sábado, 31 de Maio de 2008

Manuela Ferreira Leite


Com 37,67% dos votos, Manuela Ferreira Leite ganhou as directas do PSD.
Pedro Passos Coelho (31,07 %) e Santana Lopes, (29,8 %) ficaram praticamente empatados.
Santana já anunciou que renuncia ao cargo de líder parlamentar e disse que apesar da "tripartição" dos votos a ex-ministra das Finanças tem "inteira legitimidade" para liderar o partido.

Ganhou a melhor candidata, a solução ideal para o PSD, que, neste momento, necessita de uma liderança rigorosa, credível e sem demagogias nem ziguezagues. E Manuela Ferreira Leite tem as qualidades necessárias. A posição que assumiu na questão do preço dos combustíveis, recusando a solução fácil, e não temendo estar ao lado da posição do Governo quando a entende correcta, fala por si.
Com Manuela Ferreira Leite o PSD recuperará a credbilidade, e poderá conseguir um melhor resultado eleitoral em 2009.

O futuro é agora.

Dia (ps)D


Hoje é mais um dia D para o PSD. Só que os dias definitivos, nesta agremiação, são, cada vez mais, provisórios. Não tenho a menor percepção de quem será o próximo lider, dado o estado de volatilidade do partido, o desespero dos militantes e a desorientação das últimas lideranças, tudo pode acontecer até ao último minuto. Não acho que Ferreira Leite tenha a vitória assegurada, Passos Coelho pode ser a escolha do desespero e, para mim, não é liquido que Santana Lopes esteja derrotado à partida. Tudo em aberto, portanto.
Certezas só quanto ao dia seguinte.
Se Ferreira Leite ganhar, haverá quem não deixe esquecer a gestão de oportunismo milimétrico que tem feito das suas presenças e ausências estratégicas na vida do partido, terá o baronato a seu lado, jogando o futuro próximo, preparando desde o primeiro minuto a sucessão. Um jogo requintado que se recheará de intriga, conspiração, será um ambiente irrespirável. Basta imaginar como se conciliarão Rio, Marcelo, Capucho, Pacheco, just to name a few. Veneno puro. Autofagia anunciada. Cavaco à distância. Sócrates descansado da vida.
Se Passos Coelho for o escolhido, será um mix de Mendes com Meneses. Como Mendes, andará á procura de um registo próprio, terá falta de reconhecimento e carisma, será ignorado, falará muito, sobre tudo e ninguém o ouvirá. Como Meneses, trará para os orgãos gente nova e desconhecida, não tem outra; estará fora do parlamento, com as dificuldades óbvias; terá o permanente desgaste da alcateia do baronato, que não terá força para pôr na ordem. Começará a maquina socrática a evidenciar as suas fragilidades, a falta evidente de curriculum, uma vida que, embora na sombra, se construiu na via mais mediocre das dependências políticas.
Se Santana Lopes surpreender e regressar, será seguramente diferente, embora não necessáriamente bom. De interessante tem a sua notável resiliência política, a coragem para os grandes desafios e um interessante ajuste de contas com os seus carrascos: Cavaco e Sampaio. Seria também uma oportunidade para arrumar com o baronato umbiguista que asfixia o PSD, seria a recompensa dos que estão sempre aos serviço do partido. Por outro lado, há o risco de instabilidade ligado sempre a Santana, a precipitação, alguma possivel leviandade política, o populismo anunciado.
A situação não é clara, nem famosa, resta ao país um consolo: não mais ouviremos falar da personagem cómico-deprimente Patinha Antão!

May the road rise up to meet you.
May the wind be always at your back.
May the sun shine warm upon your face;
the rains fall soft upon your fields and until we meet
again, may God hold you in the palm of His hand.

(traditional gaelic blessing)

É pelo sonho que vamos


O "segredo" para uma vida feliz, com tranquilidade de espírito é um verdadeiro tesouro.
Vem isto a propósito do crescente numero de casos de conhecidos que entram em depressão e caiem numa tristeza, ás vezes amarga e rancorosa, e sem um motivo plausível, forte, evidente. Claro que cada um saberá de si, mas nas situações que refiro são pessoas aparentemente saudáveis, com família e filhos com saúde, em crescimento normal, com emprego estável, casa própria e férias na praia pelo Verão. Ou seja, pelo menos na aparência, têm boas razões para estar bem. E, no entanto, não se sentem felizes, caiem em depressão, metem "baixa" e queixam-se de tudo e de todos.
Não conseguem valorizar as coisas boas e positivas que receberam e lograram conquistar na sua vida, nem traçar um rumo a partir delas. Não lhes basta. Anseiam por mais e mais, mais amor, mais sucesso profissional, mais glamour, viagens, mais e melhores férias, e muito mais dinheiro. Vivem na permanente expectativa de ganhar o euromilhões da próxima semana.
E, quando afundam na depressão, o psiquiatra afoga-as em abundante medicação.
Reflectindo a partir dos casos que, directa ou indirectamente, conheço, não creio que a questão se possa resumir a baixa auto-estima, personalidade frágil, ou doença mental.
Parece-me que ao longo da vida, construíram sonhos, fizeram planos, alimentaram ilusões que, pura e simplesmente, não se realizaram. E não se adaptaram.
A distância entre o sonhado, o que projectaram para si, e a realidade da vida que têm desperta a frustração que cresce desmesuradamente, e que, aliada ao rancor, á inveja, envenena o coração e a mente.
E cai-se num ciclo vicioso de frustração e tristeza.
A inadapatação e a incapacidade de fazer planos e sonhos realistas destroi a alegria de viver.
Não digo que se deva sonhar "pequenino". Mas convenhamos que não nos adianta nada querer á força ser milionário, não trabalhar para viver, comprar tudo o que se quer e fazer férias luxuosas durante todo o ano. Para a maioria de nós, isso é inalcançável, é um sonho irrealizável …
Os sonhos e os projectos de vida têm, pois, de ser realistas, ponderados, bem medidos, e também modificados ou renovados ao longo da vida, de acordo com a nossa circunstância. Claro que os sonhos e metas podem ser ambiciosos, mas não deveriam ser demasiado distantes, inatingíveis. E, porventura, não deveriam centrar-se apenas ou demasiado em coisas materiais, mas cuidar também de alimentar o espirito, a mente, a alma.
Por isso, estão no "segredo" da felicidade, a capacidade de se adaptar á realidade da vida de cada um, a capacidade de sonhar e saber modificar e renovar o sonho nas curvas do caminho da vida, e o optimismo. Não serão estes todos os ingredientes, mas são seguramente parte da receita.

"Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemose
ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos."
(Sebastião da Gama)

sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Índices de desenvolvimento


A euforia dos últimos tempos com Espanha irrita-me de sobremaneira. Talvez por influência da minha Avó, destacada para a fronteira por dever conjugal e contingências da guerra, fui de pequenino habituado a um olhar realista, alguns dirão crítico, sobre Espanha e os espanhois.

A primeira ressalva que faço abarca toda a Andaluzia, terra mágica, fronteira com mundos diversos, poiso de gente de raça, fonte de afición, reduto de elegância única, como está na moda dizer: DPM!

A segunda prende-se com honestidade, há coisas realmente boas em Espanha. A saber: as tapas, os pinchos, o iberico, os rioja, os ribera del duero, os cava, os bons restaurantes (não em tão grande numero como dizem), os puros mais baratos e em maior variedade, a gasolina mais em conta e as colónias de banho frescas. Coisas como o flamenco, os toiros, a verdadeira movida, são andaluzes e não as incluo na Espanha generalista.

O que sobra então? Um povo que ultrapassa o orgulho pátrio com uma vaidade pacóvia e injustificável, uma nação dividida radicalmente, ainda hoje, sob a matriz da guerra civil. Continuamos a ter católicos ferrenhos e anti-cristos primários, franquistas devotos e esquerdistas radicais, ultra-conservadores e pós-modernistas. Não há um verdadeiro equilibrio ou coesão social em Espanha, há a alternância do domínio de uma ou outra facção; tem havido o verdadeiro milagre de no topo da pirâmide estar a sintese negativa de todo o povo espanhol: D. Juan Carlos. Tem havido o verdadeiro milagre de junto do rei terem estado espanhois atípicos, com a arte de sintetizar o impossível: Suarez, Gonzalez e Aznar. Quando o povo escolheu um dos seus, o resultado está à vista e, com Zapatero, a Espanha é hoje um país demitido dos valores, sem rumo nem caracter no quadro internacional, um enorme estado que para nada conta, uma curiosidade pitoresca.

Para ter uma visão desta Espanha, basta uma ronda pela TVE, para os resistentes à depressão, umas horas de TV Galicia, uma volta pelos suburbios das grandes cidades, uma tarde no El Corte Inglés, um domingo numa qualquer plaza mayor entre abrigos de piel (todos padronizadamente iguales), uma qualquer romaria, um passeio maritimo onde pais todos iguais passeiam bébés torturados por rendas e brocados. Arghhhh...

Permitam-me, neste desmando, que aqui chame a velha conversa entre pai e filho:
- Hijo, que quieres ser un dia cuando hombre?
- Pués padre mio, quiero ser exactamente como usted!
- Hombre, qué contento me quedo! Y porqué?
- Pués padre, para tener un hijo como yo, porsupuesto!

Para terminar, e porque a fotografia diz bem do índice de desenvolvimento deste povo civilizadíssimo, fiquem sabendo que esta cena dignificante aconteceu hoje num porto de pesca quando os pescadores em protesto ofereceram peixe gratuitamente ao público. Lindo, não?

Marital Rating Scale

(clicar sobre a imagem para aumentar)

Para o RA.... em resposta ao "Mens´s Secrets" ali em baixo ......

Os últimos dias


A polémica estoirou nos últimos dias, quando um tribunal de recurso do estado do Texas deliberou que as autoridades estaduais não tiveram fundamento suficiente para retirar mais de 400 crianças a uma seita poligâmica.
A seita, chamada Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo e dos Santos dos Últimos Dias, vive fechada sobre si própria, com rituais pouco claros e advoga a poligamia. Tem à sua guarda várias centenas de crianças, sobre as quais o estado e as autoridades têm pouca ou nenhuma monitorização; nesse sentido as autoridades decidiram agir no que entenderam ser a protecção das crianças envolvidas, retirando-as da comunidade. O tribunal de Tom Green em San Angelo, Texas, decidiu que, apesar do desconhecimento do dia a dia da seita, não há provas suficientes do risco efectivo das crianças. Compreendo a delicadeza da situação, mas não compreendo a falta de uma profunda investigação, de uma vigilância apertada, da tolerância exagerada com o fanatismo. Esperemos que a situação não se reverta por dano real.

Sei que não se deve julgar ninguém pelas aparências, mas a fotografia das duas mulheres da seita a saír do tribunal... kind of... makes me think...


quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Grelhador da roupa?


Através de um folheto da empresa San Luís, cadeia espanhola de electrodomésticos, fiquei a saber que existem dois tipos de grelhadores à venda nestas lojas.
Um grelhador de asar, deve ser especial para asas, e um outro que, pela fotografia, deve servir para tratar da roupa.
Andamos nós preocupados com o acordo ortográfico e somos alvos destes atentados por parte dos nossos vizinhos espanhóis que por aqui se vão instalando.

Qatar


Num artigo recente da Time, é dada uma imagem da evolução recente do Qatar e da visão do seu Emir para o desenvolvimento do país.

Surpreendente, tratando-se de um país muçulmano, é o facto de a mulher do Emir também ser fotografada e ser referido o papel por ela desempenhado no governo do Qatar.

Agora, e levando também um bocadinho para a brincadeira, o homem tem estado tão ocupado com o governo do seu país que tem descurado um bocado a escolha do calçado!

Men's Secrets


Já que a minha mulher se zanga se eu puser aqui umas fotografias da Women's Secrets ou Victoria's Secrets (melhor ainda), aqui fica, democráticamente, para as leitoras do nosso blog, um banho de garbosos metrossexuais num fontanário público de Moscovo.

Ah! Os senhores são guardas fronteiriços e festejam assim os 90 anos da corporação. Para esquecer o glorioso comunismo, a cervejita da praxe é substituida por um litrito de vodka. Haja sede!

Portugal


Sou patriota. Ponto.
Mas não deixa de me encher de orgulho ver uma montra como esta no centro de Milão. Principalmente a frase que está estampada na montra "The Untouchables, Portugal", que esperemos se venha a concretizar no próximo Euro.

20 contos


Para aqueles que já não se lembram da nossa saudosa moeda antiga, aqui fica a lembrança: 1 conto = 5€.
Eu sei que não tenho culpa de o meu carro ter um depósito com um volume que mais se assemelha a um pipo de vinho, e que também não o deveria ter deixado ir quase "às lonas", mas gastar 20 contos para atestar o depósito de gasóleo é algo que nem ao diabo lembraria há umas semanas atrás.

quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Campeões!


