, o empresariado e a sociedade em funcionamento, é o estímulo à solidariedade, são ideias que funcionam bem e envolvem todos.
O XO tem wi-fi incorporado sem recurso a pens, enorme autonomia, e ecran rotativo tipo "tablet pc", incorpora o último grito da tecnologia. O Magalhães é realmente diferente, talvez por isso, único.
Ressalvo que vejo o projecto Magalhães com bons olhos; apesar de todos os detalhes mal explicados, dos aperfeiçoamentos de que carece, a ideia é boa e o resultado final é bem melhor do que se nada tivesse acontecido. O que me deixa irritado, é este provincianismo saloio de Sócrates, é a mentirinha da banha da cobra, é o exagero que descredibiliza a bondade do projecto. Ninguém do projecto XO assumiu a postura socialista com o Magalhães.

Pois não, pá!

Diz o Governador do Banco de Portugal que a economia Portuguesa ainda não está em recessão técnica. Não está, nem estará, acrescento eu.
Passámos directamente para a recessão real.
Aquela em que os clientes não pagam, os bancos cortam crédito às empresas (mas "sustentam" os disparates dos banqueiros à nossa moda) e cada dia que passa é uma pequena vitória na vida das PME's.
Mas o que estes senhores que andam lá por Lisboa precisavam mesmo era de vir ao mundo real e ver como elas doem.

Temos todos...


Temos todos a mesma história
Várias ondas e um oceano
Vários fatos e uma memória
Vários jogos e um só engano

Temos todos as mesmas lendas
E eu achava que era sozinha
Um soneto e várias emendas
Sou mil versos e uma só linha

Temos todos o mesmo medo
Dez mil passos e uma só dança
Dez mil papos e um só segredo
Dez mil dores e uma esperança

Temos todos a mesma história
E hoje a tua passa a ser minha
Meu passado tua memória
E eu passei a não ser sozinha

Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Primeiro dia

Volto frequentemente a esta música, a estas palavras. Sérgio Godinho é o maior de sempre da música portuguesa, um dos maiores de sempre da música. Toca-nos e interpela-nos como muito poucos são capazes, com sensibilidade, inteligência, criatividade, os ingredientes do génio. Gostei particularmente deste novo arranjo, se bem que o original, pelos momentos da minha vida em que esteve presente, me continue a arrepiar de forma única.

A garra dos 12 anos !!


Esta é a Tavi...que tem coisas para contar, e até tem o seu pequeno e surpreendente blog.

Aveiro


No final da semana passada, o Diário de Aveiro publicou a sondagem mais aguardada da capital do distrito. No ar, andavam as mais variadas especulações, pairavam os maiores equívocos, os mais rebuscados exercícios conheciam a luz do dia. A sondagem veio repor a ordem natural das coisas e lembrar factos importantíssimos aos mais distraídos e influenciáveis.
Não escondo que o facto de a sondagem ter sublinhado todas as orientações estratégicas que a Distrital do CDS tem vindo a adoptar, me deixou com uma muito particular satisfação. Mas, em primeiro lugar vem a satisfação de ver o reconhecimento público pelo excelente trabalho desenvolvido pelo executivo da coligação.
Na leitura dos números, é reconfortante ver como o CDS mantém a fibra e o carácter, não se diluindo, preservando a capacidade de Miguel Capão Filipe se manter como elemento decisivo em qualquer cenário.
Miguel Capão Filipe, com enorme capacidade e prestígio pessoal, confirma-se como incontornável no governo do concelho, ajuda de forma decisiva na manutenção e reforço da marca CDS.
Élio Maia é o independente que os Aveirenses querem ver à frente da autarquia, liderando a coligação de centro-direita.
Recordo que a sondagem foi feita antes da aprovação do empréstimo, acredito que os resultados hoje seriam ainda mais expressivos.
O desnorte na oposição é absoluto; o maior partido da oposição está dilacerado em guerras internas e a candidatura a Aveiro é a arena onde se esgrimem todos os ódios.
Portanto, tudo de vento em popa, mantendo o registo de seriedade e de serviço a Aveiro, com a responsabilidade e apoio imprescindível das forças da coligação, rumo à maioria absoluta.

