terça-feira, 31 de Março de 2009

Improvável

Nunca gostei da musica barroca e pomposa dos Queen; quando comparados com produtos genuinos da época, a sua aparente sofisticação quedava-se por algo pouco distante de Liberace. Contudo, no meio de muita coisa que me dá sérios enjoos, fizeram duas músicas que considero brutais, no bom sentido. Aqui fica o tributo!


Fantochada


"Os alunos do ensino básico e secundário estão a faltar menos, como agora anunciou o Ministério da Educação (ME), ou são as escolas que estão a contabilizar menos faltas do que aquelas que foram dadas? Segundo dados divulgados pelo ME, houve uma redução, no primeiro período, de 22,5 por cento no número de faltas registado no 3º ciclo e de 22,4 por cento no secundário."
"A ministra da Educação congratulou-se hoje com a diminuição das faltas... considerando que os números revelam que há meios mais racionais para combater o absentismo do que a "ameaça de chumbo".

Só uma notícia destas me faria desatar à gargalhada. Na verdade, os professores estão cada vez mais "racionais": retiram as faltas aos alunos ou, por e simplesmente, não as marcam, para não serem obrigados a fazer as "Provas de Recuperação" ou, no caso dos CEF, para não terem de dar aulas extra a alunos que faltaram, porque lhes apeteceu. Tudo isto é uma grande fantochada. Assim vai a nossa Educação.

Rali de Portugal

Está à porta mais um Rali dito de Portugal, mas actualmente apenas Rali do Algarve.
Relembrando o tempo em que os ralis eram provas a sério, com pilotos a sério e em que o público era inconsciente qb, aqui ficam algumas imagens saudosistas do tempo do Fiat 124 Abarth, do Fiat 131 Abarth, do Lancia Stratos, do Lancia Rally 037, do Peugeot 205T16, do Audi Quattro, mas também de Sintra, Fafe ou Arganil.

E ainda há quem diga que o Tuga só gosta de bola.






Estamos cheios de saudades dele

Depois de três visitas ao distrito de Aveiro na passada semana - duas delas em dias diferentes a locais separados um do outro por pouco mais de 2 km - o que demonstra a grande preocupação ecológica do Sr. Eng., esta semana parece que ainda não apareceu por cá.
Os Aveirenses estam cheios de saudades dele...

Sofá sem rodas

Há uns dias coloquei aqui um post sobre a possibilidade de a IKEA vir a apresentar um modelo próprio de automóvel.
Afinal, a montanha pariu um rato.
O sofá vai continuar sossegadinho no canto da sala e a permitir umas belas sestas.
E a IKEA continuará apenas a vender aquilo que domina: mobiliário e decoração.

Descaradamente


O governo socialista anunciou obras de restauro e modernização num conjunto de escolas básicas que estão à beira da ruina. Muito bem, já nos sentimos felizes quando o governo resolve cumprir os mínimos em relação a alguma coisa.
Olhando para o mapa das escolas a serem intervencionadas, verificamos que dois terços ficam, por coincidência, em autarquias socialistas. Por coincidência também, lembramo-nos que estamos em ano de eleições. Depois, vem Valter Lemos desmentir e explicar-nos estas coincidências e, como achamos o senhor quase credível, quase que acreditamos. Não fosse a coisa tão descarada, desta iam mesmo conseguindo enganar-me.
Mas, como dizia o Restaurador Olex, um preto de cabeleira loira, ou um branco de carapinha, não é natural...

Mais um ensurdecedor silêncio...

João Palma, o novo presidente do sindicato dos Magistrados do Ministério Público, na sua primeira intervenção, queixa-se de "níveis incomportáveis" de pressão sobre quem está a investigar o caso Freeport. Cluny já tinha feito o mesmo.
Num estado de direito, tais afirmações teriam as mais profundas consequências. É obrigação estrita do Presidente da República esclarecer o caso e patrocinar o regresso à normalidade. Contudo, vamos ficar por declarações do Procurador-Geral em quem já pouquissimos acreditam.
Falamos da justiça, da espinha dorsal do Estado; quantos portugueses confiam hoje na justiça do seu país?

segunda-feira, 30 de Março de 2009

O principio do fim da maioria absoluta?


Mas será que quando o primeiro ministro vai á ópera, é suposto esperar pela sua chegada e retardar o início do espectaculo até que ele esteja bem sentado no seu lugar? Obviamente NÃO.
Um espectáculo de ópera não é um acto oficial, nem Sócrates vai a ópera na veste de primeiro ministro, em funções oficiais. Mesmo que a opera seja um programinha social nocturno para entreter um qualquer dignitário estrangeiro.

Por isso, o que se passou no CCB foi pura e simplesmente uma falta de respeito de Sócrates pelos concidadãos, que, indignados reagiram em conformidade pateando a entrada em cena – no camarote VIP – do cidadão primeiro ministro e respectiva namorada.

Uma reacção justa e á medida, portanto.

Convenhamos que esta mania de Sócrates se ter em alta conta e se considerar bem acima dos demais concidadãos é directamente proporcional á sua enorme intolerância e irritação face a noticias incómodas e opiniões críticas, e aos esforços que desenvolve para condicionar e intimidar o exercício do direito a informar dos jornalistas, o exercicio correcto do poder judicial, e para condicionar empresas e instituições aos interesses partidários e eleitorais.

A julgar por aquela vaia, parece que finalmente os eleitores se dão conta e se mostram fartos da sobranceria oca de José Socrátes.
Aquela vaia foi um sintoma e um bom ensaio para as eleições que se avizinham.

Mais um sucesso da era Zapatero!

A Espanha de Zapatero tem mais um motivo de orgulho: o primeiro homem grávido! E de gémeos!
Bom, não será exactamente assim. É um homem de barbicha e voz grossa, com pinta de macho, mas aparelho reprodutor feminino. Como a sua namorada não pode ter filhos, procuraram uma clínica que fizesse a inseminação artificial no namorado, hoje homem, ontem mulher.
Confusos? Também eu! Mais uma vez, o interesse da criança é o menos importante.

Se dúvida houvesse...

Noticiado há 10 minutos na imprensa espanhola:
"El presidente de la Asociación de Clínicas Acreditadas para la Interrupción del Embarazo (Acai), Santiago Barambio, pidió al Gobierno que el aborto por malformación fetal no tenga plazo. Barambio, que se reunió esta mañana con la ministra de Igualdad, Bibiana Aído, reivindicó que la nueva ley del aborto que prepara el Gobierno debe recoger que el plazo para abortar por riesgo de la salud de la madre sea de 24 semanas y por malformación fetal "sin límite de semanas".
El presidente de Acai trasaladó a Aído que más allá de las 24 semanas se dan casos de malformaciones de fetos que "también deben de tener solución". Señaló que 24 semanas es un tiempo insuficiente para tomar la decisión de interrumpir un embarazo de forma voluntaria puesto que después de este tiempo son "las mujeres más vulnerables" las que interrumpen su embarazo."
Três notas apenas:
O aborto é um negócio, e o poderoso lobby das clinicas da morte não perde tempo a aproveitar e forçar a nota perante a estupidez criminosa do governo Zapatero.

A vontade de eugenismo que subjaz a muitas das movimentações abortistas, denuncia-se aqui na vontade de encontrar uma "solução" para os mais fracos. Foi exactamente o termo "solução" que há 70 anos os nacional-socialistas adoptaram para liquidar os que consideravam mais fracos...

Que "solução" advogará esta gente para aqueles cujas malformações se manifestem apenas depois do nascimento?

Estamos conversados.


As manifestações de ontem não tiveram o patrocinio do PP, nem da hierarquia da Igreja Católica, tornando ainda mais significativa a sua gigantesca dimensão. No meio dos manifestantes, era possível encontrar gente socialista e de esquerda inteligente e com sensibilidade.
Gostei particularmente da afirmação do alcalde socialista da localidade sevilhana de Paradas, Joaquín Manuel Montero: "Aprendí de viejos y verdaderos socialistas que la izquierda siempre está junto a la vida y los más débiles y por eso estoy aquí".


Vida


Não sendo um particular apaixonado pelos nossos vizinhos espanhois, reconhêço-lhes uma extraordinária capacidade de mobilização e de defesa das suas convicções. Não são gente de pantufas, nem de meias tintas.
Ao mesmo tempo que o canal National Geographic passava o fascinante filme sobre a vida do bébé na barriga da mãe, ontem, nas pricipais cidades espanholas, o povo saiu á rua em defesa da vida. Seguramente, mais de um milhão de espanhois trocou as rotinas domingueiras pelo protesto contra o aborto livre que o socialista Zapatero se prepara para legalizar.
Em Madrid, já não se via uma manifestação de tal dimensão desde as grandes manifestações pela paz, a organização fala em mais de meio milhão de pessoas.
Os números da policia controlada pelo governo socialista são infinitamente menores, porém, desmentidos pelas imagens e chegando ao ridículo de, em Granada, onde a policia reportava uma máximo de mil manifestasntes, foram 3.678 os que assinaram no local uma petição pró-vida!
Zapatero foi o primeiro governante ocidental cuja chegada ao poder foi determinada por um acto terrorista, desde então, tem sido um bogalho na enchente: se os ventos sopram favoráveis, fica quieto, não prepara o futuro, toma aqui e ali uma atitude para dar nas vistas sossegando a esquerda e vai cortando as fitas da obra que o PP começou; quando os ventos fustigam, mostra-se a sua incapacidade e incompetência para governar, vai daí, a receita é velha e gasta, chama à arena as causas fracturantes. Tal como o seu bom amigo Sócrates.
A lei que liberaliza o aborto até ás 14 semanas é retrógrada e criminosa, divide a sociedade, mas, pensa Zapatero, segurará a esquerda militante que lhe começa a fugir.
O anúncio do fim da curta era da esquerda em Espanha começou nos últimos actos eleitorais. A incapacidade de governar em crise, vem reforçar esta tendência. O descrédito público em começa a caír o pilar desta área, o inquisidor-mor Garzon, é assustador para a esquerda. Pouco resta a Zapatero e aos socialistas para inverter esta queda, mas não vale tudo, usar como arma política a vida de inocentes dá-nos a certeza absoluta da urgência com que Espanha se tem de livrar desta corja.

domingo, 29 de Março de 2009

A CURA!


Em Deli quando alguém necessita de tratamento médico recorre ao médico local para que este lhe dê uma injecção. Existe a crença que as injecções são miraculosas. Mas a seringa que o médico usa, provavelmente, já foi usada, várias vezes, e carrega infecções letais como o HIV a Hepatite B ou C. As crianças das “Slums “de Deli vasculham o lixo á procura de seringas como se estivessem a coleccionar conchas da praia. Depois vendem-nas aos médicos que as reutilizam para “curar”. Na Índia cerca de 62% das injecções são dadas com seringas não esterilizadas ou reutilizadas, o que provoca a morte de cerca de 300.000 pessoas por ano.

Parece-me bem.


Há dias em que é a melhor opção ....

...


Dizia hoje uma eminência qualquer da bola que Portugal não podia esquecer que Queiroz era, acima de tudo, um símbolo de qualidade! Demorei algum tempo a perceber, mas acho que cheguei lá...

Liberdade de escolha

Para quem não é masoquista, aqui fica uma insuperável alternativa à selecção de Queiroz. Menos acção, mas infinitamente mais beleza.

O lugar do sonho


A Vanity Fair deste mês, com uma inevitável presença da recessão nas suas diversas reportagens, tem manifestamente menos gossip, alguma contenção na sugestão dos gastos, mas a excelência de sempre.
Destaco uma peça imprescindível de David Kamp para a contextualização do momento presente, o recentrar do que foram as esperanças e objectivos do New Deal de FDR, um quadro esclarecido da evolução do capitalismo americano, que explica muito do que vivemos hoje.
Em alternativa à versão em papel, de longe melhor, pode e deve ler aqui Rethinking the Americam Dream.

sábado, 28 de Março de 2009

Fala a Igreja da terra

Hoje, pela voz do Bispo de Viseu.

CDS e as Europeias


No dia 19 escrevi isto. Hoje ao ler o Expresso, fiquei naturalmente satisfeito. Espero bem que sim!

En Castelano III

Sin mas palabras... Estrella Morente

En Castellano II

Y porsupuesto, el inmejorable joaquin Sabina...

En Castellano

Depois do precioso Palabras do Patxi Andión postado pelo TPP abaixo, não resisti a ir ao baú buscar outras presiosidades en castellano.