Aproveito para, com algum atraso, típico de aficionados do meu calibre, felicitar a Ovarense pela conquista de mais um título.

Sem palavras...


Esta vale mesmo mais do que mil palavras. Foi hoje numa prova de alta competição no Wisconsin, o piloto safou-se com uma fractura ligeira.

terça-feira, 27 de Maio de 2008

O dia mais bonito

O dia mais bonito? HOJE
A coisa mais fácil? ENGANAR-SE
O maior obstáculo? O MEDO
O maior erro? ABANDONAR-SE
A raiz de todos os males? O EGOISMO
A distracção mais bela? O TRABALHO
A pior derrota? O DESALENTO
Os melhores professores? AS CRIANÇAS
A primeira necessidade? COMUNICAR
O que me faz mais feliz? SER ÚTIL AOS OUTROS
O maior mistério? A MORTE
O pior defeito? O MAU HUMOR
A pessoa mais perigosa? A MENTIROSA
O pior sentimento? O RANCOR
O presente mais bonito? O PERDÃO
O mais imprescindível? REZAR
O caminho mais desafiante? O CERTO
A sensação mais gratificante? A PAZ INTERIOR
A expressão mais eficaz? O SORRISO
O melhor remédio? O OPTIMISMO
A maior satisfação? O DEVER CUMPRIDO
A força mais potente do universo? A FÉ
As pessoas mais importantes? A FAMÍLIA
A coisa mais bonita? O AMOR

MADRE TERESA DE CALCUTÁ

A aposta na desigualdade social


Em 2006, Portugal era o segundo país da União Europeia onde as disparidades na repartição dos rendimentos eram maiores, segundo dados do Eurostat, o gabinete estatístico europeu.
No índice de desigualdade de rendimentos, apenas a Letónia está pior que Portugal: entre nós, os 20% mais ricos tem um rendimento médio 7,4 vezes superior ao dos 20% mais pobres.
O Relatório Sobre a Situação Social na União Europeia (UE), publicado quinta-feira passada, com dados de 2004, indica que os rendimentos se repartem mais uniformemente nos Estados-membros da UE do que nos EUA. Porém, "Nesse ano, apenas Portugal apresentava um coeficiente superior ao dos EUA", sublinha o documento.
Os indicadores de distribuição dos rendimentos mostram que os países mais igualitários são os nórdicos, nomeadamente a Suécia e Dinamarca. "Portugal distingue-se como sendo o país onde a repartição é a mais desigual", salienta o documento, reportando-se aos dados de 2004.

A porta-voz da Comissão Europeia para o Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades, Katharina Von Schnurbein afirma que cerca de 47% dos portugueses estudaram apenas até ao nível de escola primária afastando uma parte importante da população do acesso a empregos bem pagos.

É impossível ficar indiferente a estes dados deprimentes. Mesmo que sejam reportados a 2 ou 4 anos atrás, sabemos que mantêm chocante actualidade.
Em vez de desmentir a realidade, o Governo deveria dizer o que fez (?) em todos estes anos de governação para mudar este estado de coisas.

E, uma vez mais, da constatação divulgada pela Comissão Europeia sobressai a importância da Educação e do ensino de qualidade para mudar este estado de coisas. Essa aposta é determinante para sair do ciclo vicioso: falta de qualificações > baixos salários > pobreza > desigualdades sociais.

A propósito, relato o caso verídico de um jovem casal de emigrantes portugueses com 3 filhos menores nascidos no Luxemburgo: Subitamente o marido morreu, e a viúva com 3 filhos pequenos confrontou-se com a hipótese de voltar a Portugal para junto da familia alargada que aqui reside. Decidiu ficar no Luxemburgo, e explicou assim a sua decisão aos familiares portugueses: o Estado luxemburguês concede ás viuvas com filhos menores uma licença de viuvez remunerada com a duração de cerca de 3 anos para assim acompanharem as crianças, ajudando-as a superar a perda e adaptar-se, podendo voltar ao seu emprego findo aquele período; mais: a educação dos menores orfãos passa a ser totalmente custeada pelo estado luxembuguês até á maioridade daqueles, e, a dívida de crédito á habitação ficou saldada, passando a casa para a propriedade dos filhos do casal, com reserva de usufruto a favor da viúva enquanto esta mantenha o estado de viuvez.
Eis uma aposta clara e realista do Estado na educação dos seus cidadãos e no combate ao ciclo vicioso da pobreza.

Como seria tratado este caso se fosse em Portugal ? Nem vale a pena responder.
Porque é que aqui o Governo só se lembra de aumentar ligeiramente o ridículo abono de família, de pagar o "rendimento mínimo de inserção" que desincentiva a procura activa de emprego, de pagar abortos de crianças por nascer, fechar hospitais sem assegurar alternativa bastante e adequada, e deixar os idosos com pensões miseráveis abandonados á sua sorte?
Why did it have to be like this?

segunda-feira, 26 de Maio de 2008

IT'S THE ADULTERY, STUPID!


Na Vanity Fair deste mês, Michael Wolff escreve um artigo interessantíssimo sobre a percepção pública dos homens públicos nos Estados Unidos. A coisa centra-se essencialmente em sexo. Segundo Wolff, a política actual está centrada no sexo. Não apenas escândalos sexuais, não apenas quem está a ter que tipo de sexo e com quem, mas a percepção popular sobre o sexo que a figura pública tem, ou não tem. O sexo tem a capacidade de mudar eleições, minar partidos e, eventualmente, mudar o curso da história. O verdadeiro tema nestas eleições não é a raça, não é o género, é o sexo.
Num resumo muito bem estruturado, Wolff desenrola uma teia de factos-argumentos impressionante. A saber:
Obama teve a entrada na corrida facilitada porque a ex-mulher do seu maior rival, Jack Ryan, desenrolou o lençol de um passado swinger.
Bush vê-se envolvido na espiral descendente em que se encontra recolhendo da paranóia de Mark Foley danos políticos equivalentes à estupidez da invasão do Iraque.
Eliot Spitzer, qual Jekyll and Hyde, com brilhante carreira pública, cai no VIP Club que frequentava e a sua callgirl favorita bate recordes no youtube.
Bill Clinton abriu caminho, e reforçou-se como super-político ao instituir como desculpável a escapadela do homem de meia-idade com a secretária muitos anos mais nova.
A história de Hillary é toda ela sexual, de todas as insinuações e histórias não ditas do seu passado, da forma como se reforça no poder com a história do marido, até ao seu fetiche absoluto com o poder, criando no público a percepção de que a Hillary de hoje é uma Hillary sem sexo. Nos estudos sociológicos aparece fortíssima junto das mulheres mais velhas, puritanas e sem vida sexual activa.
Mitt Romney, tal como Hillary, aparece assexuado e puritano; o que numa mulher capta algum público, num homem fragiliza e não cria empatia.
John McCain, acusado pelo NY Times de eventualmente ter tido sexo com uma lobbista muitos anos mais nova, não só não foi afectado, como usufruiu de um misto de desculpabilização por causa da idade e confirmação da sua virilidade!
A percepção pública sobre Obama coloca-o antes da meia-idade critica, a energia e postura da sua mulher, Michelle, sugerem a probabilidade de uma vida sexual activa e realizada. Esta ideia sobre um casamento que ninguém conhece em pormenor estará a ser decisiva na popularidade de Obama.
Mais interessante para nós, é comparar com a política que nos é mais próxima e ver as enormes diferenças. Quanto a mim, felizmente a política europeia, e a portuguesa em particular, mantém a distância conveniente entre público e privado. Na hora da votação o eleitor tem separado racionalmente os dois campos, não fazendo, até agora, o sexo parte dos mecanismos de decisão.
A variável nova é Nicolas Sarkozi, o tal homem de meia-idade que assume a atribulação da sua vida amorosa publicamente, tornando-se no primeiro político europeu em que será difícil o julgamento separado do público e do privado. Sarko quis deliberadamente assim, é um homem de rupturas, mas pode abrir um caminho que, no meu entender de conservador, trará mecanismos de julgamento indesejáveis na apreciação dos homens públicos. Veja-se a vida privada e a pública de Churchill, por exemplo.
A ver vamos.

Amesterdão


Regressei ontem de Amesterdão. Adoro a beleza antiga desta cidade, as casas estreitas e imponentes alinhadas sobre os canais, os recortes dos frontispícios entre as copas das arvores, o sentido prático dos holandeses com as suas bicicletas e aproveitando o sol nas esplanadas…
Gosto dos bateaux–mouche turísticos que percorrem os canais, e acho muita graça ao hábito holandês de passear de lancha pelos canais nos fins da tarde soalheiros, bebendo champanhe e vinho branco …
Gosto de ramos de tulipas, do mercado flutuante das flores e especialmente dos seus quiosques-barcos com banquinhas de flores e plantas encimadas por um tecto deslumbrante em tons cor de rosa e amarelo torrado de ramos de flores secas penduradas.
Gosto de Rembrandt, mas gosto sobretudo do modo como os holandeses lhe prestam reconhecida homenagem: na praça da cidade com o seu nome, á frente ao plinto da estátua do pintor, reproduziram, magnificamente esculpidas, as figuras do seu quadro "A noite de guarda".
Gosto de Anne Frank e de Etty Hillesum, gosto de pensar que viveram em Amesterdão, passearam e riram por aquelas mesmas ruas e canais, olharam os quadros do Rikjsmuseum, e ali sonharam o futuro e escreveram os seus diários… mas confesso que não fui ver as casas onde viveram … estive mesmo na Prisengracht andando na direcção certa mas não fui até ao n.º 267 …. deliberadamente optei por não ir, e preferi manter intactas na minha memória a alegria, força e esperança dos seus escritos, e não as substituir pela recordação da casa e do sofrimento final.
Há outras coisas – em pequeno número - de que não gosto em Amesterdão e nos holandeses, mas não me detenho nessas "fraquezas" deles… Afinal, dos fracos não reza a história, não é verdade?

Tate


Na fachada da Tate Modern, Londres, um atirador gigante aponta aos transeuntes que atravessam a Millennium Footbridge. Esta obra faz parte de um conjunto de seis de grandes dimensões, de outros tantos aclamados artistas de rua, que cobrem o emblemático edifício. As imagens, para alguns chocantes, transformaram radicalmente a paisagem das margens do Tamisa. É a Tate a desbravar novamente caminhos e a afirmar-se como ponto incontornável dos amantes das artes.


P.s.: Se pensar programar uma visita, inclua a hora de almoço. O restaurante é optimo, acessível e muito bem frequentado. Quer melhor?

domingo, 25 de Maio de 2008

Pequena Reflexão.


Há quem lhe chame perfil; prefiro outros termos, qualificações, competências, arte, chamem-lhe o que quiserem.

Tenho dado por mim, ao longo destes dias de pausa na "escrita" a pensar, ou reflectir, acerca da falta de aptidão, capacidade, qualificação, enfim, perfil, de gente que conheço e que não conheço para ser o que é e para estar onde está, fazendo o que faz e, sobretudo, almejando ser mais, querer mais, ir mais longe, interagir de uma forma mais directa com a vida dos que os rodeiam.

Incluo-me a mim próprio nesse leque, obviamente e como não podia deixar de ser.
A algumas conclusões cheguei, talvez por não ser destituído de todo de alguma capacidade de pensar...

E talvez a mais importante, para mim logicamente, foi a de que todos nós nos achamos sempre no direito de ir mais além (seja em que aspecto das nossas vidas for) e ser mais importantes do que aquilo que efectivamente somos. Algo que não pode deixar de ser considerado um legítimo direito, desde que e sempre quandoesse direito não contunda com os direitos ou liberdades de outros.

Esquecemo-nos, no entanto e a maior parte das vezes, de algo tão fundamental como a autocrítica e a autoavaliação constantantes e diárias, ferramentas de tal forma importantes que, se as não utilizarmos com a exigida regularidade, transformamos algo que até poderá ser uma legítima ambição - o sonho de chegar um pouco mais longe na vida de cada um de nós - em algo que um dia alguém, com alguma propriedade resolveu chamar "umbiguismo".