Do jornalismo para a política


É notícia : Laurinda Alves encabeçará a lista do Movimento Esperança Portugal (MEP) nas próximas eleições para o Parlamento Europeu.
Curiosidade é a minha principal reacção: que mensagem política adoptará Laurinda Alves ?

sábado, 6 de dezembro de 2008

Cidade Maravilhosa



Que bom é poder imaginar. Se não houvesse crise... a nova Aveiro poderia ser assim, com táxis da Ria e tudo.

Obviamente, demito-me, ou talvez não!


Paulo Rangel é, dos protagonistas da cena política portuguesa, um dos de história mais curta, mas habilmente construída, meticulosamente orquestrada, cuidadosamente planificada. Rangel é assim. Como o próprio confessou, um apaixonado do teatro.
Na vida pública de Rangel pouca coisa tem escapado ao seu controlo, o seu perfeccionismo obsessivo tem reflexos bem visíveis no desempenho do personagem Rangel-Presidente de grupo parlamentar. Até ontem.
A vida, e a política em particular, tem destas coisas e, nem o mais astuto, prevê todos os imponderáveis.
Ontem, de pé engessado e grupo parlamentar menos numeroso, outro presidente de grupo parlamentar, Diogo Feyo, ia conseguindo o impensável: a suspensão da avaliação de professores, verdadeira moção de censura ao governo Sócrates. Com seis deputados do PS corajosos, tudo desabou por causa do PSD: 30 deputados ausentes! As desculpas de Rangel foram esfarrapadas e infelizes, não estaria preparado para o fracasso, não teve tempo de ensaiar a argumentação.
Depois, foi o que se viu. Ferreira Leite não poupou no ralhete e desfez os deputados e o seu prodigioso presidente. Rangel ter-se-á visto de volta á escola primária, de bibe e calções, encolhido perante a Sra. Professora. Não reagiu. Vai á S. Caetano levar um tautau e justificar o injustificável.
Mas, a humilhação mais profunda ainda estava para vir, não tendo tirado conclusões imediatas da situação, Rangel permitiu o enxovalho público do inenarrável Marco António Costa! Não me alongo em comentários, olhando para um e para outro, rapidamente realizamos a profundidade do vexame, facilmente percebemos que aconteceu a Rangel o que este jamais achara possível.
Já é tarde para uma demissão redentora, mas ficar será o fim de um sonho ainda por realizar, ou levar a palco, como o próprio gosta.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A praga do -mos

Irrito-me frequentemente ao ler os atentados que por aí se fazem à Língua Portuguesa, sem falar do Acordo Ortográfico que, na minha modesta opinião, mais do que um atentado é uma autêntica chacina.
Vem isto a propósito da moda agora existente de na primeira pessoal do plural do presente do indicativo dos verbos (não sei se ainda se chama assim, mas foi assim que eu aprendi) colocar um hífen antes da última sílaba.
Hoje, ao dar uma olhadela aos blogs cá da terra, apanhei logo dois erros destes, aqui e aqui.
Como não quero deixar de compartilhar algum do conhecimento disponível na internet, aqui fica um link muito interessante para, em caso de dúvida, verificar a ortografia e a conjugação dos verbos portugueses

OK Tele Finanças !