Falta de educação


Seja na qualidade de Primeiro-Ministro de Portugal, seja como simples cidadão chamado José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, uma atitude destas demonstra apenas a sua falta de educação.
E, uma das coisas que me parece que Portugal também necessita para poder encarar um futuro melhor, é que quem nos governa seja, além de tecnicamente competente, educado.
O que não acontece nem com José Sócrates nem com a maior parte do seu Governo.

sexta-feira, 27 de Março de 2009

As minhas músicas - 21



Depois de alguns meses sem sons, retomo as minhas músicas.
Desta vez com um pequeno salto a Espanha.
País cuja música é pouco divulgada em Portugal, mas que tem alguns autores que bem que poderiam ser mais conhecidos no nosso País.
Palabras, de Patxi Andion, traz-me sempre à memória o pior momento da minha vida, há mais de 30 anos. Era uma música que ouvia frequentemente e que, apesar das tristas memórias desse momento, continuo a apreciar.

Sabujices

Marinho Pinto andava calado há algum tempo, parecia bom demais, e era. Aproveitando de forma abusiva a revista da Ordem dos Advogados, Marinho veio despudoradamente dar uma mãozinha a Sócrates, enterrar o PSD e caluniar a Policia Judiciária. Atropelando qualquer réstea de deontologia, opina, a seu bel prazer e na direcção que mais lhe convém, sobre o caso Freeport.
Para meu enorme espanto, o detestável sujeito encontrou uma figura extraordinária: alega que faz as afirmações garves que faz, sem necessidade de provar o que quer que seja, porque se trata de um texto de opinião e não de investigação jornalistica.
Passados minutos, fiquei a saber que a imprensa teve acesso á revista da O.A. antes de qualquer advogado! Aliás, os advogados souberam do artigo pela imprensa, ainda nem receberam a revista que lhes seria destinada em primeiro lugar!
Estamos conversados!

Lula mesmo


O presidente Lula, que já aqui elogiei algumas vezes, perdeu o tino. Durante esta visita de Gordon Brown ao Brasil, Lula acusou os "brancos de olhos azuis" de serem os responsáveis pela crise. Foi mais longe e garantiu que não conhece nenhum banqueiro negro ou índio!
Com a vizinhança que tem, Morales, Chavez e comandita, parece cada vez mais difícil a Lula manter a sanidade mental. Esta afirmação é dum primitivismo avassalador, duma demagogia pornográfica. Objectivamente, é uma afirmação racista e xenófoba. Não vale a desculpa de querer separar vitimas e carrascos da globalização, eles existirão sempre e de todas as raças.
Se fosse Le Pen ou Margarida Moreira, estariamos habituados. Vindo de Lula, é uma profunda desilusão.

quinta-feira, 26 de Março de 2009

Great (not so) Old Times

A Igreja de Bento XVI



Ainda acerca dos ecos da viagem do Papa a Africa, acho incrível como os media praticamente passaram ao lado das palavras duras e frontais de Bento XVI proferidas na cara de José Eduardo dos Santos, condenando a corrupção, a fome, a violação reiterada dos direitos humanos. A atenção geral centrou-se unicamente na divulgadíssima frase do Papa sobre o preservativo que "agrava" o problema da sida. Não se falou doutra coisa, e na memória de todos o saldo final da visita do Papa a Africa fica por aí.
Não tenho dúvida nenhuma de que o Papa não focou este problema simplesmente porque é contra o preservativo. O Papa focou um problema de comportamento sexual promíscuo ou anárquico, e referia-se á necessidade de alteração de comportamentos, á diminuição drástica do número de parceiros e á monogamia, como sendo os meios eficazes para combater a propagação da sida. Mas, ao exprimir o seu pensamento repetindo apenas o dogma da proibição do preservativo, a escolha das palavras de Bento XVI foi lamentável.

No entanto, também me parece claro que a chuva de críticas de que o Papa foi alvo por causa daquelas palavras não tem origem apenas na proibição do preservativo, antes entronca no problema mais vasto da proibição do uso de todos os métodos anticoncepcionais artificiais determinada pela Igreja Católica. Refiro-me á doutrina "oficial" consagrada no Catecismo da Igreja Católica, e á encíclica Humanae Vitae, que, como é bem sabido, considera moralmente inaceitável e proíbe o recurso pelos casais católicos aos metodos artificiais de regulação dos nascimentos, incluindo a pilula, o preservativo, o DIU, etc.

A meu ver, a raiz de todo aquele alarde pode resumir-se nas palavras certeiras de um activista camaronês: "O Papa vive no céu, mas nós vivemos na terra."

É que, de facto no que concerne á moral sexual, a Igreja Católica fala para o céu, num registo de dogma intransigente, e paralelamente fala para a terra, num registo mais flexível e mais humano.
Por outras palavras: no que concerne p. ex. ao controle da natalidade, a Igreja Católica não tem uma única posição, tem duas:
Por um lado, temos a posição "oficial" da Igreja de Bento XVI que vive e fala para o céu, proibindo inflexivelmente o recurso a todos os métodos contraceptivos artificiais (aos cépticos desta doutrina oficial, recomendo desde já a consulta dos pontos n.º 497, 498, 499 e também n.º 492 do
Catecismo da Igreja Católica ).
E, paralelamente há a outra a Igreja "da terra" que, pela voz de sacerdotes católicos, sérios e empenhados, aprova indubitavelmente e sem problemas o recurso pelos casais á pilula ou ao presevativo como método para regular e espaçar os nascimento . Esta Igreja "da terra", feita nas paróquias e nos Movimentos católicos, como as ENS e os CVX, não nos prega a "abstinência", mas sim o sentido de responsabilidade numa vida sexual correctamente assumida.

É nas divergências entre a Igreja do céu e a Igreja da terra que está a questão.
Note-se que não se trata apenas uma diferença de grau, porque há situações em que há uma oposição evidente.

Além disso, as divergências entre a Igreja do Céu e a Igreja da terra não se resumem á contracepção, são bem mais vastas. Há muitas outras situações da vida em que a Igreja de Bento XVI diz "NÃO" e a Igreja "da terra" diz "sim".

Tal é o que acontece a propósito do recurso á procriação medicamente assistida (PMA) por casais inférteis. Recentemente o Vaticano emitiu o documento Dignitas Personae que proíbe totalmente, seja em que circunstâncias for e sem excepções, o recurso a técnicas de PMA que impliquem a fertilização in vitro, fora do corpo da mulher. Pois a Igreja "da terra" pela voz de sacerdotes católicos (jesuítas e dominicanos, que auscultei) consente aos casais inferteis o recurso á fertilização in vitro, recomendando somente a redução do numero de embriões, no sentido de evitar os excedentários.

Também a situação dos divorciados recasados obrigatoriamente arredados da comunhão e dos sacramentos é fonte de controvérsia entre a Igreja "do céu" e a Igreja "da terra": vide as 2 excelentes crónicas de Frei Bento Domingues o.p. no Público, nos dois ultimos Domingos.

Sobretudo, o que mais choca é que a a Igreja de Bento XVI centra o seu discurso na defesa intransigente do dogma e da tradição, e transmite uma imagem de Igreja intolerante, desligada dos problemas quotidianos das pessoas do nosso tempo. Pior, de uma Igreja afastada do ser humano, e até insensível ao sofrimento humano associado a algumas das situações referidas, quando o pilar do cristianismo é o amor, a caridade, e a compreensão do humano.

Por isso, a única conclusão possível para estas minhas reflexões é pedir ao Papa que desça do céu e venha á terra, e á Igreja da terra. Peço ao Papa que desça ao encontro de todos os casais católicos que (e são a maioria) recorrem á contracepção, á pilula, ao preservativo, venha ao encontro dos casais inférteis que querem ter filhos biológicos e procuram a PMA, e que não afaste dos sacramentos os divorciados recasados e tantos outros filhos de Deus aturdidos e aflitos que procuram a Igreja com os problemas da terra, porque não vivem no céu.

O circo está de volta

Começa hoje mais um Mundial de F1.
Ano novo, regras novas, incerteza total, pelos menos a julgar pelos resultados dos treinos efectuados até hoje.
Para quem gosta, aqui fica um bocadinho de serviço público.

Sofá com rodas?


Vindo da Ikea, será que é um sofá com rodas ou um novo conceito de automóvel?
Falta pouco para ficarmos a saber.

Legoland


No fim de semana passado, ao perguntar aos meus sobrinhos se alinhavam numa ida á Legoland, tive uma resposta desconcertante: "O que é isso tio?"
Quando me refiz do choque, disse-lhes que era uma cidade feita em Lego. De imediato, levei com um: "Lego? O que é isso?". Depois, lá se lembraram de umas peças de encaixe coloridas que tinham em bébés, aquelas grandes e básicas que deveriam servir de recruta para os Lego de verdade. Não serviram. O meu irmão explicou-me não há espaço para Legos no meio dos digimons, dos monstros vários, dos wrestlers idiotas, da play station e afins. Senti-me velho e completamente out of tune com esta criançada.
Ainda hoje me babo perante uma caixa de Lego Technic, City ou Star Wars. O foguetão da Lego é mais fascinante do que o Apolo XI e o jipe da policia é mais cool que um Range Rover. A Lego é comparável a uma mind expanding drug, também vicia, abre os horizontes, mas tem a infinita vantagem de ninguém se atirar nú ás gargalhadas de um nono andar.
Devo à Lego horas infinitas de prazer, a criação de um mundo alternativo, tipo second life, e, sem presunções psicanaliticas, diria que era ali que se projectavam os sonhos, relativizavam frustrações e descarregava alguma violência latente, própria do processo de crescimento. Era também um meio de comunicação; quando no Natal recebia um set mais complicado, ficávamos horas, eu e o meu pai, a dar forma e sentido às pequenas peças.
O que se passará com estes miudos? O que terá de fascinante um tupperware com ranhoca verde lá dentro? Porque é que os monstros e seres disformes os fascinam tanto? Porque é que a violência, que consomem em doses absurdas, terá de ser tão absurdamente violenta? Onde é que foi que começamos a perder contacto?
Li hoje no The Guardian que os Lego estão de volta e a tentar um regresso às vidas da pequenada. Há a actualização que o marketing impõe, mas ainda assim fico feliz. É bom para todos e assegurará que a marca continuará, para felicidade de uma infinidade de adultos nostálgicos; como eu!

Alarmismos


O Público on-line avança com uma notícia que é puro terror para quem tem fobia a aviões:
"Tráfego aéreo mantém tendência de abrandamento. O tráfego aéreo continua a cair."
Será certamente uma ajudinha ao esforço de promoção das "férias cá dentro"!

Shanty Towns


Nos Estados Unidos, chamam-lhes Shanty Towns, são verdadeiras pequenas povoações que surgem repentinamente compostas de sem-abrigos. As tendas tipo igloo são a solução mais fácil, mas há também micro-contentores em aglomerado de madeira.
São sinais que a memória americana observa como um remake da grande recessão de 29 do século passado.
A crise passou rápidamente do plano económico para o social. Adivinham-se grandes transformações e elevada tensão; os mais pessimistas falam no deflagrar eminente de uma série de guerras dispersas.
Já teremos nós reflectido o suficiente sobre o tema? Estaremos preparados para uma crise social em grande escala, com todas as consequências implícitas?
É tempo de procurar respostas, antes de sermos asfixiados pela avalanche de perguntas.

Assim vai Portugal


Sou Sportinguista desde sempre, acho que esta minha condição terá sido determinada antes mesmo da escolha do meu nome... Ao cabo de quarenta anos, não admito dúvidas quanto à minha lealdade e paixão ao meu Clube de sempre.
O jogo de sábado foi uma vergonha. O tal Batista estragou a noite a toda a gente: roubou a taça ao Sporting e atirou o Benfica para uma vitória sem mérito nem glória. Ninguém ficou bem. Numa empresa, o Batista seria de imediato despedido; na Liga é apoiado.
Mas, o que me traz a este post, é o facto de estar quinta-feira a nascer e eu estar certo que o assunto vai continuar na ordem do dia.
Foi uma vergonha? Foi!
A Liga vai ao ar? Assim parece!
So what?
O prazo de validade de um caso destes não deveria, no máximo, ir além de domingo. As exéquias deveriam ter sido feitas pelas 23 horas na Sic Noticias por aquele senhor patusco de permanente e óculos de cabeleireira suburbana.
Concedo que a Bola, o Record e o Jogo, pudessem estender a coisa um pouco mais como imprensa especializada, dirigida a um público especificamente interessado (não usei a palavra fanático!).