Do mais alto e mais importante governante deste País, ao mero aspirante a sê-lo, num qualquer burgo perto de nós, ao simples e contudo importante amigo ou amiga, é triste e às vezes amargo reconhecer que o mal ou a doença é ou são os mesmos e têm um só nome: umbiguismo.

sábado, 24 de Maio de 2008

Gestão por objectivos


Longe vão os tempos do socialismo puro e duro; quando a direita com discernimento começa a perceber a estupidez do liberalismo, lá vão os socialistas devorar a cartilha. Sempre atrasados, assumem hoje com fervor as verdades de anteontem. Diria o outro, é a vida! Neste afã produtivo, nesta febre competitiva, as criaturas do engenheiro estão imparáveis.
O escândalo denunciado pelo CDS esta semana, sobre os objectivos operacionais da ASAE, acabaria com o governo mais forte, por cá já nos habituamos, no pasa nada. Ficamos a saber que para 2008, a ASAE esperava efectuar 410 detenções, 1640 processos-crime, 12.505 contra-ordenações, 25.420 infracções e 1230 suspensões. Ou, se preferirem, esperava-se de cada inspector 2 detenções, 8 processos-crime, 61 contra-ordenações, 6 suspensões e 124 infracções. Já imagino o pobre do inspector que fica aquém dos objectivos, a justificar-se perante o director com o ambiente de crise que tirou os barcos do mar impedindo a apreensão do peixe, pedindo para passar a fazer rusgas aos aviões fretados pelo estado, onde sempre poderá autuar uns senhoritos fumadores.
Falando sério, até onde e quando vamos tolerar tamanhas enormidades? O sr. Nunes, Torquemada de pacotilha, em si mesmo, é zero. O funcionamento da ASAE em moldes empresariais ao estilo liberal é desajustado, estúpido e, pior de tudo, facilmente levará à total perversão da sua acção. Mas, o que realmente me deixa deprimido, é que tudo isto é apenas o espelho da ideia de governação de Sócrates, do novo PS que domina o aparelho de estado, de uma nova classe que, com o beneplácito de Cavaco, condiciona a democracia, avilta o país e as instituições e nada acontece.
A crise séria não vai chegar, está aí, muito tempo antes da gasolina estratosférica, do pão inacessível, da casa penhorada. Tem um nome: Sócrates.

Summertime


Não sei se sou só eu, não paro de pensar no verão. Esta chuva e este frio deixam-me absolutamente segunda-feira. Depois da bossa nova, do california sound, dou comigo a regressar ao essencial. Summertime, hoje e sempre. Que me perdoe Ella, Janis Joplin somehow atingiu o zénite e fez a versão definitiva. Inspiração e génio puro e duro, teve muito menos tempo para fazer as coisas e sabia-o, só as podia fazer assim: transcendentes. Foi em Gröna Lund, 1969. Relax and enjoy!

sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Por...tu...gal

Aproxima-se a passos largos o Euro 2008.
Começam-se a ver novamente bandeiras nas janelas.
Já que não temos outros motivos de satisfação, esperemos que os Viriatos nos façam esquecer durante uns dias os males da nossa terra.

P.S. (apolítico): Após publicar esta mensagem, verifiquei que é a número 600 da Enguia Fresca. Quando começámos há uns meses atrás, provavelmente nenhum de nós pensava que isto viesse a ter esta dimensão. E quanto a visitas, já ultrapassámos as 8.000 desde que o contador foi instalado. Se calhar está na altura de procurar uma editora para ver se ganhamos uns cobres aqui com a nossa Enguia.

Finalmente é Sexta!


Finalmente é Sexta! Fim de uma semana, inconstante, tal como o tempo que atinge este "jardim plantado à beira mar". Quando finalmente julgava que iria ter um daqueles jantares de sexta -só pra descontrair - com boa comida e um bom vinho tinto, eis que, tive a brilhante ideia de acompanhar tão promissor jantar com as noticias dos nossos telejornais. Ao fim de duas noticias, o estômago revolvia e nem um Quinta da Bacalhoa me despertava o paladar. De entrada o relatório da União Europeia sobre a pobreza em Portugal: o crescente fosso entre ricos e pobres e os novos pobres oriundos da classe média; a sopa foi acompanhada com a subida dos combustíveis; o prato principal servido com a benevolência da junta militar que governa Myammar que, finalmente, deixou a ajuda internacional entrar no "seu" país; a sobremesa adoçada com um debate , na TVI, entre todos os candidatos do PSD, com uma Manuela Moura Guedes estilo Boneca de ... em contraste com uma senhora Manuela Ferreira Leite, apagada, sem cor e sem substância.
Como Diria a Casual Friday: " estou exauridinha".
Entretanto, o café, foi acompanhado com uma daquelas notícias que não aparecem nos jornais, isto porque "dos fracos não reza a história". Continuo a achar que a função de um estado de direito é, essencialmente, ajudar aqueles mais precisam, proteger os mais fracos… Burra!..Estúpida!...Quem te mandou acreditar em contos de fadas.
Ora, uma das Bandeiras do nosso governo é o seu afamado Plano Tecnológico, que engloba a distribuição de computadores a professores, alunos e formandos das Novas Oportunidades. Julgando, eu, que um jovem com necessidades educativas especiais tivesse direito a um destes computadores resolvi telefonar para a linha de apoio do portal do governo: e-escola...Resposta: "Não tem direito e o governo ainda está a estudar esta situação". Não acreditando no que acabava de ouvir, recorri a outros meios para confirmar esta informação...Afinal a informação estava correcta! Em nome da “Inovação, Competitividade e conhecimento”, crianças e jovens com deficiência não terão direito a um computador. O choque tecnológico não chegará a estas pessoas, mas o choque discriminatório, será, certamente, sentido.

E assim, vai o nosso país.

The real thing


A cadeia de fast-food americana CHICK-FIL-A (leia-se chick filê- filet de frango) é a catedral do sandwich de peito de frango panado. O KFC é o mago das asas de frango e o Onofre de Gulpilhares é o rei das moelas. O mercado está segmentado e altamente especializado pelas diversas partes do frango. Eis que agora aparece o McDonalds com um novo sandwich que imita o famoso da CHICK-FIL-A; a resposta não se fez esperar e o resultado é o que podem ver na fotografia acima: "traga-nos uma sandwich de imitação meia comida e trocamos por um menu completo da verdadeira". Genial!

Não posso deixar de cogitar, será que os ingleses nos mandam uma Thatcher por cada Ferreira Leite gasta que lhes enviarmos???

Galp II


Com a verdade me enganas! Ando com a Galp e outras petroliferas pela tampa, assaltam-nos todos os dias sem pudor num imparável card-jacking. Mas, justiça seja feita, a Galp é diferente e tem sentido crítico, começa por pôr os portugueses apeados e, não satisfeita com isso, como a camioneta da selecção gasta muito, lá vão os portugueses a empurrar! Brilhante! É assim uma coisa tipo a Compal subir tanto os seus sumos que os portugueses andassem só a água, depois apareciam a espremer laranjas para os rapazinhos da bola! Get it?

With a little help from my friends



É um Joe Cocker bem diferente do que vi ontem á noite em Gaia. Contudo, melhorada a indumantária, aburguesadas as companhias e moderada a pose, continua tudo lá. Se contivermos a náusea e ultrapassarmos Up where we belong e You are so beautifull, o resto é um espectaculo digno de ser visto com respeito e entusiasmo. Cocker continua senhor de uma voz única, acompanha-se de bons músicos e, acima de tudo, é honesto e próximo na performance. Para mim, os dois grandes momentos da noite nasceram nos Beatles, um potente Come together e um magistral With a little help from my friends decalcado de Woodstock. O público, curiosamente, foi o mais peculiar que me lembro de ter visto num concerto; não há palavras possíveis para descrever. O ambiente na sala raiava o absurdo, melhor assim, olhos no palco, ouvidos na música e aproveitar. O resto é da lavra de Meneses.

Galp


Pergunto a quem souber.
Será que a GALP, que como sabem tem bombas de gasolina em Portugal e em Espanha, quando aumenta os preços fá-lo exactamente no mesmo montante e na mesma data?
É que se o argumento para justificar os aumentos é a subida da cotação do petróleo e se algumas das bombas espanholas são abastecidas a partir das refinarias portuguesas, logo com custos de produção iguais, então os aumentos deveriam também ser iguais e simultâneos. Certo?

quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Soarite aguda


Depois de mais uma terça-feira electiva, Barack Obama comfirma-se "o" candidato. Não há recuo possível. Tem a maioria absoluta dos pledged delegates e tem a maioria dos super delegates. O prolongar da contenda até Junho não alterará este quadro, com dívidas de 32 milhões de dolares, não há momentum possível para Hillary. Os americanos não entendem esta cega obstinação, o Partido Democrata corre sérios riscos e John McCain esfrega as mãos de contente.

Aqui no nosso cantinho, é impossível não nos lembrarmos de Soares. Como Hillary, desenvolveu no exercício do poder uma distorcida imagem de si próprio, uma ilusória percepção da realidade. São os resquícios de um conceito há muito ultrapassado de monarquia, em que o monarca se arroga todos os direitos, impõe-se sem legitimidade e consigo afunda os seus na sua cegueira. Têm uma visão instrumental do partido que os suporta, acalentam o sentimento profundo de que tudo lhes é devido, que apenas por serem quem são o povo deverá servilismo por todos os séculos dos séculos.
Felizmente não é assim.
Se, no caso de Soares, o dano em Alegre foi relativo perante um Cavaco imparável, no caso de Hillary, a sua soberba poderá entregar a eleição ao Partido Republicano. Não é que lhe interesse, talvez até goste, talvez na sua infinita arrogância venha a dizer: se fosse eu, obviamente ganhava!

Boas Férias!


terça-feira, 20 de Maio de 2008

Ramaphosa, Johannesburg


Há uns tempos escrevi aqui um post sobre a traição do sonho de Mandela. Depois do sonho em desmoronamento, os motins e perseguições dos últimos dias devem despedaçar o coração do grande líder.

A estupidez humana anda de braço dado com a memória curta do povo, este tem sido um drama constante da história. Os povos ontem oprimidos, rapidamente passam a opressores; a consciência histórica dos povos é seletiva e raramente honesta. Os sul africanos, que sofreram até há bem pouco a humilhação desumana do apartheid, que sentiram na pele, como ninguém, a dor inaceitável da descriminação e da segregação, são os mesmos que hoje em Ramaphosa e Reiger Park perseguem, descriminam e torturam emigrantes zimbabweanos e moçambicanos. O país de M'Beki, que Zuma se prepara para ganhar, é este, pouco diferente dos tempos da vergonha do apartheid, vítima da mesma infâmia.

A fotografia é de um irmão nosso moçambicano espancado hoje em Ramaphosa.

Leões de Lisboa

E ao finalizar esta ronda pela Irlanda, fui para ao Celtic de Glasgow, clube fundado pelos emigrantes irlandeses, e daí ter o trevo no emblema, o verde como cor e ser conhecido como o clube dos católicos que é, como sabem, a religião dominante na Irlanda, ao contrário do que acontece na Grã-Bretanha e na Escócia.
Encontrei no Youtube um video com o título lisbon lions-best day of our lives que pensei que teria algo a ver com o SCP.
Comecei a vê-lo, camisolas verdes e brancas até que surgiu a fotografia de um caneco que Alvalade nunca cheirou. Aí percebi que estava com o azimute errado. O clube era o Celtic.
Azar, amigos sportinguistas. Pode ser que para o ano lá cheguem!

Guinness




E por falar em Guinness, já aqui deixei há alguns meses um anúncio fantástico desta fantástica cerveja.
Hoje encontrei outro, completamente diferente do primeiro, mas também muito engraçado.

As minhas músicas - 7



Desta vez, vamos dar uma volta à Irlanda.
Este estilo divertido dos Dexy's Midnight Runners faz-me pensar em Guinness, Jameson e similares.

Portas...



Regresso sempre aos Doors. Ponto de partida e de chegada do meu universo musical pessoal. O primeiro video é uma curiosidade, uma performance no todo-poderoso Johnny Carson Show com banda seleta a acompanhar um Morrison em doloroso exercício de auto controlo num políticamente aceitável Touch me. A particularidade do olho negro de Robbie Krieger é deliciosa.

O segundo video já é á séria. Já é Jim Morrison e os Doors num dos magistrais registos de The End. The real thing. O Rei Lagarto no seu melhor.



Japão


A empresa japonesa de cosmética Umo lançou um novo tratamento anti-ageing. Revestindo o rosto das clientes a folha de ouro, garantem contrariar eficazmente os efeitos da idade. Será esta a idade de ouro?

segunda-feira, 19 de Maio de 2008

China


Condutores na Jianguomenwai Avenue, em Beijing, de pé, ao lado dos seus automóveis parados, fazem 3 minutos de silêncio em memória das vítimas do terramoto de há uma semana. Em todo o país o transito parou ás 14h28m, a hora da tragédia.

Cartoons


e lá como cá, os preços dos combustíveis...



Taça de Portugal


Terminou a época futebolística com a final da Taça e a vitória do Sporting. Parabéns aos vencedores.
Mais do que comentar as incidências do jogo ou arbitragem, ou mesmo a qualidade da transmissão televisiva, retenho aquilo que ouvi no final do jogo na transmissão efectuada pela Antena 1.
Procuravam os repórteres escutar os jogadores do Porto à medida que estes iam saindo do relvado e nenhum deles falava. Até que, finalmente, houve um que começou a falar. Coitado do Lino, não está habituado a jogar e ter oportunidade de mandar uns bitaites, viu um microfone à frente e aí está ele em plena forma.
Só que o director de comunicação do FCP apercebeu-se do facto e foi, segundo a descrição do repórter, "arrancar" o jogador do local onde este estava levando-o para os balneários.
E comentava o repórter da Antena que o seu ex-colega Rui Cerqueira, que agora é o referido director de comunicação do FCP, há uns meses atrás era vítima destas atitudes dos dirigentes desportivos e criticava-os e agora, que passou para o lado do dirigismo, faz exactamente aquilo que antes criticava.
Eu que eu não consigo entender é qual a razão pela qual não se prestam declarações. Nem neste jogo nem em nenhuma outra ocasião. E enquanto a imprensa der cobertura aos clubes que fomentam estas atitudes, sejam eles quais forem, estas situações não irão acabar.