As repartições de finanças passarão a funcionar como um call center para pressionar telefonicamente os contribuintes a liquidar dívidas ao fisco. Aos serviços já foram distribuídas listagens aos funcionários que efectuarão os respectivos contactos, bem como, uma espécie de guião sobre a abordagem e o diálogo a estabelecer com os devedores.
Segundo o guião, os funcionários devem começar por explicar que o contacto "tem fins pedagógicos e informativos", seguindo-se depois a informação de que "está em apreciação específica a regularidade da situação tributária do devedor" e que "nos próximos dias vão ser executados procedimentos legais nos processos pendentes".
Chegados a este ponto, o funcionários deverão passar então "a convidar" o devedor para uma reunião urgente no serviço de finanças, sugerindo logo que seja "no próprio dia ou nos dois dias seguintes". Nessas reuniões devem passar aos devedores a informação "de que está em curso um plano de acção destinado a efectuar a cobrança de dívidas", ao mesmo tempo que lhes devem "recomendar a regularização voluntária" e passar a informação sobre "os inconvenientes da persistência na situação devedora", tais como "o cancelamento de benefícios fiscais, impossibilidade de candidatura a concursos públicos, penhoras ou vendas".

Líderes europeus à procura de uma saída para a crise


Luto Nacional


Já passa da meia-noite, mas para mim ainda é dia 4 de Dezembro. A Espuma dos Dias, do Prof. Adriano Moreira, abriu um dos noticiários; sobre Camarate nem uma palavra. O tempo de tudo se encarrega. A urgência dos vários descalabros do presente dirige a atenção, relativiza-nos a memória.
Continuo, ao fim de muitos anos, com Camarate atravessado na garganta. Tive a infelicidade de ter assistido ao anúncio em directo da tragédia, tinhamos ainda televisão a preto e branco, eu tinha doze anos e chorei convulsivamente antes de conseguir chamar os meus pais. Foi a morte de um sonho e doeu mais do que a perda de uma realidade. O atentado marcou o fim de um renascimento português, de um tempo de esperanças e grandes expectativas, da árdua recuperação da dignidade nacional e de um forte compromisso colectivo. O despudor que se seguiu, o encobrimento e a mentira, condenaram-nos ao Portugal pequenino, cinzento e tecnocrático em que vivemos.
Não me ouvem a invocar "o nosso Adelino", com saudades do Palácio de Cristal onde não estive, nem a suspirar por Sá Carneiro. Correndo o risco de chocar muita gente, não acho que pudessem fazer os milagres que alguns garantem que fariam. Viriam a ser criticados, cometeriam erros como toda a gente, atravessariam os periodos de menor popularidade normais em política. Morreram, como Morrisson, Hendrix ou Joplin, no pico, no ponto onde se forjam os mitos. Valem menos por causa disso? Nem um pouco. Ambos continuam a ser um referêncial de inteligência, capacidade e carisma. Ambos, apesar dos calculos que obrigatóriamente fariam, eram homens de risco e coragem. Tudo isso desapareceu da política actual.
A saudade que me fica, a pena que me roi, não é dos grandes feitos governativos que poderiam ter feito, não é atribuir-lhes uma miragem de Portugal-Primeiro Mundo; isso nunca saberemos. O meu luto, como apaixonado da política, é pelo fim das qualidades que antes enunciei, é pela victória do nacional cinzentismo. Com a morte do sonho, Portugal assustou-se, regrediu e refugiou-se na mediocridade dos "valores seguros": Eanes, Cavaco, Sócrates. A política de causas, ideias e valores morreu ali, foi substituida pela aparente seriedade, pelos números e pela obra. Francamente, é muito pouco. É motivo para luto nacional.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

In memoriam

imagem retirada daqui

Há 28 anos Portugal andava entusiasmado com o ciclo eleitoral que se viva na altura. Após a maioria absoluta da AD, estava ao rubro a campanha para as eleições presidenciais.
Para quem nessa altura vivia intensamente a novidade da política, as noitadas pela cidade a colar cartazes e a fazer pinturas, alimentadas pelos pregos que o Sr. Augusto nos trazia e terminadas com um pão acabado de cozer ali para os lados da rua de Sá, as passeatas pelo distrito a fazer "segurança" aos candidatos a deputados - e que bem que me lembro de uma noite em que após estar na abertura dum comício em Vale de Cambra, acompanhei o Eng. Ângelo Correia até à Mealhada para aí encerrar outro - as figuras de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa eram a grande motivação para andarmos naquelas movimentações.
De repente, o sonho transformou-se numa terrível realidade.
O projecto em que acreditávamos caiu numa anónima rua de Camarate, localidade que acredito a grande maioria dos Portugueses não fazia sequer ideia que existia.
Infelizmente nunca o conseguimos ver concretizado, pois os substitutos de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa não se mostraram à altura da tarefa que lhe foi exigida.
Fica a eterna dúvida de que Portugal teríamos hoje. Provavelmente mais avançado do que aquele que hoje temos, pois este acontecimento mudou o rumo que estava traçado. E mudou-o para pior.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