Agora, por favor, com o desemprego a galopar e a desmentir o governo diariamente, com o clima de emergência que se vive, anda Portugal entretido com a taça da liga?
Será admissível o prolongamento desta noticia no tempo, enquanto os miudos ciganos continuam a viver um apartheid contentorizado e Margarida Moreira continua no cargo?
Ai Portugal, Portugal...

quarta-feira, 25 de Março de 2009

Pena dizer-se aveirense...


O Expresso noticiou hoje que a ministra da educação tem agora uma ideia bem diferente sobre João Pedroso, o irmão de Paulo Pedroso, contratado pelo ministério por ajuste directo com uma verba de 300.000 Euros!
Diz agora a ministra: "João Pedroso reunia todos os requisitos", começou por explicar a ministra, lendo partes do extenso currículo do jurista. "Hoje é relativamente fácil avaliar. Na altura não era fácil dizer que era um 'incumpridor nato'. Foi para mim uma surpresa lamentável!"
A ministra negou que o tenha contratado por amizade ou favor político, pois, e o PS também o indicou para o Conselho Superior de Magistratura pela competência e curriculum!
O trabalho produzido por João Pedroso em três anos traduz-se em 44 pastas de arquivos, com fotocópias de decretos, portarias e diplomas diversos sobre Educação e que estão em caixas fechadas numa sala do ministério, noticiou recentemente o "Público".
Quem dizia no jobs for the boys, deve estar aos saltos; mas o PS garante: not only for the boys, but for the girls too!

Os filhos

Educar I


O Pediatra e psicanalista, Aldo Naouri veio a Portugal lançar o seu best-seller «Educar os Filhos – uma urgência nos dias que correm». Incisivamente, desconstrói alguns dos mitos actuais sobre educação e aponta os erros que muitos pais cometem ao educar, deseducando, os seus filhos.
O casal vem primeiro, e os filhos depois. Se os pais estão bem um com o outro, se estão unidos e se valorizam o casal como a força fundadora da sua família, os filhos vão estar melhor ainda.
As crianças não se desenvolvem apenas com amor. É necessário colocar limites e assumir a autoridade que o papel de pais nos dá. Só assim as crianças crescem e se tornam indivíduos sociais e sociáveis, capazes de pensar nos outros.
A frustração é essencial para a educação das crianças. O papel dos pais não é seduzir os filhos, dar-lhes uma imagem de uns companheiros fantásticos, mas educá-los. Frustrá-los é absolutamente necessário, indispensável para que venham a ser pessoas realizadas e felizes.

Ainda não li o livro todo mas parece muito bom. Gostei do que disse. Termina a sua entrevista com uma explicação fantástica sobre as causas da actual crise económica: “O que não tenho dúvida nenhuma é que a crise económica foi provocada por indivíduos mal educados! Pessoas que continuaram em adultos a comportarem-se como uma criança que acredita estar sozinha no mundo e ser o centro do universo. Um bebé adulto que mete tudo ao seu bolso, sem pensar nas consequências para os outros…”
O problema destas pessoas é que como foram “Mal-Educadas” foram incapazes de desenvolver a Empatia tão necessária para sentir compaixão pelos outros.

Educar II

Platão disse: ”Entendo por educação (paideia) a virtude que as crianças adquirem, em primeiro lugar”. Ela consiste em formar, por intermédio de bons hábitos, os sentimentos mais primitivos, “o prazer, a afeição, a dor, o ódio”, de forma que se articulem espontaneamente com a razão logo que, mais tarde, esta apareça nas crianças (Leis, 653a e segs.). O papel da primeira educação, a mousiké, é formar as crianças, por meios estéticos, a amar o bem e a odiar o mal antes mesmo que elas sejam capazes de raciocinar e de compreender."

terça-feira, 24 de Março de 2009

A Cadeira


Todos nós temos ambições e desejos que nem ás paredes confessamos. Coisas que ficam dentro da lei, mas nem por isso as achamos respeitáveis. Catalogamo-las como as nossas pequenas taras, guardamo-las no nosso intimo com medo do ridículo, achamos que somos os únicos no mundo com pensamento tão extravagante. Engano puro; para cada um destes fetiches há sempre uma pequena legião que a internet se encarregou de unir e de "normalizar".
Com a revelação recente do New York Times, senti-me encorajado a partilhar um sonho de toda a vida. Um objecto de desejo, uma miragem de prazer e realização: A Cadeira!
Não vos falo de uma cadeira qualquer, mas dA Cadeira. Tenho em casa as Cantilever do Mies van der Rohe, a chaise longue do Le Corbusier, a minha mulher ainda não desistiu da Wassily do Marcel Brauer, sabemos os dois que não teremos coragem de gastar o dinheiro na fabulosa poltrona de Charles e Ray Eames, mas o que eu gostava mesmo é da cadeira que nunca poderei ter: a do Comandante Kirk.
A cadeira do Comando da SS Enterprise é algo de mágico. A sua rotação bi-direccional de 90º e o seu balanço frontal, são pura sensualidade. Daquela cadeira vê-se o painel aberto para o universo, tomam-se as decisões que podem alterar o curso da galáxia. É o centro de tudo, para onde convergem todas as atenções aquando de uma instrução difícil, ou um lugar isolado onde Kirk pensa solitário alheio ás movimentações de Sulu, Spock ou McCoy. Quem se senta naquela cadeira, está in charge, não é questionável. Da panóplia de botões dos seus braços, depende a Enterprise e a vida daqueles humanos in search of new worlds and civilizations.
Não será por acaso que muitas vezes Kirk se apoia em pé nas costas da cadeira, sem chegar a sentar-se.
Não terá sido por acaso que escolhi a imagem de Spock, obviamente pela saudação de Vulcano "Live long and prosper", mas pela aceitação de que, por muito que pensasse na cadeira, não me iria sentar nela em pleno direito.
Por esta altura, a minha mulher deverá estar a pensar o mesmo que Barbara, a mulher de Paugh, um dos entrevistados pelo NY Times: “Personally, I think my husband is a nerd.”
Contudo, confesso que me faria um homem particularmente feliz, depois de uma lição dada e ganha em mais um encontro com os Klingon, recostar-me na cadeira, olhar com fascínio e intriga o painel estelar á minha frente e decretar: Mr. Sulu, straight ahead, Warp 5!


"Character cannot be developed in ease and quiet. Only through experience of trial and suffering can the soul be strengthened, ambition inspired, and success achieved." Helen Keller

Taxa de Recursos Hídricos

Se o princípio subjacente a esta taxa é o de utilizador-pagador, cá ficamos à espera da facturinha correspondente à utilização que a Enguia Fresca faz da Ria.

Sinais de esperança


O conceito de esperança é sempre muito relativo quando falamos das relações israelo-palestinianas. Contudo, a expectativa de um acordo para formação de governo entre Ehud Barak, e o primeiro-ministro designado, Benjamin Netanyahu, é um sinal da esperança possível.
Este acordo permitirá a independência do novo governo face à direita radical, viabilizando e enfatizando o prosseguimento das negociações com os palestinianos.
Resta-nos esperar com esperança militante...

segunda-feira, 23 de Março de 2009

Será que ele pensa no que diz?

Começo por referir que simpatizo com candidatura ibérica ao Mundial 2018, mesmo sabendo que certamente nos irão sobrar uns "trocos" do grande negócio que estes eventos sempre representam.
Agora parece-me que anda por aí muita gente, que, fruto dos lugares que ocupa, deveria ter muito mais tino e pensar antes de falar.
Vem isto a propósito das declarações do Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, que podem ver neste documento.



Diz o cavalheiro que a candidatura serve para rentabilizar estádios. Segundo o dicionário online da Priberam, rentabilizar siginifica produzir rendimento, tornar financeiramente vantajoso, tornar lucrativo ou rentável ou tornar produtivos os recursos disponíveis.
Sabendo que Portugal dispõe de 10 estádios construídos para o Euro 2004, poderia entender-se segundo as declarações de Laurentino Dias, que esta candidatura iria servir para rentabilizar os estádios que não são rentáveis, e que todos sabem ser Bessa, Aveiro, Coimbra, Leiria e Faro até porque, ainda nas mesmas declarações, afirma que o Governo só apoia a candidatura se não houver mais investimento em estádios de futebol.
Aqui chegados, vamos consultar a carta-convite que a FIFA enviou às Federações de Futebol a propósito deste Mundial.

Logo no segundo parágrafo desta carta, são referidas as condições necessárias para a candidatura, no que aos estádios diz respeito: "...aproximadamente 12 estádios com uma capacidade mínima de 40000 lugares para os jogos dos grupos e 80000 para os jogos de abertura e final...".
Quer isto dizer que os estádios que Portugal precisa de rentabilizar não se enquadram nestes requisitos, e apenas os estádios da Luz, de Alvalade e do Dragão servem mas só para os jogos de grupos, ou seja, os estádios que mais jogos têm, que mais capacidade têm de angariar outros eventos, seja pela sua localização, seja pela sua dimensão, são os estádios que Portugal tem para apresentar nesta candidatura ibérica.
Mas não ficamos por aqui.
Estando definidos os estádios, como pode um responsável do Governo afirmar que não se vai gastar mais dinheiro neles?
Quem pode garantir que daqui por 9 anos aqueles estádios ainda estão em condições de receber um evento destes?
Quem pode garantir que daqui por 9 anos as exigências técnicas e de segurança para um Campeonato do Mundo possam ser cumpridas nestes recintos?
Isto para já não falar em tudo aquilo que não tem directamente a ver com os estádios ou com o investimento privado na construção e renovação do parque hoteleiro mas que um caderno de encargos deste tipo certamente comporta em termos de infraestruturas de comunicações, telecomunicações, segurança, instalações hospitalares, etc.
É certo que estes não são investimentos em estádios de futebol, mas, se não fosse este evento e na perspectiva da nossa candidatura poder vir a ser a vencedora, será que seriam necessários?
Não li em nenhum órgão de comunicação qualquer "desmontagem" destas declarações. Aparentemente está tudo de acordo com o raciocínio de Laurentino Dias. Ou será que não convém contrariar Sua Excelência?

Acham isto normal?


Hoje de manhã, o RCP, estação da minha preferência, fez um bloco sobre advogados e os limites para aceitação de patrocínio de casos extremos.
Para ilustrar o tema, mandaram para uma faculdade de direito de Lisboa uma jornalista que perguntou a vários alunos se aceitariam defender Josef Fritzl ou Mário Machado!
Tenho repugnância absoluta pelas ideias que conheço de Mário Machado, mas também tenho pelas atrocidades que Bernardino do PC tenta justificar, bem como, em relação a muitos dos pontos da agenda de Louçã e do seu Bloco. Algum dia me passou pela cabeça pô-los no patamar de Fritzl? Por mais profundamente que os reprove, não.
A bem da verdade, para além das questões políticas, Mário Machado está indiciado pela prática de outros crimes. Cabe à justiça julgá-los e decidir se iliba ou condena; se condenar, que seja exemplar como deveria ser com todos os criminosos.
Mas, volto ao pricípio: nem antevendo o pior dos cenários, é aceitável colocar levianamente alguém que ainda goza do estatuto de presumível inocente no patamar de Fritzl. Onde é que a sra. jornalista estaria com a cabeça???

O Sr. Provedor

O "Caso Provedor" é mais um escândalo da República. PS e PSD andaram a brincar com o assunto e foi preciso Nascimento Rodrigues perder as estribeiras para perceberem que o assunto tem mesmo de ser resolvido.
O bloco central encarou o processo como a nomeação de mais um boy: não só colocariam mais um amigo, como garantiriam o controlo de mais uma instituição do estado. Pequeno pormenor, a Provedoria deveria ser um poder independente...
A sucessão de nomes na praça pública só serviu para ir queimando os possíveis provedores. As propostas vincadamente partidárias como António Arnault ou Freitas do Amaral, foram de imediato incineradas; o problema é que a contenda permitiu que se queimassem do mesmo modo nomes credíveis como Jorge Miranda.
O bloco central já provou a absoluta incapacidade para resolver a questão.
Paulo Portas esteve bem ao propor a mediação de Jaime Gama, segunda figura da hierarquia do estado, e a participação séria e discreta de todas as forças parlamentares. Manuela Ferreira Leite, consciente do beco sem saída em que se encontra o processo, aderiu responsávelmente à proposta de Paulo Portas. O PS recusou. Apesar de ter motivo óbvios para confiar em Jaime Gama.
Mas, o problema é outro. Para o PS de Sócrates, tudo serve para afirmação de força e de teimosia, tudo vale para tentar controlar todas as vias do funcionamento do estado. Até a magistratura!