Farmácias

Pensei que tinha ouvido há uns meses atrás que a abertura de farmácias iria ser finalmente liberalizada, pondo finalmente este sector a funcionar de acordo com as regras de qualquer mercado num país evoluído, desde que cumpridos os pressupostos técnicos que todos compreendemos.
Mas parece que não.
Ao ler esta notícia de hoje no Diário de Aveiro, parece que o Infarmed não só não deixa abrir farmácias, como inclusivamente as manda fechar.
Com entidades deste tipo, cujos chefes se calhar nunca ouviram falar num concelho chamado Murtosa pois não devem conhecer mais do que as ruas por onde os seus motoristas os conduzem, é certo que a saúde em Portugal continuará a funcionar sempre mal.
Não seria muito melhor preocuparem-se apenas com as condições técnicas de funcionamento das farmácias e deixarem o mercado funcionar? É que se a Murtosa tem uma farmácia a mais, como dizem, certamente que já teria fechado pois o negócio não daria para todas as existentes.

Kiwi e diospiro são culturas prioritárias !


O Governo Português decidiu agora considerar as culturas do kiwi, da baga do sabugueiro, do figo ou ainda do diospiro como estratégicas para Portugal.
Esta lista de prioridades consta de um documento elaborado no âmbito do PRODER - Programa de Desenvolvimento Rural, homologado pelo ministro da Agricultura, Jaime Silva no passado mês de Abril.
E,no lado oposto dessa lista dos produtos agrícolas e agro-alimentares são tidos como não estratégicos, para efeitos de financiamento público, o arroz, a cevada dística, o leite, o milho, o girassol e outros cereais e oleaginosas, assim como a pecuária extensiva !!!

Como é possível que em tempos de crise alimentar e de alta de preços, o Ministro da Agricultura entenda que não são prioritários os cereais, o arroz, a carne e o leite ???
Em que planeta vive esse Ministro ?
Debaixo de que pedra saiu ele para a política ?



domingo, 18 de Maio de 2008

Regresso


Regresso aos posts regulares depois de alguns dias de silêncio.

Os últimos dez dias foram para mim de particular intensidade. Fiz 40 anos, regressei a Fatima e acabo hoje os meu primeiros Exercícios Espirituais.

Partilho aqui o possível, sem entrar no strip-tease da intimidade.

Os 40 anos têm sido mais fáceis do que imaginei; a lembrança dos amigos de sempre, a família e o relativismo de uma data no calendário obliteram os anúncios de cataclismo que o aproximar da data encerra. Não quero com isto dizer que o par de vezes que já tive de respoder alto "idade? 40 anos." não me tenha soado algo estranho e alheio. Vamos dar tempo.

A Fatima, regressamos em família, como sempre a 12, a tempo de ver o dia escoar-se no santuário e a noite trazer os peregrinos que o enchem por completo. São momentos de maravilha sempre renovada, o olhar fraterno que se troca com um peregrino desconhecido, a amiga que se encontra casualmente, todos comungando no mesmo espirito, acima de tudo, Nossa Senhora. Naquele momento, naquele lugar, as tias de Lisboa são iguais às Josefas de Argoncilhe, os Mellos misturam-se com os Silvas e os cavaleiros apeiam-se sem se distinguirem dos forcados. Ali, perante Nossa Senhora mãe da Igreja, todos nos reduzimos à nossa essência e, nem que seja só por um bocadinho, todos somos iguais, ninguem ousa sentir-se diferente, está ali a verdade última do homem. Isto são os factos; da experiência pessoal de partilha e de fé permitam que aqui não fale. Para o ano, se Deus quiser, regressaremos.

Last but not least, os Exercícios Espirituais. Precisei de amadurecer muito a ideia, confesso que a ideia de três dias completos de silêncio me assustava. A fronteira dos 40 como pretexto e a felicidade dos amigos que os fizeram antes, deram-me o empurrão que precisava, en hora buena! O entusiasmo ainda é fresco, mas enorme; posso dizer que foram três dias dos mais marcantes e intensos da minha vida. Não sei se estarei melhor ou pior, estou seguramente diferente. Uma nota obrigatória: a eloquência, a profundidade e a sabedoria do Pe. António Vaz Pinto foram determinantes para a forma como vivenciei esta experiência. A repetir sem dúvida.

Agora vamos á vida, esperando manter o ânimo e os propósitos a que me comprometi.


P.s.: No regresso a casa, momento desejado de reencontro com a K. e a P., a P. diz-me que o meu Sporting ganhou a taça. 2-0! A taça, o único trofeu que realmente interessa! Yesss! Há dias perfeitos, não há?

Senhora da Ministra da Educação acorde e ponha aqui os olhos


Karin Nilsson, directora-geral da Educação na Suécia, esteve na passada semana na Fundação Calouste Gulbenkian para falar sobre o modelo educativo do seu país, que permite aos pais escolher a escola dos filhos sem despesas acrescidas, e deu uma interessante entrevista publicada no Público este fim de semana.
Merecem destaque os seguintes excertos dessa entrevista:

«- Os pais têm liberdade para escolher a escola dos filhos?
KN - Sim, cada município tem as suas escolas, são as chamadas escolas municipais, são públicas. Há também escolas independentes, que são privadas, podem pertencer a um indivíduo, a uma empresa, a uma congregação religiosa ou a uma cooperativas de pais. Os pais têm um voucher por cada filho, ou seja, o Estado distribui um montante por cada aluno, igual para todas as escolas, que pode ser gasto numa escola independente ou numa municipal.
- O número de escolas independentes tem aumentado?
KN - Actualmente, 9% dos alunos da escolaridade obrigatória (do 1.º ao 9.º anos) e 17,4% do secundário frequentam escolas independentes. Estes números vão continuar a subir. Só este ano, a Direcção-Geral de Educação recebeu 560 novos pedidos. É na direcção que verificamos se o pedido obedece a todos os requisitos. Por exemplo, se tem viabilidade financeira, se tem um local para construir, qual é a pedagogia que segue...
(…)- Como é feito o financiamento das escolas municipais?
KN - Através de impostos directos e indirectos. Existem 290 autarquias e seis mil escolas. Os municípios financiam as suas actividades através dos impostos autárquicos (70 por cento), subsídios estatais (15 por cento) e outras fontes de rendimento (15 por cento). Há municípios ricos e outros pobres, por isso, o Estado procura fazer de Robin Hood e equilibrar as contas. Na verdade, existe comunicação entre os municípios e o Estado limita-se a estabelecer um equilíbrio. Isto significa que todos os municípios têm dinheiro para financiar o sistema educativo.- E muitos pais têm optado pelas independentes. Porquê?
KN - Temos assistido a um fenómeno que é novo. Na década de 1990, a Suécia decidiu descentralizar a educação, que estava concentrada no Estado e passou as escolas para os municípios. Esta mudança, possibilitou o surgimento das escolas independentes. Ou seja, abriu-se a possibilidade dos pais escolherem. Não digo que as escolas municipais não sejam boas, na generalidade são boas; mas os pais querem mais qualquer coisa e algumas das escolas independentes têm um perfil muito específico que atrai as famílias. Por exemplo, as escolas que ensinam só em língua inglesa são muito populares.
- Não obedecem a um currículo nacional?
KN - Sim, o currículo é igual para todas as escolas, assim como os programas para todas as disciplinas. Se queremos certificar os alunos, temos de seguir um currículo nacional. As escolas comprometem-se todas a seguir o currículo nacional. Um ano depois de uma escola nova começar a funcionar, a Inspecção-Geral de Educação vai para o terreno, ver se está a cumprir. A inspecção vai a todas as escolas. Até 2003, a inspecção era feita de seis em seis anos; com o novo Governo será mais forte e passará pelas escolas a cada três anos.
(…)
- Os resultados dos alunos diferem da pública para a privada?
KN - Temos verificado que as escolas independentes têm tido melhores resultados. É difícil explicar porquê. Ainda não começámos a analisar isso... Tudo isto ainda é muito novo na Suécia e não temos feito investigação sobre estas questões. »

Senhora da Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues acorde e ponha aqui os olhos e os ouvidos e atreva-se a inovar mais e melhor neste sentido. Atreva-se a preconizar e implementar o melhor.
Tenha a coragem de dar aos Pais portugueses a verdadeira liberdade de escolha da escola dos filhos, proporcionando-lhes a possibilidade de escolher a escola que considerem a melhor para os seus filhos (em vez de optar pela escola publica por falta de dinheiro para pagar a escola privada ) ……
Deixe os Pais escolher e tenha a ousadia de pôr à prova a qualidade das escolas públicas, e note que na Suécia a grande maioria dos alunos frequenta escolas publicas como se lê nesta entrevista …
Deixe as escolas privadas – de inspiração religiosa ou não – diferenciar a respectiva oferta de ensino, sem prejuízo dum único programa nacional, e obrigue as escolas publicas a melhorar, fruto da concorrência …..
E não deixe de medir os resultados dos alunos para saber se diferem da publica para a privada … tal como hoje já diferem no ranking das escolas, ou se virá a atenuar-se essa diferença pela necessidade da escola pública fazer muito mais e muito melhor em concorrrência directa e transparente…
Toda a entrevista de Karin Nilsson ao Publico aqui

Sócrates no hospital

Segundo o Jornal de Notícias, o Eng. Sócrates teve uns arrepios, sentiu-se febril e zás, urgência do hospital com ele.
Ora aquilo que nós, comuns cidadãos deste país temos ouvido, é que não nos devemos dirigir a este tipo de serviços de saúde apenas com sintomas febris, mas sim contactar a Linha Saúde 24 onde nos prestarão os aconselhamentos necessários para cada tipo de situação.
Diz a mesma notícia que devido à recente viagem que o Eng. efectuou à Chavezlândia (vulgarmente conhecida por Venezuela), ele poderia padecer de malária ou dengue, o que, aparantemente, não se verifica.
Mas o curioso da história é que no site do Ministério dos Negócios Estrangeiros, não refere a necessidade de fazer qualquer profilaxia relativa a estas doenças aquando da visita à Venezuela.
Afinal em que é que ficamos?
A Venezuela é ou não uma zona de risco para estas doenças?
E se é, por que é que o site do MNE não o refere?
E se não é, por que é que os serviços de imprensa do Primeiro-Ministro indicam esta possibilidade?
Alguém me pode esclarecer?
Ou será que o nosso Primeiro já primeiro já está a sofrer na pele os sintomas da falta do cigarrito?

sexta-feira, 16 de Maio de 2008

ESPERANÇA


Um dos dos filmes mais marcantes da minha vida foi o”Hotel Ruanda”; um daqueles filmes que pela sua densidade dramática nos dão um “murro no estômago “, fazem-nos pensar sobre o sentido da vida. O filme fala de um tema que já abordei em posts anteriores: a desumanidade latente em cada um de nós. Para mim, o que aconteceu no Ruanda não foi uma questão cultural ou racial mas uma questão humana. O preconceito, o medo do diferente, a intolerância foram a causa de uma das maiores atrocidades cometidas contra o ser humano.Catorze anos após os extremistas hutus terem matado entre 800.000 a um milhão de pessoas -na sua maioria tutsis- num terrível genocídio, as mulheres do Ruanda estão a vender "cestos da paz" nas lojas do Macy’s.

Iphigenia Mukantabana faz estes cestos em sua casa, juntamente com a sua amiga, Epiphania Mukanyndwi. Em 1994, Iphigenia viu o seu marido e os seus 5 filhos serem esquartejados pelas milícias hutus. Entre os homens que mataram a sua família encontrava-se Jean-Bosco Bizimana, marido da sua amiga. Hoje em dia, Iphigenia partilha o seu futuro e as suas refeições familiares com o assassíno da sua família e a sua mulher.Para Iphigenia não bastou, o tempo que passou na prisão, a confissão e o pedido de desculpas de Jean-Bosco Bizimana. A reconciliação não teria acontecido se ela não tivesse aberto o seu coração: "Eu sou cristã, e rezo todos os dias”.

Actualmente, o Ruanda é, em África, um exemplo de sucesso. Tem a taxa mais alta de crescimento económico, uma das taxas de criminalidade mais baixas, e o nível mais baixo de infecções por HIV-AIDS em África. Um terço dos ministros do governo ruandês são mulheres sendo que 48% dos deputados são igualmente mulheres, a percentagem mais alta em todo o mundo. O Ruanda é também um pais preocupado com questões ambientais e possui um nível muito baixo de corrupção. Paul Kagame, presidente do Ruanda tem sido defensor e executor de uma politica de reconciliação e de perdão : "We said building a nation is the most important thing."