No light at the end of the mine!


Vêmos aqui José Pinto de Sousa em versão Engenheiro de Minas. Mais uma elaborada performance que deu em... nada, não foi?
O governo, através do ministro Pinho, garantiu uma solução até... ontem, não foi?
Seguro, seguro, é que, até ao momento, não se vislumbra luz ao fundo da mina.

Com notícias destas, é evidente que não há crise

Belas novidades as que o Eng. Técnico Primeiro Ministro Pinto de Sousa anunciou hoje ao País.
Os mais distraídos até podem pensar que são medidas governativas de excelência que vão afectar positivamente todos os Portugueses em 2009.
Mas, parando um pouco para reler a notícia, afinal não são medidas de iniciativa governativa que vão motivar tão grande melhoria.
Daquilo que sabemos, ainda não é o Governo Português que influencia o preço do petróleo e o andamento da Euribor.
Estas notícias, a confirmarem-se como esperamos, também não afectam os Portugueses que não têm carro nem os que não têm empréstimos. Uma pequena minoria, mas tão Portugueses como os demais.
E, já agora, será que o Governo também tem poderes para dizer à banca que não é honesto compensar a descida da Euribor com o aumento dos spreads dos seus empréstimos? É que, para os Portugueses que não têm poder de negociação face à banca, uma grande maioria, o preço do dinheiro não desce ou não desce tanto quanto devia, pois os spreads têm vindo a aumentar. E as garantias dadas pelo Governo à banca terão servido certamente para que o custo a que a banca acede ao dinheiro tenha diminuído.
Enfim, aguardemos serenamente pelas cenas dos próximos capítulos. Que correm o risco de tornar esta novela num filme de terror.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Quim

Não encontrei melhor para retratar um frango de bicicleta

Imagem retirada daqui

Futebolando

Também eu vou falar de arbitragens, matéria na qual, todos os que gostamos de futebol somos especialistas.
Que um árbitro possa cometer erros, é humano. Já os romanos o afirmavam e o futebol ainda não era nascido.
Mas quando muitos árbitros cometem muitos erros, já começamos a entrar numa anormal tendência para a asneira.
E quando os responsáveis pela arbitragem a nível federativa ou a nível corporativo defendem os árbitros sem reconhecer os erros que eles cometem e preocupando-se apenas com ameaças de processos contra quem critica os homens do apito, aí o caso começa a tornar-se um grande disparate, culminado com a comparação entre estes homens de negro de que aqui se fala e os outros, de toga negra, que aplicam a justiça nos tribunais, que é, na minha opinião, o disparate total.
A grande diferença entre arbitragem e justiça é que na justiça há sempre a possibilidade de recurso para instâncias superiores podendo a decisão da primeira instância ser anulada ou rectificada a favor ou contra de quem se ache prejudicado, enquanto que na arbitragem os erros cometidos pelos árbitros não são passíveis de recurso e as suas decisões são definitivas.
Parece-me pois que é tempo de os árbitros passarem a apitar - e aqueles que não têm comptências para tal que o deixem de fazer - e de os seus dirigentes os defenderem mas com critério e para que todos possamos perceber o que se passa a este nível.
E todos esperamos que erros como os que aqui se reproduzem, não sendo possível de se erradicarem por completo, sejam drasticamente reduzidos.