Estados de espirito



domingo, 22 de Março de 2009

Provocação ao leitor

Memórias recentes

Hoje apeteceu-me recordar dois concertos fantásticos a que Aveiro teve oportunidade de assistir num passado recente. Espero sinceramente que voltemos a ter oportunidade de ver performances deste calibre.



sábado, 21 de Março de 2009

Assim não vale a pena


O jogo foi fraco, o árbitro errou clamorasamente e o Paulo Bento tem razão naquilo que disse no fim do jogo.
Apesar de o Benfica ter ganho, o que é sempre motivo de satisfação e de o Quim ter mostrado que lhe fez bem estar parado uns meses, cada vez menos me apetece ver o futebol português.
PS - após ter lido as declarações dos elementos do SCP relativas às conversas entre árbitro e assistentes, fiquei com curiosidade de saber se essas conversas são gravadas. E que bom seria se todos as pudessemos ouvir.

It´s ok to cry


Separados à nascença

Para acabar a noite em beleza...

Angola


A visita do Papa Bento XVI a África começou francamente mal. Não caio na esparrela de discutir o conteudo das declarações papais, mas, com a experiência acumulada que tem, Bento XVI tinha obrigação de saber que aquelas palavras iriam abafar qualquer declaração importante que tivesse a fazer.
Em Angola começou um novo capítulo.
Tal como Portugal precisa de Angola para expandir a sua economia, o Vaticano sabe que o país poderá ser o mais determinante ponto de difusão da fé católica no continente. José Eduardo dos Santos confirmou-o pela importância que deu á visita e pela declaração de Angola como república laica de homens animados pelos valores cristãos.
Contudo, se há uma semana J.E. dos Santos teve Portugal em peso a lamber-lhe as botas sem coluna, nem pudor; hoje, Bento XVI foi bem diferente. O Papa que precisa estratégicamente de Angola, não sacrificou o interesse dos mais desfavorecidos. Corajosamente, o discurso desmascarou a cosmética do regime e mostrou que a Igreja continua sempre ao lado dos mais pequeninos, dos que mais sofrem, dos que mais precisam.
A resposta de J.E. dos Santos foi positiva, esperemos que minimamente verdadeira, porque a coragem merece respeito.
Especula-se frívolamente sobre os sapatos Prada de Bento XVI, hoje ficamos com a certeza que tem calçadas as sandálias do Pescador.

sexta-feira, 20 de Março de 2009

África minha


O deputado José Eduardo Martins, aquele malcriado que teve um comportamento selvagem no parlamento e não se demitiu, esteve esta noite no frente-a-frente do Mário Crespo na Sic-Notícias.
Como se sabe, Mário Crespo dá a cada interveniente um minuto inicial para falar sobre um tema de sua escolha. O deputado-pugilista deu logo um arzinho da sua graça, dizendo que aproveita sempre o seu minuto para dois temas, dando um ar de produtividade impertinente.
De seguida, saca dos temas e, eis o que sai: uma critica ao Papa Bento XVI pelas suas declarações sobre o uso de preservativo durante a visita a África. Mas, o deputado-wrestler achou por bem esclarecer os portugueses sobre os motivos do seu incómodo: é que África é um país com imensos problemas a nível de sida! Faltou dizer que era um país com super-abundância de necessidades!
Sarah Palin tambem discorreu sobre esse enigmático país chamado África, com a atenuante de os Estados Unidos não terem sido protagonistas dos descobrimentos e com o desconto que se dá sempre a uma cara bonita. É a diferença entre a ignorância cómica e a ignorância impertinente...

Disparates


Ao ler a imprensa portuguesa, há 3 coisas que normalmente me conseguem irritar:
As gralhas, coitadas, que nos jornais ou nos nossos textos lá vão aparecendo;
Os erros ortográficos e gramaticais, que cada vez mais nos vão aparecendo;
E, principalmente, os erros da falta de revisão dos textos, que me parecem demonstrar que não há quem faça uma revisão a um jornal antes de o mesmo ser editado.
Reparem na notícia da edição de ontem do Diário de Aveiro (clicar na imagem para aumentar).
Começo pelo título "Bactéria "H. pylori" infecta três terços dos portugueses". Será que ninguém reparou que três terços é igual à unidade? E que a unidade, em termos percentuais, corresponde a 100%? Ou seja, estamos todos infectados. Não há nem sequer um português que possa dizer, eu não estou infectado.
Começamos a leitura do texto. E rapidamente chegamos à conclusão que o tíutlo não é uma gralha. Podia ter havido uma confusão e alguém ter escrito três quando queria escrever dois. Acontece que em Portugal afinal há 75% de infectados. Ou seja, três quartos da população.
Como é possível tanto disparate em tão pouco espaço?

DRENem isto já, sff!


Depois de arquivado o processo disciplinar que lhe tinha sido instaurado, Fernando Charrua, a primeira vitima mediática de Margarida Moreira, resolveu falar. A entrevista á Visão é uma conversa sem papas na língua, é a revelação do estado lastimável a que o PS deixou chegar o país. A prepotência e impunidade com que a responsável pela segregação dos miudos ciganos age, é assustadora num estado de direito. O ministério de Maria de Lurdes Rodrigues não é apenas o coveiro do ensino, é a montra da podridão do regime. A ler aqui!

Diário de Notícias


O Diário de Notícias, um dos jornais que não dispenso diariamente, está de cara lavada na internet. Mais apelativo, dinâmico e com prometida actualização permanente, põe-se a par do que de melhor está a ser feito na área.

Vá dar uma espreitadela aqui.

Nuestros hermanos

Ao ler esta notícia na net fico surpreendido como é possível o nosso Zézito Sócrates ser tão diferente do Pepe Zapatero.
Em Espanha o Governo aceita discutir propostas de outros partidos, que, após algumas alterações, são aprovados por unanimidade.
E são alterações que têm reflexos imediatos na vida das pequenas e médias empresas.
Por cá, vamos esperando.

Teorias da conspiração

Mário Machado, o hammerskin mais mediático da nossa praça, revelou-nos há dias a existência do tio Celestino.
Mário Machado foi entretanto acusado, apresentado a tribunal e já está em prisão preventiva.
A coincidência temporal entre os dois factos estimula as imaginações mais férteis.
Ou Mário Machado tinha noção da eminência da sua prisão e revela a notícia do tio Celestino no Forum Nacional, para condicionar politicamente a sua relação com a justiça; ou então é mais uma daquelas coincidências chatas...

Gran Torino


Não acredito que este seja o último filme de Eastwood. Talvez como actor. Aí sim, há um final para o personagem que se confunde demais com o actor. Walt aparece declaradamente como o fim da linha de todas as encarnações anteriores de Eastwood.
O filme é brilhante a todos os níveis: música de excepção, fotografia de luxo, timing perfeito, uma optima história, bons actores e Clint Eastwood a realizar e protagonizar. Alguem quer mais alguma coisa??? Não hesito em declara-lo a obra-prima da temporada.
Em alguma coisa este filme tocou o Vale de Elah e o Lions for lambs: são filmes de guerra, do que perdura da guerra dentro dos homens. São filmes de uma americanidade interior, tão orgulhosa quanto amarga e dificil.
Na essencia, há um percurso de expiação e redenção. Mas, é também um ritual de iniciação, uma passagem de testemunho, um manifesto de esperança na natureza humana, frio e realista, mas suficientemente sensível e emotivo.
Em torno deste percurso complexo, há uma história lindíssima e intensa.
Há um homem solitário, independente e, acima de tudo contraditório, que nos fala como muito poucos sabem.
Como diria Walt, a hell of a fuckin great movie!

quinta-feira, 19 de Março de 2009

O CDS e a Europa


Como ponto prévio, quero deixar claro que o facto de já se conhecerem alguns cabeça de lista ao Parlamento Europeu, em nada deve condicionar o tempo de escolha e a qualidade de escolha do CDS.
Tal, não livra o partido da escolha e, sendo as europeias o primeiro de três rounds, convêm que vá a votos a melhor equipa disponível. Não acho que estas eleições determinem as seguintes, mas podem criar um factor de conforto importante.

De entre os militantes activos, o partido tem dois nomes fortíssimos: António Lobo Xavier e Luis Nobre Guedes (pela amizade que me une aos dois, a ordem de apresentação foi meramente alfabética). Com personalidades diferentes, são ambos homens do partido com uma projecção social que ultrapassa largamente as fronteiras do aparelho. Têm ambos percurso profissional de topo e independente da política, pensamento próprio e espirito livre. Lobo Xavier e Nobre Guedes têm o perfil daqueles que os portugueses gostariam de ver mais envolvidos na política.
Partidáriamente, é conhecida a independência e algum distânciamento de ambos em relação a Paulo Portas; a candidatura de qualquer um dos dois seria sinal de união e engrandecimento do partido. Geralmente, estas uniões de esforços e compromissos são compensadas em votos.

Outra via, será Paulo Portas recrutar um valor da dita sociedade civil. Ao fazê-lo, teria de surpreender; uma figura esgotada como Bagão Felix pouca ou nenhuma mais valia traria em termos eleitorais.
Paulo Portas mantém a capacidade de surpreender, é muito atento e é um bom "head-hunter". Personalidades independentes e com nitido desejo de participação cívica, como por exemplo Rui Moreira, ou numa geração diferente Ludgero Marques, seriam uma mais valia em face do painel de concorrentes para já conhecido.

De fora, ficarão dois candidatos a que reconheço qualidade: Maria José Nogueira Pinto e José Ribeiro e Castro. Infelizmente, cada um à sua maneira, encarregaram-se de inviabilizar perante o partido e perante o país qualquer tentativa de recuperação, por mais bem intencionada que fosse...

Ao escrever isto, não faço a menor ideia da disponibilidade pessoal e profissional dos citados, tão pouco o partido discutiu o que quer que seja sobre a matéria, tudo não passa duma reflexão sobre o que considero os cenários mais desejáveis.

Dia do pai II

Pois é, é uma piroseira. É uma piroseira daquelas de que não consigo não gostar. É sentimento puro, e os pais são isso mesmo, sentimento puro. O meu, é o melhor do mundo. Espero que o da minha filha também.

Dia do Pai


Porque hoje também é o meu dia.


quarta-feira, 18 de Março de 2009

Monoblocos


Afinal nós não percebemos nada do assunto.
Segundo a (ir)responsável da DREN, os alunos de Barqueiros têm aulas em monoblocos!
Já alguma vez viram um porta-monoblocos a manobrar em Leixões?
Mas há mais.
Ainda segundo a mesma cavalheira, há milhares de monoblocos em escolas de todo o País, devido às obras em curso. Ora milhares significa que serão, no mínimo, 2000 as salas de aula a funcionar em monoblocos. Era interessante saber a sua localização para termos uma ideia mais precisa das obras que decorrem no parque escolar e que obrigam a estas soluções transitórias.

Aveiro

Porque a Enguia é Aveirense, até parecia mal não ter nos nossos blogues locais qualquer referência a Aveiro.
A partir deste momento está lá o link para Os Amigos d'Avenida, uma plataforma aberta de discussão sobre Aveiro.

Eficácia


Com eficácia impressionante, a máquina de comunicação socialista limpou o apartheid das notícias de hoje. TSF, RCP, Antena1, RR: nem um piu! E a horrenda Margarida Moreira continua, impunemente. Por este caminho, se eu tivesse um filho negro, não o deixava ir ás aulas de biologia. O seguro morreu de velho...

Num3ros

Notícia do Público de hoje:

"Relatório revela epidemia de HIV e sida na capital dos Estados Unidos
18.03.2009, Rita Siza, Washington
Três em cada dez habitantes com mais de 12 anos na cidade de Washington, capital dos Estados Unidos, estão infectados com o vírus HIV ou sofrem de sida, concluiu um estudo epidemiológico do Departamento de Saúde local. Mas de acordo com organizações locais que trabalham com a doença, a estimativa oficial peca por defeito, e população infectada pode ultrapassar os cinco por cento."


Se 3 em cada 10 habitantes estão infectados, é uma calamidade, não é uma epidemia! Corresponderia a 30% da população! Depois, a reporter em Washington, avisa-nos que os numeros reais podem ser piores e ultrapassar os 5%! Um verdadeiro problema matemático, capaz de fundir um Magalhães. Ou serão apenas efeitos perversos da diferença de fuso horário?