Afinal, o perdão e a reconciliação não são uma questão cultural ou racial mas sim uma questão humana. Parece-me que ainda há esperança para a humanidade.

A casa de banho na mesa do escritório...


Só faltava mais esta...
Além de porta-fita adesiva, porta-caneta/lápis (boca ou na parte de trás no autoclismo) e porta-bloco de notas, a sanita é um porta-clips. E para tirá-los de lá, nada melhor que um iman. Adivinhe onde ?
Pois bem, talvez seja uma bela opção para presentear executivos eternamente mal-humorados….

Exauridinha.....


As notícias desta semana cansam um cristão…
....arrasaram a paciência e deixaram-me exauridinha….
Não há sossego.

Ele é o Alberto João Jardim que continua a anunciar boçalidades e a proferir grosserias em alta voz …

Ele é a miséria das listas de espera em oftalmologia do SNS, com os idosos mais carenciados a serem despachados para Cuba para intervenções cirúrgicas rápidas e baratas …

Ele foi Sócrates a fumar no avião atrás das cortinas, e com a distinta lata de vir dizer depois com ar cândido que não sabia que era proíbido..

Ele foi a audição parlamentar dos ex- presidentes do conselho de administração do ainda maior banco privado português a sacudir àgua dos capotes, invocando á descarada absoluta ignorância das malfeitorias praticadas, e imputando-as reciprocamente...

Ele foi o IDT- Instituto da Droga e da Toxicodependência a publicar um dicionário para crianças que transmite uma imagem "bué da fixe" do consumo de drogas, onde constam alarvidades tais como :
"betinho, cócó ou careta: é aquele que não consome droga, e por isso, é considerado (…) desprezível e desinteressante"; "curtir: sentir o prazer da droga"; "queimar: é aquecer com o isqueiro a heroína ou a cocaína, até fazer a bolha brilhante, cativante e vaporosa".
E ele foi o Dr. Goulão a justificar o disparate dizendo que o dicionário foi feito com a colaboração do Ministério da Educação (!), e o mesmo que tem alguma utilidade (!!), que serve para os jovens não ficarem mal informados (!!!).

Ele foi o Ministro das Finanças que aproveitou a ausência de Sócrates para anunciar a revisão, em forte baixa, da previsão de crescimento económico do País; isto quando há precisamente 2 semanas José Sócrates afirmara "que não tinha nenhum motivo para alterar as previsões", não obstante os sucessivos alertas do FMI, da Comissão Europeia, do Banco de Portugal …

Ele são as punições não judiciais nos casos futebolisticos dos apitos, e as justificações obscenas dos culpados punidos inocentes … alegadamente....

Destilaram-me a paciência … fiquei farta, exauridinha ….

E, last but not the least, foi o post da Laurinda Alves sobre conversas na casa de banho pública, no 13 de Maio em Fátima … (vão lá ver, já não tenho ânimo para transcrever a coisa)…..

Exauridinha ….
Melhor é possível … para a semana …
Assim espero…. sentada.

Shemá Israel - Ouve Israel


Israel começou a celebrar, oficialmente a partir da passada quinta-feira (8) os 60 anos do seu nascimento. Embora seja uma nação já há muitos séculos, Israel nasceu como um estado autónomo no dia 14 de maio de 1948.

Quando se fala de Israel e dos Judeus, os sentimentos não são ambiguos mas antagónicos: ou se ama, ou se odeia. Aparentemente o que este povo tem de tão admirável, tem também de detestável. Nunca nada é preto ou branco, por vezes a história é cinzenta. É por isso que é tão importante conhecer o percurso histórico deste povo para ter uma visão clara e crítica do seu papel no mundo.
A história do povo israelita inicia-se com o chamamento de Deus a Abraão, com o qual celebrou uma aliança; prometeu uma grande descendência e uma terra para o seu povo. O povo de Israel tornou-se, assim, o povo eleito por Deus para transmitir a sua benção aos outros povos. Mas este povo, aparentemente abençoado por Deus, foi ao longo da sua história uma nação amaldiçoada, perseguida e incompreendida. A explicaçãp biblica para tantos infortúnios foi o afastamento de Deus, a idolatria, o pecado e a posse. Mas, mais do que uma explicação teológica, existem também questões culturais, geográficas e politicas.
A instalação das 12 tribos de israel não foi pacifica, desde o ínicio houveram conflitos. O reino de Judá foi primeiro atacado pelos assirios, em 722 a.C.; depois em 586 a.C., Nabucodonosor II — imperador babilónico — invadiu Jerusalém, tendo destruido o reino de Judá e deportado os judeus para a Babilónia. Foi durante o período de cativeiro na Babilónia que cresceu entre o povo de Judá um sentimento de identidade racial e religiosa indissolúvel, que os tornou numa nação forte, como hoje a conhecemos. Em 63 a.C. a Judeia torna-se uma província de Roma. Em 70 d.C. os romanos destroem o templo e, em 135, Jerusalém é arrasada.Com a destruição de Jerusalém, começa o período da grande dispersão do povo judeu: a Diáspora. Espalhados por todos os continentes, os judeus mantiveram sua unidade cultural e religiosa. A Diáspora termina em 1948 com a criação do Estado de Israel.
Na verdade, a terra que Deus prometeu aos Judeus - a terra de Canaã- nunca foi verdadeiramente sua. Este povo nunca possuiu a terra onde correm “rios de leite e mel” e, ainda hoje ,vive em guerra para a manter. O que torna este povo, tão especial e digno de admiração é a sua resiliência: a capacidade de enfrentar todas as adversidades sem nunca desistir.
Admiro os judeus: a sua religiosidade, as suas tradições culturais, a sua coragem, ...No entanto, a forma como tratam e gerem a questão palestiniana, a sua atitude de arrogância e superioridade racial, a exploração constante do papel de vitimas e a frieza com que geram as questões politicas é digna de crítica. Contudo, o que neles é criticável é , ao mesmo tempo, uma grande vantagem, que lhes permitiu sobreviver como nação ao longo de séculos.



quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Com a devida Vénia.

Nunca fiz referências ou links a outros blogs. Muitas vezes estive já tentado a fazê-lo, pela alta qualidade dos textos ou matérias aí "publicadas".
Apetece-me, hoje, fazer esta referência, dada a oportunidade do assunto e o desfecho infeliz, na minha opinião e, pelos vistos, não só na minha, que teve, na Assembleia da República.
Com o devido pedido de permissão ao Rui Castro, a quem não conheço, mas que saúdo pela forma e pelo conteúdo do texto.
Aqui, no 31 Da Armada, sobre a Lei da Autonomia, Qualidade e Liberdade Escolar.

Notícias do Dia II

Alguém me poderá explicar de que se rirão eles?
Acharão, porventura, que motivos não lhes faltam. As últimas notícias até são animadoras, não é assim?
Lendo AQUI e com a atenção devida, encontra-se o Comunicado à Imprensa do Instituto Nacional de Estatística, cujos números forçam o (des)Governo a REVER EM BAIXA as previsões de crescimento da economia para este ano; como aliás já, por muitos e bons, havia sido alertado. Da mesma forma que o crescimento do PIB, que até decresce, face a período homólogo.
Os comentários reservo-os para os especialistas, até porque ESTE ESPECIALISTA já começa a pôr as garras de fora, alertando para a crise económica e para os que podem eventualmente passar por dificuldades, até para se alimentar condignamente! ALIMENTAR CONDIGNAMENTE! Será este o mesmo Portugal de Sócrates, Pinho, Santos e Companhia? Ou anda meio mundo a enganar outro meio? Pelo menos a tentar?
Sim, porque o PM, sem o mínimo rebuço e pudor, em Março passado declarava o FIM DA CRISE, lembram-se? "Sem comprometer o crescimento económico e com a economia a continuar a crescer.".
Cada vez mais esta gente revela o que vale. Ou o que não vale.

Notícias do dia

Nada melhor do que comentar algumas notícias frescas, tal como a nossa enguia.



A primeira tem a ver com a eventual candidatura Ibérica ao Mundial de Futebol 2018.
Andam os nossos conterrâneos socialistas tão preocupados com o estado do nosso estádio e eis que aparece logo o todo-poderoso, literalmente, Secretário de Estado Laurentino Dias a dizer que os estádios que temos so precisam de uns retoques.
Afinal em que é que ficamos?



A segunda vem da Venezuela, país tão fértil em notícias nas últimas horas.
Ainda bem que não foi nenhuma enguia na comitiva do Senhor Engenheiro. Então isto faz-se?
Por esta malta a monte num helicóptero? Sentados no chão e sem cintos?
Julgavam que era só Business Class e copinho de whisky na mão?`
É bom, assim ficam a saber como é que os amigos do nosso Primeiro tratam os seus convidados.

As minhas músicas - 6

Uma das grandes músicas dos anos 70 que, como grande parte do que foi criado naquela década, continua perfeitamente actual e que é com gosto que se ouve.
Led Zeppelin, Stairway to Heaven.



Fica também aqui, para comparação com o original, um adas versões mais recentes do tema, pelos Foo Fighters

quarta-feira, 14 de Maio de 2008

E JÁ AGORA...

O ministro Manuelzinho, perdão, ministrozinho Manuel, perdão, Pinho, o Ministro, saberá DISTO?

"Presidente, lo estás haciendo muy bien." ou La Verguenza!

A frase do cartaz é sintomática, apesar de ter sido alvo de um protesto, simplório e inconsistente, por parte do Governo Português; à data de hoje, esse mesmo Governo, esse mesmo PM, o mesmo ministrozinho Manuel y su delegación, estão em visita de estado à Venezuela para, no dizer sempre "chistoso" do Comandante Chávez, "trocar petróleo por esparguete".

Fantásica a forma e o conteúdo do Comandante, símbolo máximo da democracia da América Latina; mais ainda, o pragmatismo deste PM, caríssimo Eng. Sócrates, que por Portugal se presta a sacríficios inimagináveis. "Tetina, já conheces o queijo português?", arrota el Comandante mais uma das suas costumeiras postas; pelos vistos a Tetina até é ministra de qualquer coisa, lá pelas bandas dele. E o nosso PM aguenta firme e pensa que afinal não é só petróleo por esparguete; o queijo também entra.

E eis senão quando, o dito Comandante, elogiando o nosso Eng. e PM, explica a falta de protocolo com o simples facto de estar a copiar o protocolo sandinista de Daniel Ortega. Ay hombre, que m'encantas e llevas a las orígenes de mi ideologia socialista, tan lejanas estos dias, piensa Sócrates. E não resiste; amanda-lhe com um "Presidente, lo estás haciendo muy bien.".

Não sei, nem me interessa como terá acabado a cerimónia. Bem, com toda a certeza; tudo bem disposto, Pinho, o ministro, mortinho por fumar uma cigarrada, o PM também, tudo confraternizando, a Tetina sorridente, enfim, felizes.

Para mim, isto chama-se HIPOCRISIA e deixa-me completamente averguenzado. Nem em nome de 600.000 emigrantes portugueses estes senhores podem por em causa os nossos valores e a consistência com que os devem defender. Em nome de todos nós.

Por muitos M€ que pensem estar em jogo. Mas isto sou só eu a pensar alto.

É preciso ter lata - parte II


A primeira grande notícia do dia: Sócrates admite que errou! Finalmente, acrescento eu.
A segunda é que Sócrates deixou de fumar.
Mas há mais.
Então
o Sr. Engenheiro não conhece as leis do seu Governo?
Como pode ele afirmar se não sabe se a lei se aplica ou não a aviões fretados?
E só os fumadores é que, inconscientemente, podem violar leis que desconhecem?
Irra!
Então, Sr. Engenheiro, da próxima vez que viajar, leve consigo a Lei nº 37/2007, e eu aconselho-lhe que leia os seguintes artigos:
Artigo 4.º Proibição de fumar em determinados locais
1 — É proibido fumar:
b) Nos locais de trabalho;
2 — É ainda proibido fumar nos veículos afectos aos transportes públicos urbanos, suburbanos e interurbanos de passageiros, bem como nos transportes rodoviários, ferroviários, aéreos, marítimos e fluviais, nos serviços expressos, turísticos e de aluguer, nos táxis, ambulâncias, veículos de transporte de doentes e teleféricos.
Daquilo que eu entendo destes pontos, não há qualquer diferenciação entre os transportes aéreos de carreira e os fretados, mas, por analogia com os autocarros, onde está claramente definido que também é proibido fumar nos de aluguer, nos aviões dever-se-á passar o mesmo.
E, se dúvidas houvesse, a alínea b do nº1 é esclarecedora, a não ser que o nosso Governo apenas utilizasse aviões não tripulados para as suas deslocações.