Imagens retiradas daqui


Fotografia tirada hoje na parada militar que comemorava o dia nacional da Roménia. Comemoraram os 90 anos da união da Transilvânia, Walachia e Moldova que em 1918 deram origem ao novo país.
Quando pensamos na Transilvânia como terra do Conde Drácula e nos romenos que tentam lavar-nos os vidros do carro nos semáforos, não podemos deixar de ficar intrigados com a fotografia...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Delírio de Nostalgia...



O Senhor D. Duarte, herdeiro da Coroa portuguesa, dá hoje uma entrevista, no mínimo bizarra, ao jornal Público.
Entre outras pérolas, o Senhor D. Duarte confessa a sua descrença na democracia para resolver crises, manifesta a sua preferência pelo "socialismo cooperativista", diz-nos que os comunistas são "muito patrióticos", e que as repúblicas são contranatura, excepto nos EUA onde Obama será rei…
Eloquente…
Mas, para mim, a cereja no topo do bolo é o facto de o Senhor achar o máximo (e achar-se o máximo) pelo privilégio do nascimento. Na sua opinião, a herança de sangue é tudo. Às urtigas o trabalho, e a ascensão pelo mérito de quem nasce humilde.
Aliás, D. Duarte diz mesmo que os "assalariados" carecem de independência pelo que não têm opinião credível!!
Coitados desses assalariados, deve ser por isso que são republicanos, preferem quem, como eles, vive do seu trabalho e não arrogâncias de sangue e manias de grandeza de antanho!

Highlights da entrevista:

«(Publico)- É respeitado nos países árabes?
(D.Duarte)- Quando estou numa monarquia árabe sou descendente do profeta Maomé.
- Porquê?
- A rainha Santa Isabel era descendente de um príncipe árabe que era descendente de Maomé. Por isso, a minha posição é completamente diferente da de qualquer embaixador da república portuguesa.
- Isso é reconhecido em todo o mundo árabe?
- É. Mas quando estou em Israel digo que o D. Afonso Henriques era descendente do Rei David. Aliás, aconteceu uma coisa curiosa, nesta última viagem a Jerusalém: o chefe dos sefarditas contou-me que D. Pedro II do Brasil, bisavô da minha mãe, tinha visitado Israel e falava fluentemente o hebreu.(…)
- Ofereceram-lhe empregos?
- Sim, propuseram-me cargos de administrador em bancos (ainda bem que não aceitei, senão agora estaria preso). Não aceitei porque perderia a minha independência.
- Ocuparia muito do seu tempo.
- Não foi por causa disso, porque os administradores dos bancos não fazem nada. Mas, na minha posição, se eu trabalhasse numa empresa, como assalariado, as minhas opiniões estariam condicionadas, não teria credibilidade.
- Um assalariado não tem liberdade de expressão?
- Devia ter, mas nem sempre é possível.
(…)
- As repúblicas são contranatura?
- As repúblicas são contranatura. Excepto aquelas repúblicas muito tradicionais, como a Suíça, ou os EUA, onde, de algum modo, elegem um rei.(….)»

Senhor D. Duarte, aqui entre nós, gostei muito da parte em que diz "os adminsitradores dos bancos não fazem nada".... mas só dessa parte.
No mais, parece-me que V.Excia. nasceu fora de tempo, tarde de mais para sua grande infelicidade. A sua visão da vida já não é deste mundo, é um delírio de nostalgia....

1 de Dezembro é dia de recordar a nosssa História.

No dia 1º de Dezembro assinala-se a restauração da Independência de Portugal.
Falecido o cardeal-rei D. Henrique, em 1580, sem ter designado um sucessor, Filipe II de Espanha, neto do rei português D. Manuel I., invadiu Portugal e submeteu-o ao domínio espanhol.
Foram três os reis espanhóis que governaram Portugal entre 1580 e 1640 – Filipe I, Filipe II e Filipe III.
A capital do Império passou a ser Madrid e Portugal foi governado como uma Província espanhola durante 60 anos.
Na manhã do 1º de Dezembro de 1640, um grupo de nobres atacou a sede do governo em Lisboa (Paço da Ribeira), prendeu a duquesa de Mântua, e matou ou feriu alguns membros da guarnição militar e funcionários, entre os quais o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos.
Seguidamente, os revoltosos percorreram a cidade, aclamando o novo estado de coisas, secundados pelo entusiasmo popular.
Foi assim que Portugal recuperou a sua independência, sendo D. João IV,. Duque de Bragança, aclamado rei, com o cognome de "O Restaurador".