A carga pronta e metida nos contentores


Que tal enviarmos a ministra e a sua ajudante de campo para um destes? Com ventilação, claro! São as duas da mesma raça: de má raça, como se diz na minha terra.

terça-feira, 17 de Março de 2009

"Crime e castigo
Um pai que provoca a morte do filho por dele se ter esquecido no carro comete um crime horrendo mas não é um verdadeiro criminoso. Tudo dentro de si se revolta contra uma morte assim.
Qualquer pai, estou certo, trocaria a sua própria vida pela do bebé que desamparou. Hoje, o dilema maior é que os nossos filhos precisam que lhes dediquemos tempo que tenha tempo – justamente aquilo que o incessante redemoinho em que vivemos não consente.
Chico Buarque, no ‘Pedaço de mim’, cantou que "a saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento (…) a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu". Aquele pai de Aveiro vai sofrer o castigo mais penoso que existe. Espero que a Justiça não tente agravar-lhe o suplício - porque seria inútil e apenas cruel."

Carlos Abreu Amorim, professor universitário, publicado
aqui.
Gostava de ter escrito isto, não concordando a maior parte das vezes com o que o CAA escreve.

CAVACO e a Lei de Gresham...


De novo Mário Crespo, de novo com um artigo de opinião que, na minha opinião, põe, uma vez mais o dedo na ferida e aponta o outro dedo a realidades políticas, estratégicas, tácticas, incontornáveis neste nosso pequeno Portugal.
Notável a passagem "Ao dizer que não tem soluções para as vítimas do descalabro que há três décadas estava em gestação no país onde ocupou os mais elevados cargos, o presidente da República dá à Nação a mensagem de que nem ao mais alto nível há o sentido da responsabilidade nem a cultura de responsabilização.".

E ninguém corre com estas duas de vez???


Junta desmente que pais tenham dado autorização à concentração de ciganos
O secretário da Junta de Freguesia de Barqueiros, António Cardoso, garante que o comunicado da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) sobre a concentração de alunos ciganos numa só turma na escola EB1 de Lagoa Negra, Barcelos, “é uma farsa”. O autarca põe em causa o acordo que a DREN afirma ter estabelecido com matriarca da comunidade cigana que, entretanto, também já hoje lhe desmentiu este entendimento.

Apartheid


O nome da escola é irónico: Lagoa Negra. Nesta escola de Barcelos, foi colocado um contentor onde uma turma de 17 alunos ciganos tem aulas. A turma mono-étnica e contentorizada é do conhecimento do ministério da educação.
Hoje, a inclassificável sra. da DREN veio justificar o injustificável. Diz a protegida da ministra, que se trata de uma fase de um processo de inclusão e de mera discriminação positiva!!! Que é de salientar que o contentor tem boa ventilação e climatização!!!
Vem-me à cabeça um sem fim de situações de discriminação positiva, do tempo em que as fontes de água destinadas aos negros já tinham água potável, em que os bancos dos autocarros em que se podiam sentar tinham caracteristicas idênticas aos dos brancos...
Este ministério da educação é sinistro, Maria de Lurdes Rodrigues é uma nódoa do regime e Margarida Moreira é uma vergonha para cada português.
Só me ocorre dizer: Para a rua! Já!


Monarquia sempre!




Foram agraciados com o Prémio Norte-Sul, o ex-presidente Sampaio e a Raínha Rania da Jordânia. Eu já tinha 1001 motivos para ser monárquico, fiquei com 1002.

A não perder

Quando a tormenta assume proporções de catástrofe, há poucos ancoradouros fiáveis, com alicerces suficientemente profundos e sólidos. Gosto sempre de ler e de ouvir o Prof. Adriano Moreira, a sua sabedoria dá-nos sempre bons pontos de reflexão nos momentos mais conturbados. Vale a pena ler a sua crónica de hoje no DN aqui.

segunda-feira, 16 de Março de 2009

EUA vs PORTUGAL

Bernie Madoff está preso e será julgado por fraude. Entretanto, todos os seus bens estão já a ser confiscados. Para além dos seus bens, serão também confiscados os bens de Ruth, sua mulher. A isto, chama-se justiça que funciona.
Por cá, vamos ver como fica o património de Oliveira e Costa & comandita e a troupe do BPP...

O Príncipe Verde


Não tem tido o mediatismo, nem o impacto na opinião pública, de Al Gore. Compreende-se, Al Gore é um showman que a esquerda assumiu como seu, Carlos é o herdeiro do trono britânico: a esquerda não transige nestas coisas. Curiosamente, vistas as coisas sem preconceitos, a orientação política e social de Carlos é manifestamente mais à esquerda do que Al Gore algum dia esteve, ou estará.
Enquanto Diana geria a sua carreira nos tabloides e Al Gore sonhava com o Air Force One, já o Príncipe Carlos falava de dois temas centrais na sua acção pública: o desenvovimento sustentado e a preservação e aggionamento das tradições ao nível da arquitetura, artes, artesanato, etc.. Lembro-me perfeitamente de ouvir comentários pouco abonatórios quando há muitos anos o Príncipe introduzia o ambiente como tema central nas agendas das suas visitas pelo mundo. Os seus projectos de agricultura biológica eram olhados com desdém, e as suas previsões pessimistas como uma bizzarria.
O tempo encarregou-se de lhe dar razão e, irónicamente, o recém chegado Al Gore veio confirmar que Carlos não é um radical, tipo greenpeace em traje de Saville Row.
O Príncipe encontra-se num périplo pela América Latina, com ida às Galápagos incluida, numa evocação de Darwin e com uma mensagem muito concreta a todos os chefes de estado com quem se tem encontrado. 100 meses, é o prazo que Carlos aponta como o limite antes da irreversibilidade total.
Carlos não poupa nos tons do quadro e adverte para a catástrofe social que os efeitos do aquecimento global acarretarão. As grandes migrações provocadas pela fome, pela seca nuns lados e pelas cheias noutros, a redução drástica de área útil do planeta, os recursos cada vez mais limitados e a sua distribuição. A previsão é aterradora e nada a desmente.
Do que tenho lido na imprensa da região, o Príncipe provocou uma "onda positiva" e coleccionou promessas e compromissos. Excepção feita, pela negativa, ao presidente do Equador que não o quis receber no seu dia de descanso...

100 meses! É melhor começarem a deixar de ver o Príncipe como um extravagante, amanhã faltará menos um dia.

Sem comentários...


domingo, 15 de Março de 2009

Fotocópias


Há fotocopiadores que devem usar um toner super hiper especial e papiro egipcío antigo.
Pelo menos a acreditar nesta notícia do Público.

Castro e a Europa


Ribeiro e Castro está numa ofensiva mediática para tentar segurar o seu lugar no parlamento europeu. Não me choca minimamente, tem trabalho feito, é dedicado e seria injusto sugerir que o seu principal motivo é segurar o "tacho". Ribeiro e Castro parece gostar genuinamente do lugar e ter vocação para o seu desempenho.
O problema de Castro volta a ser a gestão política dos assuntos. Mandar á frente José Paulo Carvalho, é assegurar a antipatia de todo o partido á ideia da sua candidatura e dar a ideia de sede de poder a qualquer custo.
Alimentar uma pequena claque sem escrúpulos, que vive de uma guerrilha estéril, de mails anónimos e com espirito de seita, nada ajuda á sua reintegração.
As entrevistas que tem dado, mostrando um ressabiamento exagerado, um azedume mal digerido, dificultam de sobremaneira a boa vontade de quem o queira ajudar.
Aparecer Narana Coissoró a falar nos termos em que fala, parece mais uma provocação gratuita do que uma sugestão bem intencionada.
A candidatura de Castro faria sentido se fosse um momento de reunficação do partido, se o próprio tivesse demostrado alguma vontade de que tal acontecesse, se os seus apoios fossem credíveis e construtivos, se a sua candidatura não fosse apresentada como uma afronta.
Sou dos que gostava que estivessem reunidas as condições para Ribeiro e Castro poder integrar a lista das europeias em lugar elegível; infelizmente, são os seus próximos, e o próprio, que activamente mais contribuem para inviabilizar esta possibilidade.

sábado, 14 de Março de 2009

Pequeno apontamento (pessoal)...

“Nenhuma mentira chega a envelhecer no tempo”
Sófocles, in “Acrísio”

To whom it may concern…

E depois do adeus...


José Paulo Carvalho, o deputado independente que ficou com o lugar que seria por direito do CDS. O tal lugar para onde nem sequer foi eleito directamente. Veio hoje opinar sobre quem deveria ser o cabeça de lista do CDS às eleições europeias!
É estraordinário! De facto, lata não lhe falta! Quererá um estatuto especial para participar na vida do partido, depois de o ter abandonado? Será que não percebeu que pode reter indevidamente o lugar por um detalhe legislativo, mas que nada mais tem a ver com a vida do CDS? Será que ambicionou apenas a ser mais uma vez notícia?
Por este caminho, e sem compradores interessados á vista, vai ser um penoso rastejar até Outubro...


S.S. o Papa Bento XVI é muitas vezes acusado de inflexibilidade e frieza. Nunca encontrei o mínimo de justiça nestas acusações que, têm por base argumentos tão sérios como o facto de ter nascido alemão. Quem viu a visita a Auschwitz, não esquecerá e ficou com a noção clara da dimensão de Bento XVI.
Por manifesta falha dos serviços políticos do Vaticano, foi levantada a excomunhão a três individuos que usaram a Igreja para a propagação do mal.
Verificada a incongruência e gravidade da situação, Bento XVI apressou-se a corrigi-la.
Na missiva, endereçada aos bispos de todo o mundo e ontem divulgada pelo Vaticano, Bento XVI reconheceu que a sua decisão de readmitir na Igreja Católica os quatro bispos da Fraternidade Santo Pio X foi mal explicada pelas autoridades religiosas. E admitiu que o Vaticano devia ter investigado mais a fundo o passado dos religiosos em questão e prometeu que, a partir de agora, estará mais atento às informações disponíveis na Internet. Num tom que o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse à AFP ser "pouco habitual" e "muito pessoal, o Papa lamenta as "divergências" que surgiram dentro da própria Igreja, bem como as críticas de que foi alvo, com alguns sectores a porem em causa a sua liderança.
Mais do que qualquer decisão mal fundamentada, a humildade do sucessor de Pedro, a preocupação com a reposição da justiça, devem fazer-nos reflectir.

Boa notícia

Escrevi aqui há dias a minha indignação com a promessa de excomunhões do arcebispo de Olinda e Recife.
Num exercício que nunca é fácil, a Igreja Católica veio, através da Conferência Nacional de Bispos do Brasil, esclarecer que nem os médicos, nem a mãe, muito menos, a menina, serão excomungados.
A interpretação diplomática foi ligeiramente esfarrapada e, entretanto, já muito mal se fez ao negar sigilo e privacidade ao caso. Porém, este recuo, este sinal de sensibilidade e bom senso, mostra que a igreja dos homens está atenta e preocupada em ser Igreja de Deus.

sexta-feira, 13 de Março de 2009

Tudo bons rapazes II


Mário Machado, o skinhead mais mediático cá da terra, é imparável. Como se já não bastasse a Zézito o tio Júlio, o skin revela-nos agora o tio Celestino!
Celestino, o tio materno que ainda não sabemos se também trata Sócrates por Zézito, também será dado às coisas das off-shores.
No site radical Forum Nacional, Machado mostra documentação explicativa das manobras do tio Celestino e como este num ano terá transaccionado mais de 100 milhões de €uros. Esperemos que tenha sido tudo legal e que os devidos impostos tenham sido pagos...
Ainda ninguém negou a documentação apresentada.
Mário Machado explica como lhe chegou ás mãos: "Estava em casa, tocaram duas vezes à campainha. Quando abri a porta, vi um cobertor. Desenrolei-o e lá dentro estava a documentação. Se for chamado, será isto que direi na Polícia Judiciária."