Aerotasco


Depois da aeronave fumegante do Primeiro-Ministro, imagino o sonho de consumo de Mário Lino e Jaime Silva, o primeiro para umas cemesainas, o segundo para palco das suas magníficas tiradas.

Cogitações fumegantes


Noticia do dia: "O Primeiro-Ministro Eng. José Sócrates e o Ministro da Economia Manuel Pinho fumam a bordo de avião."

Que pensar de tudo isto? Que credibilidade tem uma notícia destas?
Chamam engenheiro a José Sócrates, ministro da economia a Manuel Pinho e querem que a gente acredite que iam a fumar a bordo? Nah....
Não hão-de tardar as más linguas a dizer que quem vai bajular o Chavez se está borrifando para a legalidade e os principios do Estado de Direito! Assim não dá!

terça-feira, 13 de Maio de 2008

Novo Ferrari


Porque momentos destes devem ser divulgados

O CROMO...

O ministro Manuel anuncia, preocupado e extremamente sensibilizado com a qualidade de vida dos portugueses, ISTO. Em 30 de Abril passado, claro.
A resposta ao ministro Manuelzinho, perdão, ministrozinho Manuel, perdão, Pinho, o Ministro, foi ESTA. Hoje, 13 de Maio, em todo o País e não só na Cova da Iría...
A única coisa que me apetece dizer é: QUE CROMO! Este deve ser dos que jogam com o pé que está mais à mão...e só faz o que lhe mandam! Os outros, os cidadãos, os portugueses, que se $%&%$$%$#&!
Desculpem, mas o homem irrita-me, bastante.

Bob II


A falta de tempo é tanta, que obriga a dividir os posts e fazer sequência em dias consecutivos; o tema vale o empenho.

Dizia que fiquei impressionado com a entrevista de Geldof à Sic Notícias. Para quem não é cego, bastaria o episódio da conferência do BES para consolidar simpatias com Bob Geldof; a entrevista foi muito além. Bob Geldof provou que é muito mais do que uma estrela rock com uma causa cool. Ao longo de cerca de uma hora, desenvolveu de forma clara e inteligente um plano político consistente e praticável para salvar África, para ajudar o Mundo. Poucas vezes vi um político falar de forma tão desassombrada, mostrar tanto conhecimento mantendo um low-profile e atacar com tanta eficácia e coerência.
Longe vão os tempos dos Boomtown Rats, Geldof é, definitivamente, um político à escala global que, por acaso, compõe umas canções e dá uns concertos. Obviamente, os seus laços com o mundo da música permitem sinergias valiosíssimas para a promoção e globalização das causas que advoga.
Algumas notas da entrevista: Políticamente incorrecto, fala de Bush como pouquíssimos se atreverão a falar, e coloca-o no centro do que de melhor se faz em África hoje. Aponta o dedo acusador, com numeros exactos, a todos os que traem as palavras com os actos, Sócrates incluido. Desafia a Europa a um novo plano bilateral de desenvolvimento agricola, motor de criação de um novo mercado preferêncial para a economia da UE. Enfim, são tantas e tão interessantes as ideias, tão coerentes os caminhos apontados que vale a pena procurar ver ou rever esta entrevista.

A confirmação de uma certeza: As coisas no estado em que estão não podem continuar.

É preciso ter lata


Decididamente é preciso ter lata.
A ser verdade esta notícia do Público, e não me parece que haja motivo para que o não seja, andam estas almas (como dizia a minha avó) a fabricar leis para "educar" o povo mas, como eles não são povo, não as cumprem.
Já agora, gostava de ser mosca e voar por dentro de alguns gabinetes em Lisboa!

Bob, o Construtor.


Bob Geldof não é um grande músico e não se adequa á imagem de político, talvez , seja apenas um homem preocupado com o destino da humanidade. É claro que, no meio disto tudo, haverá um pouco de vaidade, interesse pessoais, visões sectárias e até partidárias, mas afinal, o homem não é Santo. Aliás, não me parece que pretenda esse estatuto. Como mediador e lobbista deveria saber o que é ser politicamente correcto. Contudo, quando alguém é tão activista e empenhado na defesa das injustiças que grassam a humanidade, por vezes, a boca foge para a verdade. As afirmações proferidas por Sir Bob Geldof na conferência do BES sobre Desenvolvimento Sustentável, criaram um evidente mal-estar entre os promotores do evento.
O secretário para a Informação do MPLA, apesar de tentar desvalorizar as afirmações de Geldof, que disse que Angola "é gerida por criminosos", considerou as afirmações do músico irlandês "insultuosas"."Não perdemos tempo com artistas deste nível", afirmou Norberto dos Santos, justificando a sua posição com o facto de Bob Geldof "desconhecer a realidade de Angola", quando afirma que na Baía de Luanda existem casas milionárias.

As afirmações do músico sobre o governo angolano foram aproveitadas por alguns jornalistas portugueses que apanharam a onda para quebrar o silêncio sobre a degradante e desumana situação de desigualdade que se vive em Angola cujos riquíssimos recursos naturais são geridos e explorados pela família e amigos de José Eduardo dos Santos, enquanto milhões de angolanos vivem numa situação de extrema pobreza. No programa o Eixo do Mal, o grupo de comentadores residentes foram extremamente críticos perante a situação que se vive em Angola e o poder da família de José Eduardo dos Santos. Também o jornal Público aproveitou a situação para publicar vários artigos sobre Angola. Ora, parece que o Governo Angolano tem feito saber através do Jornal de Angola da sua indignação perante tais "abusos e insultos". Numa atitude, “profundamente democrática”, o governo angolano ameaçou que, mantendo-se as críticas ao regime angolano, na Imprensa Portuguesa, "divulgará a lista dos nomes de quadrilheiros portugueses, capturados no bunker de Jonas Savimbi."

Com isto, o governo Angolano demonstra que tudo fará para que os seus interesses não sejam postos em causa.
Diz-se que: "Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso." Bob Geldof, escolheu o caminho mais difícil: o da verdade. Resta saber, que caminho escolherá o nosso governo?

segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Bob


Infelizmente para mim, não estive na tal coisa do BES onde Bob Geldof disse alto o que todos pensam baixinho sobre Angola. Foi um daqueles momentos que qualquer um de nós pagaria para assistir. O que veio a seguir não tem nada de extraordinário, é das leis da vida o vergar da coluna quando o interesse obriga. Os corruptos ofenderam-se, os poderosos assobiaram para o lado, o BES demarcou-se. A vida do BES é multiplicar dinheiro, não é defender causas nem lutar por principios.

Ontem assisti à entrevista, desculpem, monólogo, de Geldof na SIC Noticias; fiquei impressionado com o Senhor.

domingo, 11 de Maio de 2008

Sport TV


Domingo à tarde, papo cheio, sofá à espera e vontade de ver, como habitualmente, a Premier League Inglesa na Sport TV.
Com o aliciante de se disputar a última jornada e de estar o título em discussão.
Telecomando na mão, selecciono a Sport TV 1 e está a ser transmitida a Série A Italiana, também em dia de decisões.
Mais um toque no botão, escolho a Sport TV 2 e, surpreendemente, está a ser transmitida a final do Open de Roma em ténis, em diferido.
Mais incrível ainda, se ocorre algo de interessante em Inglaterra, dão imagens da situação e o comentador do jogo italiano vai-nos mantendo informados sobre os jogos ingleses.
Confesso que não compreendo.
Será que os jogos decisivos em Inglaterra não podem ser transmitidos para o estrangeiro?
Ou será que não há dinheiro para pagar essa tranmissão?
Ou será que a ausência de concorrência se manifesta hoje pela mais completa falta de respeito por quem paga mensalmente a conta apresentada?

sábado, 10 de Maio de 2008

Cartoons


sexta-feira, 9 de Maio de 2008

nubrella ....


O Nubrella prende-se com um arnês, fecha-se á volta do utilizador, e garantidamente não vira com o vento …

Si a ti te gusta, a mi me encanta

Normalmente ouço a Rádio Comercial ao início da manhã, pois agrada-me o estilo divertido daquela equipa.
Mas, nos últimos tempos, há uma publicidade a uns produtos dietéticos que tem passado no programa, que me tira do sério.
Começa pelo lema, Si a ti te gusta, a mi me encanta, o que me leva a pensar se não estarei a ouvir uma rádio espanhola.
Depois continua com os conselhos de uma nutricionista que, além de uma voz pouco indicada para fazer publicidade em rádio, gravou várias vezes a expressão "uma grama", demonstrando que continuamos a ser bombardeados com disparates no uso da Língua Portuguesa, e que, mesmo num caso destes, houve toda uma equipa responsável pela concepção dos spots que deixou passar o erro.
Os spots podem ser ouvidos aqui (passe a publicidade).
Enfim, parece que isto nem com acordo ortográfico vai lá.

quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Lagosta e Mousse de Chocolate

Como já devem ter reparado, alguns dos nossos links são dedicados à boa mesa.
No seguimento do post anterior dedicado aos aniversariantes recentes, aqui lhes deixo uma sugestão de ementa para um dia especial e que, ao mesmo tempo, lembra a programação do horário nobre dos Domingos, na RTP há uns anitos...


O Vaticano e os macacos


Os defensores da doutrina do Criacionismo Anti-Darwiniano ficam zangados com a ideia de que a humanidade veio do macaco, por evolução natural da espécie, em vez de ter sido criada por Deus e colocada – já homem e mulher perfeitos - no Paraíso.
Mas, agora o Vaticano tenta a resolução teológica do conflito. O "Catholic News Service" -
CNS reporta – um artigo publicado no Osservatore pelo biólogo Fiorenzo Facchini, afirmando que o Homem veio mesmo do macaco, porque o macaco evoluiu para "criaturas pré-humanas" que foram "humanizadas" por intervenção divina no decurso do processo natural da evolução da espécie dos primatas. Isto é, no momento em que foram atingidas as condições biológicas necessárias para suporte do pensamento reflexivo, a vontade de Deus, o Criador, insuflou uma partícula de inteligência num hominídio não-humano, e o homem veio á existência.
Os cientistas afirmam que esta tese da intervenção divina "não representa uma intrusão indesejada da teologia na ciência" – antes tem sentido para explicar a alma – o espírito – humanos, que não poderia surgir da evolução natural da matéria.
Claramente, isto não é novidade para – como direi – crentes inteligentes …. Mas sê-lo-á para alguns outros…..


As minhas músicas - 5


Continuando a ronda pelos clássicos das festas de sotãos e garagens do fim dos anos 70, início dos anos 80, lembro-me que os discos dos Barclays James Harvest eram dos que mais se gastavam, e este Hymn um dos temas mais ouvidos.

Ando cá com uma preguiça

Pois é mesmo, não tenho tido vontade nenhuma de escrever, mas não quero deixar de dar um abraço a quem acaba de pagar a jóia de admissão para o clube dos "entas" e também para aqueles a quem já falta menos de 1 ano para a pagarem.
Não custa nada meus amigos, é um clube de gente impecável e vão ver que se vão sentir cá bem. No entanto, quando começarem a ter uns problemazitos de ferrugem, aqui fica esta receita infalível, também disponível em embalagem de 5 litros.

E enquanto continuar preguiçoso, vou pondo por aqui mais umas musiquinhas.

Yoani Sánchez


Já tinha lido aqui e acolá sobre a filóloga cubana Yoani Sánchez, de 32 anos, que sobrevive dando aulas de espanhol a cidadãos alemães que se encontram em Cuba, e alimenta o seu Blog Generación Y duas vezes por semana em cibercafés ou nos lobbies de hotéis onde, por 6 dólares á hora, consegue acesso á internet.
O blog foi objecto de censura pelas autoridades da ilha que bloquearam o seu acesso aos internautas cubanos.
Recentemente, a bloguera mais famosa de Cuba foi galardoada com o prémio Ortega Y Gasset de jornalismo, mas foi impedida de viajar a Madrid para a cerimónia de entrega do galardão.

Yoani foi agora nomeada pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2008, por isso resolvi ir lá espreitar… e diz ela:
"Junto a noventa y nueve famosos me ha puesto la revista Time en su lista de personas influyentes del 2008. A mí, que nunca me he subido a un escenario, ni a una tribuna y que mis propios vecinos no saben si "Yoani" se escribe con "h" intermedia o con "s" final. Para más sorpresa estoy en el acápite de "Héroes y pioneros", aunque preferiría la simple categoría de "ciudadano".
De los innumerables caminos para llegar a ese célebre listado, creo haber transitado –a pie- por el más inusual. Ese que no va apuntalado con poder económico, carisma ante las cámaras, control político o ascendencia religiosa. Sencillamente me dediqué a contar mi realidad desde el distorsionado foco de las emociones y las interrogantes. Llegué a creerme que la voz de un individuo puede empujar los muros, oponerse a las consignas y desteñir los mitos. Ahora la vanidad solo me alcanza para imaginar que los otros inscritos se estarán preguntando "¿quién es esa desconocida blogger cubana que nos acompaña?"