Viva Portugal!


Sem grandes preocupações de forma, hoje só me apetece gritar Viva Portugal! Comemoramos neste Primeiro de Dezembro a expulsão do inimigo espanhol que pérfidamente nos subjugou durante 60 longos anos e 3 filipes de má memória. Desconfio que vem daí o termo flipado, inicialmente um tipo que tinha uma vida desgraçada por viver oprimido pela droga de espanha e dos filipes. Em dias como este, tenho particular admiração, e uma pitadinha de inveja, do pai de uma grande amiga que tem o privilégio de poder hastear a genuina bandeira pátria em promontório desafiador das frustrações hispânicas.
Hoje é o dia em que nos deveriamos concentrar ao longo da linha de fronteira com a lingua de fora e gesto inspirado por Bordallo.
Hoje é o dia em que deveriamos dar um cachaço valente a cada um dos inergúmenos que não faz ideia do que se comemora, excepção feita aos que estiverem ainda embriagados do jantar dos Conjurados.
Neste dia, mea culpa, sinto-me mais monárquico do que em qualquer um dos outros 364, 5 de outubro incluido (esse é o segundo). Sinto-me particularmente orgulhoso de saber que o meu Rei descende do Rei David e de Maomé, que concilia em si a água e o fogo, que diz o que pensa sem medos e que não é refém dos Loureiros da vida. Olho com enlevo D. Isabel e os infantes, e realizo que a piroseira de qualquer primeira dama por mais deprimente que seja não dura mais que uma década.
Somos o país que somos, o meu Rei não tem trono, mas, que diabo, adoro ser português!

Real, Real, Real, por El-Rei de Portugal!

Isto está a mudar... devagarinho

O Partido Comunista Português teve o seu congresso neste fim-de-semana.
A mudança é visível.
Como se pode ler aqui, 8 votos contra e 17 abstenções na eleição do Comité Central, além de um nome acrescentado à última hora devem ser entendidos como um sinal de modernidade, apesar de considerarem que voto secreto é anti-democrático.
Perceberam?
Eu também não. E os 25 que não votaram a favor esperam que o voto tenha sido mesmo secreto.

O futuro é dos ignorantes e impreparados...


«O governo continua a distribuir Magalhães, na convicção, fingida ou não, de que com tal gesto está a estimular a alfabetização, a cultura, a curiosidade intelectual, o espírito profissional, a capacidade científica e a criatividade nacional. Será que nas áreas do governo e do partido não há ninguém que explique que isso não acontece assim?
Segundo a OCDE, o abandono escolar na União Europeia foi, em 2007, de cerca de 15 por cento. Portugal, com 36,3 por cento, tem a taxa mais alta. Mais de um terço da população entre 18 e 24 anos não completou a escola e não frequenta cursos de formação profissional. Só 13 por cento da população activa adulta completou o ensino secundário e perto de 57 por cento apenas terminaram o primeiro ciclo do básico.
Ainda segundo a OCDE e um estudo de Susana Jesus Santos (do banco BPI), a distribuição dos tempos de aulas nas escolas, para alunos de 9 a 11 anos, mostra como a juventude portuguesa está orientada. Em Portugal, a leitura (e o português) ocupa 11 por cento do tempo de aulas. Na União Europeia, 25. Em Portugal, a Matemática ocupa 12 por cento. Na União Europeia, 17.
Que é que o Magalhães tem a ver com isto? Nada. Absolutamente nada!» - António Barreto.