Certezas


A noite de hoje adivinhava primavera, o ar fluia sem nos cortar a cara, o movimento da avenida denunciava os anseios anónimos de melhores dias.
Nestes passeios noturnos hesito sempre entre o iPod e o barulho das ondas. Em particular, a seguir ao Homem do Leme, a pequena baía de seixos roliços e soltos acolhe o desfazer das ondas com uma sonoridade inimitável. Ao largo, os barcos que buscam Leixões, compõem o quadro sob a guarda da lua. Ia jurar que a par do barulho do mar, me acompanhou sempre o "Gracias a la vida", Violeta Parra, tão discreta e tão presente como a lua...
E, a pensar na vida, como sempre nestas alturas, dei por mim contente, não tanto com o que já aprendi, mas com o que estou disposto a aprender. Vieram-me á cabeça as vezes que me vi posto em causa e em que felizmente consegui ver novos caminhos. Lembrei-me de Virgilio Ferreira quando dizia que a verdade é um erro á espera de vez.
Dei graças a Deus por me ter sempre afastado das certezas absolutas quanto às minhas certezas.

quinta-feira, 12 de Março de 2009

A acabar o dia...

The lady wants to know - Michael Franks em versão Reunion, a super-banda efémera onde pontificou, por exemplo, Eric Marienthal. Este video foi gravado no mítico concerto de San Javier em 2007.

Tudo bons rapazes


Evo Morales mascou uma folha de coca na reunião de ontem do comité anti-droga da ONU, em Viena. Com este gesto, Morales exige a retirada da coca da lista de substâncias ilícitas que vigora desde 1961. O argumento é que coca e cocaína são coisas diferentes; uma coisa à iraniana, tipo urânio enriquecido e armas nucleares também são coisas muito diferentes.
O que quererão então fazer com a produção desenfreada de coca? Chá infofensivo para o mundo inteiro? Dá-la a mascar a toda a população, dado criar a ilusão de matar a fome? Comercializar a nível global as mézinhas indigenas para os calos e dores de cabeça?
Não me parece.
Todos conhecemos o perfil deste senhor e de quem o apoia. Temos sérios motivos para estar preocupados com a expulsão da DEA do país. Tudo leva a crer que apenas queira passar a fazer na legalidade aquilo que já faz na clandestinidade. O mercado para a folha de coca é local e limitado, a sua exploração em grande escala só se justifica económicamente com o mercado de estupefaccientes em vista.
Para além deste desafio insolente e grave à ONU, Morales disse: "Eu consumi folhas de coca durante dez anos e se realmente ela tivesse os efeitos aqui descritos eu jamais teria chegado a presidente da República". Pois, olhando para Morales e para a Bolívia, eu permito-me achar precisamente o contrário!

At a dinner party one should eat wisely but not too well, and talk well but not too wisely.
W. Somerset Maugham

Semi-simplex

A propósito desta notícia do JN relativa aos novos dados do recenseamento eleitoral, pergunto-me que raio de sistema é este que consegue de uma forma automática recensear todos os novos eleitores mas não consegue abater os que mudaram de residência e os que faleceram.
Assim, e de acordo com a notícia, o número de eleitores recenseados é superior à população residente, o que não deixe de ser mais um feito fantástico deste Governo.
Um outro dado da mesma notícia, mas não disponível online, é que o Distritos de Aveiro, Porto, Braga e Vila Real ganham mais um deputado cada um, enquanto que Coimbra e Castelo Branco perdem um cada e Lisboa 2.
O peso do Norte é reforçado mas parece-me importante salientar que, com excepção do Porto, os Distritos "ganhadores" são aqueles com universidades recentes e onde há muitos estudantes que optam por passar a residir ao terminarem a carreira académica.

Rádio Comercial


30 anos a dar-nos música é muito tempo.
Continua a ser a estação da minha preferência, especialmente naquela hora difícil entre o despertar e o começar a trabalhar, em que a "loucura" do Programa da Manhã me faz melhor que 2 cafés.
E não esqueço aquele programa que me ensinou a gostar de alguma música que ainda hoje é, na minha opinião, a boa música. Falo do Rock em Stock, grande companheiro das tardes de estudo.

Monument


Trabalho da artista plástica Jenny Holzer em exposição no Whitney Museum, Nova Iorque. The Monument é um trabalho composto por 22 arcos de leds de dupla face. O efeito é o que se vê na fotografia.

quarta-feira, 11 de Março de 2009

No Blasfémias

"Democracia é o regime que tende para um equilíbrio de forças em que a classe média se explora a si própria." - João Miranda

Os nossos novos amigos


Foi-nos instilada desde tenra idade a amizade com a Grã-Bretanha, nossos mais antigos aliados, nação amiga e confiável. Depois veio o caso Maddie, a descida da libra e o caso Freeport, que ameaça arruinar em definitvo esta tão longa amizade.
Com a França havia o laço fortíssimo da maior fatia dos nossos emigrantes e havia um enlevo cultural e político, principalmente da esquerda.
Os americanos eram bons clientes, aliados fiáveis; para os atlantistas, onde me incluo, são o nosso vizinho, o nosso parceiro preferêncial, como caução de independência e dimensão numa Europa de tantos.
Sem ignorar as particularidades normais do relacionamento entre estados e do xadrez político internacional, podiamos dizer que andávamos com boas companhias.
De alguns anos a esta parte, com um contributo decisivo de Sócrates, onde está Portugal?
Afastado dos tradicionais parceiros europeus, pisca o olho sem resposta a Espanha, inimigo de longa data.
Cada vez mais irrelevante para os americanos, elege como melhor amigo no continente o tiranete Chavez.
Em vez de procurar activamente mercados diversificados em África, candidata-se a ponto de chegada dos dinheiros angolanos, como parceiro menor e submisso do cleptocrata dos Santos. É confrangedora a disputa entre Cavaco e Sócrates quanto aos afetos do déspota de Luanda.
No próximo fim de semana, Severiano Teixeira estará na Líbia a intensificar as relações e cooperação entre os dois países.
O dever do governo é procurar as parcerias mais vantajosas de forma pragmática; mais relevante que os bons pricípios, são os bons negócios. Não tenho ilusões, muito menos hipocrisia, quanto a esta realidade. Mas, para além dos negócios, há a política externa, a diplomacia e, acima de tudo, a soberania e a respeitabilidade internacional. Lembro aqui a França que sempre negociou com os maiores facínoras do mundo, mas na maior discrição, dando a maior atenção aos seus aliados políticos tradicionais.
Portugal, manifestamente, afastou-se de Brown, de Sarkozi e de Obama para caír nos braços de Chavez, de José Eduardo dos Santos e de Khadafi. Os nossos dirigentes sentir-se-ão bem assim; eu não.

Literatura Juvenil

Será que quando Enid Blyton criou as aventuras dos Cinco, dos Sete ou do Noddy, estaria a pensar que muitos anos mais tarde dois acontecimentos do mundo do futebol iriam recuperar todos estes heróis?
Já quanto a Hergé e o seu Tintim, As Sete Bolas de Cristal, será que o cristal é da Baviera?

Angola foi nossa...

Os últimos 120 anos foram de intensa transformação. Os nossos avós assistiram a duas guerras mundiais, a novos mapas da Europa e do mundo, ao homem na lua. Os nossos pais, e nós próprios, habituamo-nos a um desenrolar da história cada vez mais rápido e surpreendente.
Fundamentando a tese da reversão dos ciclos históricos, a nossa geração vai poder dizer que assistiu à primeira reversão da colonização. Angola antiga provincia ultramarina portuguesa, regressa à esfera política e económica portuguesa, só que desta vez como potência, como líder neste novo formato de colonização. Show me the money and I'll know who rules...
Não consta que nos idos dos descobrimentos os portugueses tenham tido tão faustosa recepção, nem tanta bajulação dos sobas locais.

terça-feira, 10 de Março de 2009

As pontes (ponto)

O senhor ministro conseguiu uma vitória. O IVA das portagens das pontes continua a 5%.
Uma vez mais com uma justificação fabulosa, "esta medida não distorce, de forma alguma, a concorrência entre Portugal e outros países".
Pois não, senhor ministro.
Mas será que esta medida não distorce a concorrência entre empresas de Almada e Alcochete que operam na zona de Lisboa (pagam 5% de IVA nas portagens e uma das passagens é de borla), e, por exemplo, empresas de Santa Maria da Feira ou de Famalicão que operam na zona do Porto, que pagam o IVA a 20% e a portagem nas duas viagens?
Provavelmente não, a malta aqui de cima é que tem a mania da perseguição.

Das três virtudes teologais, a maior será a caridade...

Para mim, este é o post mais difícil de escrever até hoje. Sou um activista pró-vida convicto, abomino o aborto e qualquer legislação que abra portas à sua facilidade. Sou crente, católico, frequento assiduamente a Igreja e tento, com as limitações pessoais de homem imperfeito, ser praticante.
No Brasil, em Pernambuco, uma menina foi sistemáticamente abusada pelo padrasto desde os seis anos. Agora, com nove anos, 1,36 metros e 33 quilos, a menina que se queixava de dores de barriga agudas e mal estar geral, foi internada e foi-lhe diagnosticada uma gravidez. Eram gémeos. Os médicos e a mãe, perante o risco de vida da menina, optaram por salvá-la e levaram adiante o aborto. A menina está a recuperar, pensando ter-se tratado de uma infecção intestinal por parasitas.
Estamos perante dois factos horríveis e uma decisão terrível. Primeiro, uma criança inocente, desprotegida, abusada, violada repetidamente por um elemento da família. Depois, o aborto, a morte de dois seres humanos inocentes, também eles desprotegidos, vulneráveis. Por fim, a decisão terrível dos médicos e da mãe: escolher entre que vida salvar; uma decisão humanamente impossível, que nunca tem um desfecho satisfatório.
Esta situação é uma tragédia para todos os envolvidos e, exceptuando o padrasto que deveria passar o resto da vida atrás de grades, os restantes envolvidos deveriam poder seguir com a vida em paz. A minha maior preocupação é com a menina, como será possível devolver-lhe alguma da felicidade a que toda a infância tem direito, como assegurar que o seu futuro ultrapasse as marcas deste passado sombrio.
Para minha enorme perplexidade, vejo o arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho, excomungar publicamente a mãe da menina e os médicos que a trataram. De fora da excomuhão ficou o padrasto violador, porque para o arcebispo a situação resume-se assim: "Ele cometeu um crime enorme, mas não está incluído na excomunhão. Foi um pecado gravíssimo, mas, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente".
O Vaticano veio em auxílio do arcebispo, considerando a pena justa, dizendo que o valor da vida deve ser sempre protegido acima de tudo.
Estou plenamente de acordo com a defesa intransigente da vida, mas que diriam estes ilustres prelados caso a opção fosse a oposta? E se deixassem morrer a menina para salvar os gémeos? A vida dela valeria menos? Seria bem vista pela via sacrificial absoluta que teria sido a sua vida?
Fiz duas campanhas pela vida acompanhado de padres católicos que sempre disseram com enorme sensibilidade, que num caso de violação, o aborto seria sempre uma tragédia, mas que ninguém em consciência poderia julgar ou condenar a mulher ou intervenientes, dadas as circunstâncias extremas da situação. Neste caso, a menina nem sabia da sua situação; foram os adultos que, em face de dois males, optaram pelo que lhes pareceu menor.
Há casos em que, um silêncio prudente da Igreja dos homens, serviria muito melhor a Igreja de Deus.
A menina precisa de condições, protecção e anonimato. O arcebispo negou-lhe tudo isto.
No Evangelho de hoje, Mateus lembra-nos um aviso feito por Jesus Cristo sobre os doutores da Lei e os Fariseus: "Atam fardos pesados e insuportáveis e colocam-nos aos ombros dos outros, mas eles não põem nem um dedo para os deslocar."
Esta menina teve a sua curta vida dominada pelo mal, pelo demónio ou que lhe queiramos chamar, é mais do que tempo de deixar que Deus entre na sua vida; a Igreja deveria ser a primeira a abrir a porta.

Desabafo

Tenho a clara noção que Portugal precisa mesmo de se sujeitar a esta coisa com Angola; é o interesse do país que o dita. Mas, não consigo deixar de sentir o país como uma daquelas senhoras desesperadas que não se pode dar ao luxo de escolher o cliente.

segunda-feira, 9 de Março de 2009

As pontes (cont.)

Pois aqui está a opinião do Sr. Ministro.
Para não prejudicar muitos milhares de portugueses - aqueles que usam as pontes de Lisboa - prejudiquem-se alguns milhões que são todos aqueles que não usam as pontes.
Isto sim, é governar.