Recomendo a visita : o blog alimenta-se da realidade de Cuba, da energia das pessoas, e da liberdade para aprender discutir, algo que tanta falta faz aos cubanos… nota-se ali que a principal mudança em Cuba está a dar-se nas pessoas, o ciclo do silêncio terminou, a sensação de paralisia que existiu durante muitos anos deu lugar ao atrevimento colectivo de uma geração… É impactante a coragem e a vitalidade de Yoani Sánchez.

Já nos quarenta...Qual será a sensação?


Para um grande homem um belissímo poema escrito por uma grande mulher:


Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Parabéns Raúl.

Que continues a traçar o teu caminho com a tranquilidade, a força, o respeito pelos outros e, acima de tudo, com a ética e com o sucesso que inegavelmente tens demonstrado.
Com amizade te desejo as melhores fortunas pessoais para o "porvir"; quanto ao resto, sei que estarás à altura, como sempre.

Um forte Abraço.

Pois é ...

Próximo!

Aqui no Enguia, com humildade qb, achamos que este post foi decisivo para o desfecho da novela de Alipio Ribeiro. Bom, lá foi mais um. Por este andar, qualquer dia ainda nos batem à porta.
Próximo!

A Aliada de McCain


Hillary Clinton garante que não desiste de candidatura presidencial
Hillary Clinton confirmou hoje que se vai manter na corrida pela nomeação democrata às eleições presidenciais de Novembro, apesar da desvantagem crescente em relação a Barack Obama e da difícil situação financeira da sua campanha.

quarta-feira, 7 de Maio de 2008

EMBORA, QUASE NOS QUARENTA... GRANDES HOMENS NÃO TÊM IDADE.


Quem faz jus ao título de "grande homem”?
O grande homem é silenciosamente bom...É genial mas não exibe génio...É poderoso mas não ostenta poder...Socorre a todos, sem precipitação...Adora o que é sagrado mas sem fanatismo...Carrega fardos pesados, com leveza, e sem queixar-se...Domina mas sem insolência...É humilde mas sem servilismo…Faz bem a todos, antes que se perceba..."Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante - nem se ouve o seu clamor nas ruas..."Rasga caminhos novos sem esmagar ninguém...Abre largos espaços, sem arrombar portas...Entra no coração humano sem se saber como...

Tudo isso faz o grande homem, porque ele é como o sol: esse astro, tão poderoso que consegue sustentar um sistema planetário, e tão delicado que é capaz de beijar uma pétala de flor.

Companheiros...


Confesso que, cada vez mais, me sinto certo sobre Manuela Ferreira Leite. O embuste é total. Sendo de outro partido do espectro da direita, poderia ficar contente, contudo, acho que o afunilamento do maior partido da oposição não interessa à democracía, não é bom para ninguém. Não adianta ao CDS subir se a esquerda polarizar 60% do eleitorado, será mais interessante crescer bem, numa lógica de crescimento do espaço designado por centro-direita. Interessa, no meu ponto de vista, que este espaço recupere a confiança da maioria dos cidadãos e que nele o CDS tenha uma posição forte, incontornável; para isto acontecer era preciso o PSD mudar de vida. Não muda.

Manuela Ferreira Leite, uma ficção cavaquista desenterrada à pressa para alivio do baronato colheita 2011, revelou-se um verdadeiro flop. Não basta ser senhora para merecer ser primeiro-ministro. Não basta que toda a gente diga que tem experiência governativa, é imprescindível que tenha capacidade governativa. Não basta constituir-se em reserva da nação, é preciso mostrar um projecto e ideias. Não basta coleccionar apoios de ocasião, é preciso dizer de que forma essas pessoas vão participar activamente no futuro do partido. Resumindo, Manuela Ferreira Leite foi, até agora, o vácuo absoluto. Um silêncio confrangedor.

Para terminar, o que me impeliu a escrever este post: a única ideia de Ferreira Leite é a afirmação exaustiva da sua própria credibilidade. Sempre duvidei dos que precisam de apregoar a sua seriedade a cada cinco minutos... Pois é, hoje, contribuindo para a sua credibilidade, aparece no noticiário da SIC a anunciar o apoio de Balsemão, imagine-se, logo a seguir á apresentação de candidatura de Santana Lopes! Não resistiu ao golpezinho mas, com candura, disse que o seu adversário é o PS, os outros são seus companheiros. Com uma companheira assim, pobres dos companheiros...

terça-feira, 6 de Maio de 2008

Etty Hillesum

Este é um livro a não perder.
Etty Hillesum, jovem judia holandesa, morreu em Auschwitz em Novembro de 1943. Em Julho desse ano, no campo de concentração de Westerbork, escreveu o seguinte:

"Sim, a angústia é grande e no entanto acontece-me muitas vezes á noite quando o dia passou e mergulhou atrás de mim nas profundezas, vou seguindo, com passo ligeiro, as linhas do arame farpado, e sinto sempre subir do meu coração – não posso fazer nada, é assim, vem de uma força elementar – o mesmo encantamento: a vida é uma coisa maravilhosa e grande, depois da guerra teremos de construir um mundo inteiramente novo e, a cada nova exigência, a cada nova crueldade teremos de opor um pequeno suplemento de amor e de bondade a conquistar sobre nós mesmos. Temos o direito de sofrer mas não de sucumbir ao sofrimento. E se sobrevivermos ilesos de corpo e alma, de alma sobretudo, sem amargura, sem ódio, nós teremos também a nossa palavra a dizer depois da guerra.
(…) A artéria principal da minha vida estende-se já muito longe diante de mim e alcança um outro mundo. Dir-se-á que todos os acontecimentos presentes e futuros já foram tomados em conta em qualquer parte de mim, eu já os assimilei, já os vivi e já trabalho para uma sociedade que sucederá a esta. A vida que levo aqui quase não corta o meu capital de energia – claro que o físico se degrada um pouco e cai-se por vezes em abismos de tristeza – mas, no centro do nosso ser, tornamo-nos cada vez mais fortes. (….)."
- carta a Johanna e Klaas Swelik.

E foi no horror de Auschwitz que Etty Hillesum escreveu no seu Diário:
"Se Deus deixar de me ajudar, eu estarei aqui para ajudar Deus."
E também:
"…a gente não quer reconhecer que chegados a um certo ponto, já nada se pode fazer, mas só ser e aceitar."
É todo um testemunho espiritual de amor e grandeza de alma que suscita toda a minha admiração, desde a pequenez da minha fé e da minha imperfeição.


Casa em que não há pão...


Todos os meios políticos europeus e a comunicação social foi invadida, de forma avassaladora, por uma repentina preocupação relativamente à escassez de bens alimentares e subida dos preços dos cereais. Confesso que estou um pouco baralhada e até atónita! Só agora é que repararam? Sobre esta situação: as suas causas, as consequências económicas e humanitárias, já falei num post anterior.

Percebo muito pouco de agricultura, embora, em tempos, tenha sonhado em ser agrónoma. É o meu lado bucólico. Como a vida dá muitas voltas, acabei numa função mais "pastoral", o que se pensarmos bem, tem tudo a ver com "pastoreio". Bem, voltando ao problema, já na altura da entrada de Portugal para a União Europeia e, com o advento da chamada “politica agrícola comum”, lentamente a nossa incipiente agricultura foi desaparecendo. Até compreendo que uma agricultura baseada no minifúndio dificilmente subsistiria numa Europa competitiva mas, não se deveria ter investido mais na modernização agrícola em vez de dar subsídios para fazer “abates”, reduzir a produção por causa das “quotas” e, entretanto, deixar os terrenos abandonados, provocando a desertificação de largas zonas do país? Agora, depois do mal feito, um grupo de iluminados, talvez os mesmos que tiveram as "brilhantes ideias" anteriormente enunciadas, vêm dizer que é preciso investir mais na agricultura e produzir mais para fazer face à escassez mundial de alimentos. Eu, da pequenez da minha ignorância, sempre achei que um país deveria ter uma agricultura moderna e produtiva para não depender das importações de bens alimentares. O nosso país tem uma diversidade geográfica que permite a produção de inúmeros bens alimentares essenciais. Porquê desperdiçar essa riqueza?
E, como diz o velho ditado: "Casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".

Os direitos das mulheres



O Economist traz hoje um relato impressionante sobre as actuais dificuldades de ser Mulher na Arábia Saudita. De acordo com as imposições legais ali vigentes, as mulheres são consideradas incapazes e, por isso, impedidas de estudar, trabalhar, viajar, casar, testemunhar perante um Tribunal, celebrar um contrato ou até de submeter-se a tratamento médico sem o consentimento expresso de um parente do sexo masculino que será o pai, o marido, ou, menos frequentemente, o avô, o irmão, ou mesmo o próprio filho.
É esta imposição de um "guardião" masculino sobre mulheres adultas o maior obstáculo dos direitos fundamentais da mulher como ser humano.
O seguinte relato verídico é ilustrativo:
"Da primeira e da segunda vez que o marido a alvejou a tiro, ela – mulher de cerca de trinta anos - foi aconselhada a apresentar queixa. Ela explicou que só o poderia fazer - apresentar queixa – na presença obrigatória do seu guardião masculino que é o…. marido. Sem ele, o testemunho dela não seria legalmente válido. Além disso, os polícias (todos homens) poderiam acusá-la de "se misturar" com o sexo oposto, o que é um crime aos olhos dos Tribunais da Arábia Saudita. A terceira vez que o marido a alvejou ela morreu."

Apesar de ter subscrito vários acordos e proclamações internacionais sobre os direitos das mulheres, o governo saudita pouco faz para modificar este sistema vigente, que decorre da sharia (lei religiosa islâmica).
Não é demais repetir e amplificar que por causa do fundamentalismo islâmico as mulheres continuam privadas de direitos fundamentais em pleno século XXI.

segunda-feira, 5 de Maio de 2008

As minhas músicas - 4



Jethro Tull é um nome que pouco dirá aos que ainda não chegaram aos 40.
Este tema de 1971, Aqualung, tem uma certa piada pois tem variações de ritmo incríveis e também porque dá para ver que o Ian Anderson é um grande maluco.

A virtude da hipocrisia


Não resisto a deixar aqui um texto de finíssima ironia de Carmen Posadas sobre a "virtude" da hipocrisia social, tão em voga actualmente:

"A verdade torna-os livres, mas também os fará… profundamente antipáticos".
Assim rezava o lema de um clube secreto que funcionava na Universidade de Oxford há meio século. Os seus membros, que se faziam chamar Os Grandes Hipócritas, defendiam este rasgo do carácter humano como una virtude máxima.

Naturalmente cabe pensar que tal ideia era só um produto de uma excentricidade habitual entre estudantes elitistas, mas o certo é que se deram ao trabalho de escrever todo um panegírico da hipocrisia social que consideravam como expressão da mais alta sofisticação e boa educação. Um rasgo que impedia que as pessoas andassem por aí a expressar as suas mais íntimas (e quase sempre desagradáveis) opiniões sobre o próximo.

Eles opinavam que a hipocrisia social era o factor que mais diferenciava o Homem da besta e, portanto, um produto da sua melhor inteligência. Seria muito longo expor aqui tão original teoria, mas basta assinalar os seus pontos mais destacados já que, talvez, possam ser interessantes num mundo tão agressivo como o nosso em que o insulto é moeda de curso legal, e em que cantar as verdades se considera muito recomendável. Em contraposição a esta atitude, o Clube dos Grandes Hipócritas fazia as seguintes reflexões:

Deixando de lado a óbvia conveniência de una certa urbanidade no trato social (e ¿o que é a urbanidade senão pura hipocrisia?), apontam outras qualidades importantes atribuíveis á sua virtude preferida.
Para começar asseguravam que a hipocrisia, como arte que é, só está ao alcance dos seres mais inteligentes, daqueles que conhecem os pontos débeis do próximo e sabem como aproveitá-los em benefício próprio.
- "O hipócrita sabe quão vulneráveis são todos os humanos á adulação, e utiliza-a sem pestanejar e é lícito, perfeitamente lícito, que o faça, posto que a vaidade – ao contrario da hipocrisia - é um rasgo humano sem nenhuma faceta positiva e merece ser posta em evidência".
- "A nossa virtude favorita" continuavam os Grandes Hipócritas "sabe adoptar outros muitos disfarces interessantes para conseguir os seus fins, como quando se vale do elogio desmedido até produzir o efeito contrário ao que parece á primeira vista porque (….) a nossa virtude favorita é o doce envenenado com que se logra que o ouvinte acabe detestando o que (na aparência) se está enaltecendo. A hipocrisia, portanto, é subtil, educada, talentosa, não se defronta com ninguém e quando se vê na obrigação de dizer a verdade, recorre á ironia que é sua irmã de sangue". "Em conclusão: irmãos defendamos a existência da hipocrisia como a forma de inteligência que nos diferencia das bestas: se elas recorrem á força bruta é porque não podem valer-se do dom divino da palavra".
Deste modo concluía o original clube o seu discurso deixando no leitor a dúvida razoável de saber se falavam a sério.