Regulador ou talvez não

Há muitos posts atrás referi aqui a minha discordância quanto ao papel que o BdP (não) estava a desempenhar no controlo da publicidade dos instrumentos de crédito postos à disposição dos particulares.
Na altura, antes ainda dos casos BPN e BPP, poucos estaríamos à espera que a realidade fosse muito pior do que aquilo que se pensava.
Mas temos sempre ouvido o Governador do BdP dizer que a instituição a que preside não podia fazer mais, etc., etc.
Hoje, O Sol dá relevo ao papel que o BdP vai começar a assumir enquanto verdadeiro regulador do sector bancário pelo menos ao impor o seu parecer prévio à publicidade de certos produtos bancários.
Resta saber qual a razão de só agora o BdP ter passado à acção. E não me parece que restem muitas dúvidas que só agora o faz porque nunca se preocupou com este aspecto da vida real que afecta tantos milhões de portugueses e só sob pressão é que esta entidade faz algum trabalho.

As pontes

Não vos falo das pontes de calendário, que são bastantes este ano, mas sim das pontes de Lisboa. Ou melhor, das pontes que dão acesso a Lisboa para todos aqueles que optaram por morar na chamada Margem Sul (como se todos os outros rios não tivessem também uma margem sul) e trabalhar em Lisboa.
Como é do conhecimento geral, para circular naquelas pontes é necessário pagar portagem quando se entra em Lisboa. E essa portagem é tributada à taxa reduzida de IVA, tal como outros bens essenciais como os alimentares, os medicamentos ou os livros.
Acontece que quem circula em todas as outras estradas portajadas em Portugal tem de pagar o IVA a 20% e não a 5%, havendo aqui um claro favorecimento dos habitantes da Grande Lisboa.
Toda esta conversa a propósito de pontes e portagens tem a ver com algo que ouvi num noticiário da rádio esta manhã.
Reúne-se hoje o Conselho de Ministros das Finanças da Comunidade Europeia para discutir algumas propostas de redução das taxas de IVA na contrução e na restauração. E o nosso Governo ameaça vetar estas propostas se os outros países insistirem na tributação das portagens das pontes do Tejo à taxa normal de IVA.
Ou seja, temos um Governo que se preocupa em defender uma minoria de cidadãos, não se preocupando com aquilo que as medidas em discussão podem trazer de positivo à economia nacional e que aproveita esta situação para chantangear os nossos parceiros europeus.

domingo, 8 de Março de 2009

MILK

Fui finalmente ver o Milk. Foi difícil, mas valeu a pena.
Começando pelo princípio, o filme abala sem piedade os que, como eu, se acham tolerantes e nada homofóbicos. Há uma simpática facilidade em enterrarmos a nossa homofobia latente quando ligamos a homossexualidade a personagens românticas como Antoine Blanche ou Sebastian Flyte, a homens do calibre de Summerset Maugham, a casais do gabarito de Saint-Laurent e Pierre Bergé. Têm uma allure alternativa, o charme do mistério, mas o mais longe que vamos é imagina-los a discutir a compra de um Basquiat, a trocar petit-fours em robes de seda num riad de Marrakesh ou, ao limite, a dançarem Gloria Gaynor frívolos num bar de South Beach. Convenientemente, nunca ultrapassamos a porta do quarto, o que nos permite ser civilizados e abertos.
Nos primeiros minutos do filme, há uma cena de engate nas escadas do metro, beijos na boca e uma cena de sexo. Num ápice, viramos a cara, sentimo-nos desconfortáveis e lá se vai o nosso lado politicamente correcto. Quando se trata de Sean Penn, um tipo duro que admirávamos, a coisa torna-se ainda mais difícil.
Gus Van Sant filma a realidade nua e crua, sem rodeios nem falsos moralismos; a cor, o grão, o movimento de câmara, oscilam entre o biopic e o documentário. Sem romantismo, mostra-nos um Milk que se assume como uma "bicha", manipulador, frio quando necessário, ambicioso e promíscuo. Um homem que foge de uma cidade por falta de coragem para assumir a sua condição e que, chegado a uma nova cidade, vê a oportunidade de criar uma nova vida de sucesso às custas da condição que o fez fugir. Milk é o político em estado puro, vê uma oportunidade e agarra-a; vê uma possível comunidade e lidera-a, organiza-a, dá-lhe dimensão e espaço. Tem uma noção perfeita da mensagem e do tempo, do poder da rua e da força dos media. Pragmaticamente, troca amigos por oportunidades (viria a custar-lhe a vida), princípios por eficácia.
Até agora, parecerá que detestei Harvey Milk. Nada mais errado. O facto de Gus Van Sant nos mostrar o homem real, coisa inédita nas análises biográficas, não retira a Milk o mérito de ter lutado por uma causa que precisava de um líder, de ter ajudado uma comunidade incompreendida e, muitas vezes perseguida.
Vemos hordas de gente muito diferente de nós, com modos de vida alternativos ao nosso, mas, ainda que o diferente nos assuste, falamos de gente que tem direito ao seu lugar no mundo, a ser respeitada e a ser protegida de qualquer tipo de discriminação; afinal, essa coabitação em respeito mútuo permanente é o mínimo exigível a quem se tem por humano e civilizado.
Do outro lado, surge a América hiper-conservadora e ultramontana, moralista e hipócrita; os fariseus que tanto incomodaram o próprio Reagan e estiveram na base da perdição de George W.. Eles ajudam-nos a perceber a estupidez da exclusão, a sobranceria da intolerância, a arrogância da pretensa superioridade moral. Dão-nos vontade de marchar ao lado de Milk!
É um filme a ver, uma obra que nos confronta com a nossa posição perante a realidade e não perante os estereótipos confortáveis de que nos socorremos frequentemente. É a constatação de que não temos de gostar de determinada realidade ou circunstância para lhe termos o devido respeito e atribuir a devida dignidade. Ás vezes precisamos de um abanão assim.
Ah... e ainda que custe, Sean Penn faz mais um papel impressionante.

sábado, 7 de Março de 2009

AINDA OS PAINÉIS SOLARES



Ainda a propósito da campanha dos Painéis Solares, a já característica grosseria dos deputados fez esquecer o tema relevante:

O Estado Português vai contribuir a fundo perdido com – leia-se, vai pagar - €1.641,00 por equipamento adquirido e instalado por cada um de nós.
Um bom negócio, portanto, para os consumidores, mas sobretudo para os fornecedores seleccionados para vender os equipamentos.
Porém, a escolha pelo Estado Português da ou das empresas fornecedoras dos painéis solares obrigaria ao lançamento de concurso público. Uma maçada que iria complicar a adjudicação aos amigos já seleccionados de antemão.
Portanto, foi preciso engendrar um esquema em que não fosse o Estado a escolher directamente.
Fez-se um Protocolo entre o Estado Português e os 4 principais bancos estabelecendo que a escolha dos fornecedores fica a cargo dos bancos, os quais seleccionam os fornecedores com base num relatório que a intermediária do Estado – a SGPICE S.A., vulgo pmelink – faz acerca dos candidatos a fornecedores.
Assim, os Bancos escolhem os fornecedores que a pmelink indica como melhores candidatos, a saber: os irmãos Martins da Ao-Sol Martifer e a Vulcano.
Ficaram fora do negócio 90% das empresas do sector.
Simultaneamente, grande coincidência: Jorge Coelho entra na administração da Martifer. E, assim, fica tudo em familia, e amor com amor se paga.
Se isto não é favorecimento e influências, então não não sei que é….

Caça e caçadores


Sendo este um recente tema em voga na blogosfera aveirense, sempre gostava que alguém me explicasse qual o motivo pelo qual os caçadores (pelo menos aqueles que eu conheço) gostam tanto de divulgar as suas façanhas cinegéticas:
  • Será por orgulho?
  • Será por vaidade?
  • Ou será para afastarem deles o sentimento de que em cada caçador existe um mentiroso?

E, pelo que se vê na imagem, os animais são muitas vezes peritos em disfarce iludindo assim os caçadores.

A preto & branco

Felizmente, nem só de Beatles e de Stones se fizeram os 60's. Muitos outros tiveram o seu tempo e o tempo se encarregou de os fazer esquecer, bem, não completamente. Aqui ficam algumas pérolas a preto e branco, do tempo em que a bateria ostentava sempre o nome do "conjunto musical".



Waiting on a friend

Esta magnífica fotografia de Charlie Watts, que o Francisco Mendes da Silva postou no 31, deu-me umas saudades terríveis deste Waiting on a friend. Fiquei meio absorto a lembrar-me da frase de Morrison... Back in those days when everything was more simple and more confused...

sexta-feira, 6 de Março de 2009

Money that makes sense


Sobre a distinção entre empresários e patrões, sobre estado e mercado, nunca encontrei nada tão elevado e esclarecedor como esta passagem de uma conversa entre Warren Buffett e Barack Obama. Por cá, vamos tendo os Azevedos e os Amorins da vida, carregadinhos de dinheiro, mas nem por isso ricos...

“The free market's the best mechanism ever devised to put resources to their most efficient and productive use...The government isn't particularly good at that. But the market isn't good at making sure that the wealth that's produced is being distributed fairly or wisely. Some of that wealth has to be plowed back into education, so that the next generation has a fair chance, and to maintain our infrastructure, and provide some sort of safety net for those who lose out in a market economy. And it just makes sense that those of us who've benefited most from the market should pay a bigger share.”

SE UM DIA É DA CAÇA...

Outro será do cacaçador, diz o Povo. Vai uma ajudinha? Com a devida permissão do autor, se é que ma dá.

Consequências???


Afonso Candal e José Eduardo Martins, ambos deputados, envolveram-se ontem numa cena lamentável na Assembleia da República.
Todos conhecemos a escola do clã Candal e todos sabemos quão truculentos e provocadores podem ser. Não gosto do estilo, não prestigia a classe, mas foi aceite e enquadrado como um sub-produto do regime. Em versão mais ou menos apurada, todos os partidos têm o seu Candal e até os governos vão ostentando uns Santos Silva na lapela...
Com tudo isto, havia contudo, um patamar mínimo não ultrapassável. Com a imagem que o Parlamento tem no país, deverão ser os deputados os primeiros a assegurar que esse mínimo se mantenha, de preferência se eleve. José Eduardo Martins, com a arruaça de ontem, decretou a inviabilidade da sua carreira política. Passou de político medíocre a ex-político num minuto; a única saída menos vergonhosa, será a imediata demissão e um pedido de desculpas formal aos portugueses. Mais do que Candal, foi o país que foi ofendido pela indigna profanação da sede de uma das suas mais importantes instituições.
Será um bom tempo para uma revisão de atitudes, para cada um assegurar a dignidade dos cargos que ocupa. Lembro-me também, do deputado José Paulo Carvalho, o que sequestrou um lugar que é por direito do CDS, para o qual nem foi directamente eleito, e que prometia libertar em final de Fevereiro caso se comprovasse a sua incapacidade de se tornar um deputado independente relevante e de interesse público. José Paulo Carvalho está calado, não faz o balanço porque sabe o resultado, não larga o lugar porque não tem os tais mínimos que exigem decência no cumprimento do cargo. Era uma boa altura para ir dar uma volta com José Eduardo Martins.

Volta Bruno!


Depois de esgotados, ao ponto de federem mesmo, os "Gatos". Depois de alguma banalização da "Luta" e de terem deixado caír o skin preto. Seco absoluto que está o Unas, a milhas do inspirado Cabaret da Coxa. A Sic Radical voltou a surpreender pela positiva ao revelar mais um génio do humor: Bruno Aleixo.
O Bruno é um personagem único, daqueles que se tornam clássicos e imortais após a primeira aparição. Não há paralelos nem referências para situarmos o Bruno; diria que há o humor ab (antes de Bruno) e db (depois de Bruno).
Um talk show que conta com o Busto de Napoleão é, só por isto, notável. Depois, há ainda o Nelso, o Dr. Ribeiro (invisível), o homem do Buçaco...
Este é o humor mais intrinsecamente português que foi feito e acaba com o paradigma de que o humor para ser tipicamente luso tem de ser acéfalo, malcriado e/ou estupidificante.

Acabou a primeira série do Programa do Aleixo e já está a decorrer on-line uma petição para que haja segunda. Podem assina-la aqui. Eu já assinei!

Os programas já exibidos, podem ser vistos aqui.

Paulo Bento e o Leão, mais uma dupla de sucesso


Agora para descontrair um pouco, o penteado do leão não vos faz lembrar ninguém?

Galp e EDP, outra dupla de sucesso

Ao ler esta notícia e depois esta, consigo finalmente compreender o Ministro Pinho.
Afinal Portugal não está em crise.
Ao ler estes números e quando se continua a ouvir falar que os preços da energia eléctrica afinal ainda estão abaixo do devido e que os preços dos produtos petrolíferos não desceram aquilo que deviam na altura própria, a pergunta que se impõe é porque é que estas empresas (e mais algumas) são tão protegidas pelo Governo e pelos reguladores e a maior parte da economia anda a penar?
Alguém consegue explicar?