Muitos anos depois, quando já quase tinha esquecido os seus postulados, encontrei uma máxima de La Rochefoucauld que me fez recordar o Clube dos Hipócritas e que aqui transcrevo por alguém poder crer que merece uma reflexão. Diz simplesmente assim: "A hipocrisia é o homenagem que o vício rende á virtude".
Carmen Posadas

Sulista e Elitista


"Olhe que eu julgava mesmo que esse Zé Pedro Aguiar Branco era filho de um motorista angolano! Juro!"

cartoons...



melhor frase da semana


"Talvez seja necessário a polícia de segurança pública contratar os serviços de uma empresa de segurança privada para garantir a segurança das esquadras"
Mário Crespo, Jornal das Nove, SIC-N

domingo, 4 de Maio de 2008

Sem perdão


Aqueles meninos só conheciam o mundo através da televisão, e do pouco que a mãe recordava. E por isso, agora, Stefan Fritzl, de 18 anos, e o seu irmãozinho Felix, de 5 anos, estão ainda a habituar-se á luz do sol. Depois de passarem toda a vida fechados num subterrâneo-prisão sem janelas junto com a sua mãe, Elisabeth, eles estão a receber tratamento médico numa ala especial de uma clínica austríaca. Os médicos afirmaram que os meninos e a mãe estão extremamente pálidos, e esta última está muito magra e aparenta muito mais do que a idade que tem (42 anos). A sua filha mais velha, Kerstin, de 19 anos, está muito doente no hospital por causa das privações que sofreu vivendo encarcerada na masmorra que o pai/avô criou para eles.
Josef Fritzl parece ter planeado e executado meticulosamente o plano terrífico enquanto aparentava ser um bom pai de família e um patriarca tão extremoso que até adoptou outros 3 netos. Este homem, qual carrasco do campo de concentração nazi, infligiu indizíveis sofrimentos á sua filha e aos filhos que dela fez nascer. Tirou-lhes tudo, incluindo a liberdade, a juventude e a infância, a inocência, a alegria e a luz do sol, amigos e a escola, tratamento médico, e o amor da família e dos outros, já que amor de pai nunca conheceram. Esse homem não tem perdão.
Para Elisabeth e os seus filhos será longo o caminho a percorrer em direcção ao restabelecimento, a uma vida normal e á felicidade possível. A adolescente austríaca Natascha Kampusch mantida prisioneira numa cave durante oito anos, disse que o sofrimento e vivência traumática permanecem e viverão para sempre com ela. Não será muito diferente com os Fritzl, sobre os quais pesa ainda o trauma do incesto.
A maldade e o sofrimento são uma pergunta sem resposta possível.

Certidão


Certidão
Poeminha à Certeza Total

Eu sei, rapaz, confesso
Que estava errado ontem
E você, certo.
Mas você não estava certo
De que eu estava errado
Eu, desde o início,
Admiti a hipótese
De você estar certo.
Politicamente eu agia errado.
Mas estava aberto no meu erro.
Você, fechado, em defesa,
Amedrontado na sua certeza.
Errado, espiritualmente eu estava certo
E você, certo, se apoiava
Numa atitude humana viciada.
Tranqüilo, aqui estou eu, errado.
Certo, afirmado, eu sei,
E te digo
Certamente você está muito magoado
Comigo.

Millôr Fernandes

MATERNIDADE




Ser mãe.


É-se mãe, não por geração mas desde o coração. É uma relação que não é de posse mas, indubitavelmente, de dádiva constante de todo o nosso ser.

Ninguém resume tão bem esta relação como o poeta e pensador Kahlil Gibran :

E uma mulher que carregava o filho nos braços disse: “Fala-nos dos filhos.”
E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com a Sua força para que as suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja a vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.

Kahlil Gibran

Dia do Município

Vai por aí um alarido com o facto da sessão solene do dia do Município se realizar a 11 de Maio em vez de ser, como habitualmente, no dia 12.
Muito sinceramente, não vejo qual é o problema.
Sempre gostava de saber o que é que esses críticos fazem na noite de 24 de Dezembro. Será que vão tomar um café com os amigos? Ou celebram o Natal que, por acaso, apenas é no dia 25!

Grito


Confesso que este grito me invadiu como se fosse a versão fotográfica do inquietante Grito de Munch. Vem de um tibetano preso dentro de um carro celular em Katmandu, depois de um protesto à porta da embaixada chinesa.
Francamente, repugna-me a esquerda sem moral nem consciência que invoca o tal Barão de Coubertain e os seus elevados princípios para que a opressão do povo tibetano seja abafada perante uma China poderosa e implacável.
Shame on you!

Olhares


Troca de olhares entre um menino iraquiano e um soldado americano da 101 Airborne Division. Foi hoje durante uma operação em Al-Rudwaniyah.

A penny for their thoughts!

sábado, 3 de Maio de 2008

1 ano depois


Poucas notícias dominaram tanto a atenção do público nos ultimos tempos como a do desaparecimento de Madeleine McCann. Faz hoje 1 ano que a menina desapareceu do apartamento na Praia da Luz, enquanto os pais jantavam com o grupo de amigos no restauramente das proximidades.

E o circo mediático em torno do aniversário do desparecimento já começou. Os membros do casal permanecem arguidos – suspeitos – da investigação policial, mas as entrevistas mediáticas – á BBC e ao Público – retratam-nos com simpatia como vitimas angustiadas, fazendo apelo a informações sobre o paradeiro de Madeleine.

Eu diria que é impossível evitar uma visão céptica sobre o casal. Por 2 motivos:
Deixar os filhos de 2 e 3 anos sozinhos a dormir num apartamento e com a porta no trinco, enquanto os pais jantavam a certa distância é um acto de negligência gravíssimo. E todos nós apreendemos perfeitamente a imagem de irresponsabilidade e negligência que daí advém e que ensombra o casal McCcann com uma aura de "maus pais".
Por outro lado, e mais grave ainda, são os vestigios de sangue e cabelos humanos que a policia descobriu no carro alugado pelo casal Mccann depois do desaparecimento da filha. Descoberta que, recorde-se, precipitou a sua constituição como arguidos. Os McCann sempre recusaram abordar esse tema, que permanece inexplicado, se é que carece de explicação além da evidência do facto.

Recentemente, a polícia sugeriu aos McCann o regresso a Portugal para filmar uma reconstituição dos acontecimentos na noite do desaparecimento. Claro que as possibilidades de tal acontecer são remotas porque agora os McCann desconfiam e temem a polícia. É ver como as suas declarações sobre esse tópico estão recheadas de "ses", e sobretudo da condição de retirada do estatuto de arguido. As relações entre a policia e os McCanns estão completamente cortadas: o casal já confirmou á BBC que agora não têem contacto directo com os investigadores.

Um ano depois, cresce a certeza de que o crime nunca será resolvido excepto se o cadáver de Madeleine for descoberto. Cresce também a certeza de que a policia não possui provas suficientes para acusar e inculpar os McCann. Independentemente de como termine esta investigação policial, Kate e Gerry MacCann não escaparão nunca a esta celebridade tóxica, mesmo que o destino de Madeleine venha a ser conhecido.

em complemento do post anterior ...

VIVER acima de tudo!!!




É muito bom ir de férias, mas é infinitamente bom regressar a casa.
There´s no place like home...
É muito bom estar uns dias afastada das rotinas, longe da voragem dos noticiários, sem jornais, nem TV, nem internet. Ganha-se em sossego, e em distância crítica.
E ao voltar e abrir o jornal, e ouvir as noticias, impõe-se uma convicção: tudo está rigorosamente na mesma, não perdi nada, não há nada de novo debaixo do sol. É quase um sentimento de inutilidade. Ao fim e ao cabo, as notícias da chamada actualidade, política e não só, repetem-se até á náusea: sempre o mesmo debate mesquinho, agressivo, o duelo verbal vazio, as contradições e as discordâncias do costume.
E sobretudo, vê-se bem como as notícias dos media são feitas, apenas e só, de más noticias e de crítica negativa e satírica.
Não perdi nada. Pelo contrário, ganhei em sossego, optimismo e paz, e em observações e leituras mais profícuas.
É muito bom voltar e rever com olhos repousados a beleza da marginal sobre o mar, acordar de manhã ao chilrear dos pássaros sobre o silêncio, o zumbido rouco dos eléctricos ao passar.....
There´s no place like home.

Bye Brown...

Esta é a capa do The Independent:

O The Guardian diz:

Brown's long, bloody Friday
· Johnson wins London mayoral race· Labour lose 331 seats, Tories gain 256· Cameron on course for overall majority
Gordon Brown endured 24 hours of political humiliation in his first electoral test as prime minister when Boris Johnson capped a day of record-breaking Tory triumphs in the local elections by romping to victory minutes before midnight as London mayor, defeating Ken Livingstone by 140,000 votes.
A despondent Brown responded to the bloodbath by promising to listen and lead, and blamed the economic downturn for the effective collapse of the new labour coalition. The Conservatives were celebrating a prized platform from which to launch a general election campaign as Johnson beat Livingstone by 1,168,738 to 1,028,966, drawing formidable support from the outer suburbs.

Pois é, para quem dizia que os Tories e David Cameron estariam afastados indefinidamente do poder, é tempo de refazer as contas. Lembra-me a célebre frase: "Os que anunciaram a minha morte, manifestamente, precipitaram-se!". A opinião publicada portuguesa, com o seu tradicional sectarismo esquerdófilo, obliterou a Grã-Bretanha do mapa. Descontentes com um Blair pouco ortodoxo e distante dos Zapaterinhos continentais, tementes da afirmação continuada e sólida de Cameron, os nossos iluminados resolveram a coisa da melhor forma: no pasa nada! Mas passa. Passa que, no seguimento da Alemanha, de França e, á sua maneira, Itália, as nações líderes da UE viram costas ao socialismo e regressam ao espaço político da direita. A Peninsula Ibérica, com as suas idiossincrasias, continua periférica e em contra-ciclo. Até quando?

Verão

São três dos músicos que ouço mais nos dias que correm. Donavon Frankenreiter, Jack Johnson e G. Love. Aqui juntos e ao vivo, melhor ainda, em acústico. Música simples, a lembrar mar, ondas, surf, sol e a indefinível boa vibe. Jack Johnson vem cá em Junho, a não perder!


sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Zimbabwe


Robert Mugabe tem sido hábil a gerir as eleições a que se sugeitou. Primeiro falhou na previsão, o terror que instituiu não resultou na subserviência do povo aos seus desmandos, mas, de seguida, na contenção dos danos que os resultados lhe trariam, jogou magistralmente o jogo típico dos déspotas que ainda conservam um fio de lucidez. O impasse que criou, os sucessivos atrasos na divulgação dos resultados, retiraram o Zimbabwe das capas dos jornais e atiraram-no para a secção "Mundo" onde divaga como matéria em arrefecimento. Os media são assim, a validade da notícia de abertura é cada vez mais curta, não havendo sangue nem resultados bombásticos, o interesse vai perscrevendo. Mugabe percebeu muito bem isto. Hoje, ao publicar os resultados, sabe que a sua eventual manipulação não tem o mesmo impacto negativo no mundo, soube criar um falso clima de aceitação democrática ao admitir uma espécie de vitória de Tsvangirai. Resta agora esperar para perceber se Mugabe aproveitou este tempo para preparar uma saída airosa ou um regresso trágico.

Para já, é bom registar que, apesar dos pesares, Tsvangirai regista oficialmente uns significativos 47,9%.

Dia do Trabalhador

Foi ontem, primeiro de Maio. Enquanto no mundo dito civilizado se gritavam palavras de ordem em manifestações organizadas ao sabor das diversas agendas políticas, um trabalhador vergado carrega pó e cinzas numa fábrica de tijolos em Bhubaneshwar, India.

Do Mundo

Na preparação do aniversário de Buddha, a 12 de Maio, monges coreanos esfregam a cabeça rapada de uma das oito crianças que ingressarão no templo de Chogye, em Seul, para uma experiência de um mês de vida monástica.

quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Outros Primeiros de Maio

Israelitas em recolhimento em frente a um mural enquanto uma sirene marca o dia anual da memória do Holocausto em Tel Aviv. Horas antes, o presidente israelita traçou uma velada comparação entre o genocídio nazi e a ameaça hoje sentida por Israel em face das ambições nucleares de Teerão.

O soldado israelita Roni Steiner acende uma vela em memória dos seus avós durante a cerimónia de hoje no Hall Chagall no Knesset, Israel. Hoje foram oficialmente lembrados os 6 milhões de judeus mortos durante o III Reich. A tapeçaria em fundo é de Marc Chagall, também ele judeu, e representa Moisés a receber os 10 Mandamentos.


1º de Maio