Camões e Magalhães, uma dupla de sucesso (cont.)

Com os meus agradecimentos à Moura Aveirense que já conseguiu desencantar o vídeo desta história. Apreciem o que vai ser o futuro das nossas crianças.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Camões e Magalhães, uma dupla de sucesso

As notícias do dia dão conta que a escola do futuro já funciona em Espinho.
Se a vertente que possibilita a um aluno que não se pode deslocar à escola e que lhe permite acompanhar as aulas a partir de casa com o seu Magalhães - uma coisa tipo Telescola, mas mais moderna -me parece fazer algum sentido face à tecnologia hoje disponível, já o aspecto da sala de aula me assustou.
Os alunos têm na mesa apenas e só o Magalhães e, aparentemente, toda a aula é dada através do quadro interactivo e dos computadores.
Será que agora já não se aprende a escrever com lápis e papel? A fazer contas? A desenhar?
E se um dia lhes falta a luz ou a net, o que é que esta gente vai fazer?

Candal, o 2 em 1, ou como se brinca com coisas muito sérias.

Se não sabem o que é, eu digo: é o organigrama da APISOLAR - Associação Portuguesa da Indústria Solar, cuja apresentação podem consultar AQUI. A mesma Associação que veio publicamente referir em 21 de Fevereiro que o protocolo de incentivo promovido pelo Governo junto de várias entidades bancárias iria favorecer apenas duas empresas, como se pode ler nesta notícia.

Como é já habitual, o Governo aos costumes nada disse e ignorou o que outros foram alertando; até hoje, em que o Deputado Candal defendeu o indefensável, em nome do Governo, mais uma vez, de todas as que vêem sendo necessárias.

É triste, mas é assim mesmo; e é assim que estes senhores pretendem iludir quem ainda se deixa iludir; a táctica e a técnica são antigas e já conhecidas; a descrição do Deputado Candal é que é inovadora: favorecer duas empresas, em vez de dar oportunidades justas a todas as que operam de forma correcta no sector da energia solar e fotovoltaica, pode até ser considerado um "objectivo dois em um, é responder à crise económica, e também à crise e ás alterações climáticas."

De nada adiantará a Oposição pedir explicações e agumentar, como o fez. O caminho já está definido e nada nem ninguém parará a senda destes senhores, Deputados, Governates, sejam lá eles o que forem.

E não venham cá com a treta de que as empresas em causa são grandes empresas e o emprego assim, o investimento assado; num ápice esquecem as PME de que tanto falam e a quem tanto elogiam e é para os grandes que se viram; os socialistas sempre foram assim; não seria agira que mudariam. E basta reparar que no organigrama acima, não consta nenhuma das duas empresas em causa. Coincidência?

Trocos...


Eh pá! Cinco acções do BCP? Isto não é gorjeta que se deixe num restaurante desta categoria!

Agora é que vão ser elas!

Com notícias destas, é certo e sabido que, conhecendo-se o "nobre espírito de missão da classe política portuguesa", abre-se a caixa de Pandora e aí vão eles...
Com as Europeias à porta, aposto que já há quem não durma.

Depois queixa-se...

Gepetto, Grilinho, Huguinho, Zézinho, Luisinho, Rato Mickey, Minnie, Pateta, tantos, mas tantos disponíveis e o escocês vai logo escolher PINÓQUIO??????? Para ALCUNHA???? E escreve-a nos mails????
Esperto. o escocês. Depois não venha dizer que acabou o xarope para a tosse...

Renovação e abertura


Em Cuba, o Castro mais novo fez uma remodelação ministerial, tendo substituido uns fieis do irmão por dois militares seus indefectíveis. Houve quem se apressasse a ver nesta troca mais um sinal de abertura do regime. What????

quarta-feira, 4 de Março de 2009

Cabalinha


Circula na web uma lista/subscrição de apoio à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa ao Parlamento Europeu. Nada de mais, não fosse o facto de Marcelo não querer ser candidato. A especulação sobre a origem da petição anima o meio, com suspeitas em todas as direcções. A registar, a prontidão de Marcelo a cortar a onda e a aflição de Pacheco, chamando à atenção e denunciando ambições mal contidas.
É uma nova cabala para animar estes dias de crise, com a diferença que sempre que algum PSD destacado é vítima da cabala, os conspiradores procuram-se dentro do partido...


P.s.: Não deixa de ser engraçado ver Marcelo provar do próprio veneno.

terça-feira, 3 de Março de 2009

Riad

Houve quem insistisse em invocar os 20 anos do feito de Riad. Sou parcial e continuo a acreditar que tudo aconteceu por inspiração e mérito dos jovens futebolistas e malgré Queiroz.
De qualquer forma, deu-me um certo prazer ver o senhorito em sorrisos babados perante o seu retrato de outrora. Uma coisa a fazer lembrar uma qualquer carcassa holywoodesca, num quarto de motel sombrio, a ver vezes sem conta o video do filme premiado em que paricipou por acaso há 20 anos. Desde então, ou papeis de segunda, ou iminentes fracassos de bilheteira...

JMT


João Miguel Tavares é uma lufada de ar fresco na opinião publicada em Portugal. Escreve muito bem, de forma descomplicada e sem as teias de aranha típicas da classe. Não sei se gostará que o rotule, mas é uma referência para a direita moderna, mais humanista e pós-liberal. Se Portugal não precisasse desesperadamente de um comentador inteligente e de referência nesta área, gostaria que o tívessemos no CDS.
A sua crónica de hoje no DN é a pedrada no charco que ninguém tinha tido coragem de dar; de forma inspirada, JMT disse aquilo que todos pensam e que ninguém ousou dizer. Gente assim começa a ser rara, aqui fica o elogio.
Vale a pena ler aqui.

Devagar


Devagar, eu? Nem nisso penso.
Apenas vou, seguindo o ritmo
da natureza a que pertenço.

Eu caminho e vivo
como cresce a erva (devagar?)
como se enchem de flores as árvores
e se forma os rebanhos de nuvens no ar.

Vocês é que vão desenfreados
e só vêem manchas, pedaços do que existe.
Como se estivesse alguém a empurrar-vos...
É muito triste!

De corrida em corrida,
como a lebre,
chegareis antes de mim
ao fim da grande corrida que é a vida.
Só que não ides ganhar , mas perder.
E, o que é pior, sem ter visto nada,
deixando quase tudo por fazer.

Devagar, cada vez mais devagar
eu também lá acabarei por chegar.
Terei então ganho a corrida
e, principalmente,
a vida.
Alvaro de magalhães

Começou a corrida


Não tendo havido surpresa na noite dos Óscares socialistas, é altura de os atletas se prepararem para a corrida.

Eleições Europeias


Dos três candidatos conhecidos, Miguel Portas (BE), Vital Moreira (PS) e Ilda Figueiredo (PC), Ilda Figueiredo é a única que não é ex-comunista!

segunda-feira, 2 de Março de 2009

Eu também.

“Eu creio tanto na influência dos maus jantares como no das más companhias na índole dos indivíduos, e adopto para mim esta sentença: «Diz-me o que comes, dir-te-ei as manhas que tens”
Autor: Ramalho Ortigão

Vale a pena ouvir....

... Barry Schwartz sobre ética e virtude no trabalho, e a interacção com pessoas nas organizações empresarias; sobre o que é a experiência, a sabedoria, a "moral will and moral skills" (querer fazer bem e saber como fazer bem), regra e excepção, o significado e malefícios dos incentivos e bónus; a dicotomia entre a prossecução do lucro e a prossecução do bem (do the right thing).
O vídeo é um pouco longo, eu sei, mas acreditem que vale a pena ouvir e reflectir:



Na Galiza vai aumentar o desemprego dos boys

De acordo com esta notícia, o desemprego qualificado vai aumentar.

Cartoons da semana




Clarificações úteis

Este fim de semana, para meu descanso, Chavez veio insultar Obama e reafirmar a postura que vinha mantendo com Bush. No centro da questão, está o relatório americano que acusa o déspota venezuelano de permitir a quintuplicação do tráfico de cocaína a partir do país. Chavez expulsou há anos os agentes da DEA, acusando-os de espionagem política. Mostra agora que não está disposto a nada, e que o problema sempre esteve em si e não nos outros.
Para completar o quadro, depois do referendo da outra semana, nacionalizou agora a produção de arroz por via da força do exército.
Com tal agenda, compreende-se que não tenha vindo a Espinho dar um abraço ao amigo Sócrates...

A boa educação

Fui ontem assistir, como "convidado institucional", ao encerramento do congresso do PS.
Fui educado com um determinado código de comportamento, onde o estatuto de convidado era tratado com especial cuidado. Como convidado, teria sempre de comer a sopa, dar sinais de agrado a biscoitos sortidos já amolecidos e com travo a mofo, beijar polidamente septuagenárias empoadas e cheirando a naftalina, etc., etc..
Fui muito bem recebido no congresso e gostei de encontrar amigos meus, socialistas, que não via há já algum tempo. E, como lá estava como convidado, não falarei dos discursos, ora intimidatórios, ora vitimizantes, ora vácuos; não mostrarei decepção pela falta de pistas, já não digo soluções, para os grandes problemas que afligem o país; não darei ares de espanto pela obliteração dos desempregados, dos idosos, dos excluidos; não me revelarei apreensivo pela toada demagógica e eleitoralista que dali saiu, ignorando ostensivamente a recessão em que nos encontramos.
A partir de hoje, volto ao meu estatuto de livre pensador, 24 horas passadas sobre a visita à casa socialista. Já poderei dizer o que penso!

Infelizmente a morte de Ivan Cameron, o filho de David Cameron, não fez parte das manchetes dos jornais nem da abertura de telejornais nacionais. Até compreendo… O que é a morte de uma criança deficiente perante a novela do Freeport? É pena, pois esta morte poderia ser uma boa oportunidade de pensarmos sobre o significado da VIDA/MORTE. Se calhar, Em vez de andarmos ocupados a discutir a eutanásia porque não olharmos para estas vidas “desfiguradas, anormais”, e encontrarmos nelas a essência da vida. É difícil, pois é. É que estas pessoas confrontam-nos com a nossa imperfeição e a nossa finitude.
Ivan Cameron esteve neste mundo apenas 6 anos mas o seu legado com certeza perdurará. Vale a pena ler a crónica de Dominic Lawson publicada no Times. Não fala dos efeitos políticos da morte de Ivan Cameron mas confronta-nos sobre o significado da vida. Sabemos que a vida é um valor em si mesmo, mas quantos de nós não a pesou, não a quantificou, ou lhe atribuiu um número ou um valor. A verdade é que todas as vidas são vidas, todas são feitas da mesma matéria: os sonhos. No entanto continuamos a desprezar algumas e a valorar outras com base em índices como o dinheiro, a capacidade intelectual, a beleza…
Depois, em nome destes indicadores, decidimos sobre a vida dos outros, fazemos de Deus, e achamos que certas vidas não têm significados nem podem ter “qualidade”. Dominic Lawson dá como exemplo a história de uma menina com severa incapacidade devido a uma alteração do cromossoma 21 e que foi hospitalizada com uma infecção num dente. O hospital não lhe forneceu um tratamento médico adequado, nem comida e água em quantidades suficientes, e quando ela começou a ter problemas respiratórios informaram os pais que iriam transferi-la para os cuidados intensivos. Tal nunca aconteceu. Ela acabou por morrer de uma infecção pulmonar. O hospital actuou no pressuposto de que esta menina, a Daisy, “had a life not worth living and therefore not worth fighting to preserve.”
Perante o desespero da mãe, um médico tentou ser caridoso e exprimiu-se da seguinte maneira : “It must be awful; it’s almost like losing a child.”
A maior luta das pessoas que sofrem de um qualquer tipo de deficiência não é contra a sua deficiência, mas é uma luta para demonstrar que a sua vida é completamente humana.

domingo, 1 de Março de 2009

Campanha Negra, Blackout, Apagão

Cá para mim, o homem é da Académica.

Everything is amazing and nobody is happy

Hoje em dia, temos a vida extremamente facilitada, mas ninguém parece dar valor. É a cultura do exigir e exigir egoísticamente, sem saber apreciar com gratidão tudo o que de melhor o século XXI proporciona: